Do zero à maior barbearia da cidade: a história de Patrick
Patrick conta como saiu de uma cadeira de barbeiro para a Patrick Barbershop em Portugal: imigração, os primeiros passos e como transformar uma habilidade em negócio.
Sobre o episódio
De uma cadeira à maior barbearia da cidade: toda grande conquista tem um começo que nem todo mundo conhece. Neste vídeo, você vai conhecer a trajetória de Patrick e descobrir como os primeiros passos na profissão se tornaram o início de uma história de crescimento e transformação.
Por trás da fachada da Patrick Barbershop, existe uma caminhada feita de trabalho, aprendizado e decisões importantes. Vamos conversar sobre os desafios de empreender, imigrar, construir o próprio nome e transformar a habilidade de cortar cabelo em um negócio.
Se você é barbeiro, sonha em abrir sua empresa ou está começando com os recursos que tem, essa história é para você. Uma oportunidade de olhar além do resultado e conhecer o caminho percorrido até chegar lá.
Principais pontos
- O começo na profissão e as primeiras decisões que mudaram o rumo.
- Os desafios de imigrar e construir o próprio nome em outro país.
- Como transformar a habilidade de cortar cabelo em uma empresa.
- Conselhos para quem está começando com os recursos que tem.
Transcrição
Transcrição gerada a partir das legendas automáticas do YouTube. Pode conter pequenos erros de reconhecimento de fala. Clique no horário para ir direto àquele trecho do vídeo.
0:27 21 anos, deixou tudo no Brasil e decidiu emigrar para Portugal. Hoje estamos aqui com ele, Patrick, Patrick Luan, barbeiro no Algarve, aqui em Albufeira, muito conhecido. É um prazer, meu querido, estar aqui com você.
— Muito obrigado. Muito obrigado pelo convite.
— Já a gente se conheceu, por acaso, foi no final do ano, né?
— Isso, exatamente.
— Ouvia muito falar do tal do Patrick, da barbearia do Patrick,
— desde que eu cheguei aqui no Algarve, né? Entretanto, devido, né? É, as coisas da vida acabei que eu nunca cortei o cabelo com ele. Entretanto, o nosso negócio fica na mesma rua, somos quase vizinho. E no final, se eu não me engano, foi no final do ano passado na correria, falei: “Cara, vou conhecer esse tal Patrick, vamos ver se ele é bom mesmo.” E desde então a gente tá lá cortando o cabelo. É, cara, um ótimo profissional, não tem o que falar dele como profissional. É ótimo. E hoje a gente vai falar um pouquinho aí da sua trajetória.
— Vamos lá. Quem é o Patrick, né? Todo mundo conhece ali hoje, tá bem conhecida
1:29 ali no Instagram, no TikTok, mas eu queria saber um pouquinho do Patrick, dos bastidores, né? Ou seja, a origem do Patrick, como que é, da onde você veio do Brasil, conta um pouquinho da sua história, né? Da onde você veio, o que que você fazia lá no Brasil.
— Bom, vamos lá. Primeiramente, muito obrigado pelo convite. Eh, primeiro podcast, me sinto muito honrado e feliz. Espero que seja um sucesso aí, que eu esteja abrindo a porta aí de uma caminhada bem bacana para vocês. E é assim, eu eu sou de Belo Horizonte, de Minas Gerais, pelo sutaque já dá para pegar um pouquinho aí, sou mineirinho
— e sempre fui empreendedor, sabe? Tipo, sempre quis correr atrás da das minhas coisas assim por conta própria. Eh, eu com 14 anos eu já vendia salgado na rua já. Então, tudo que eu já comprava bicicleta e já trocava bicicleta e fazia catira, rolo, então sempre fui assim mexido, venho de uma família que não tem assim
2:32 as condições financeiras boa, então sempre busquei correr atrás e e ajudar a família nisso e tudo. Eh, tudo que eu fui fazendo ao longo dos anos foi dando um resultado bom. Às vezes não é assim tão rápido quanto a gente espera, não é assim logo, mas tudo que eu dediquei na minha vida para fazer num propósito assim, eu consegui acertar. E tanto que agora eu tô com novos empreendimentos, tô dedicando e tudo e as coisas tá caminhando sempre bem. Então, quando você faz as coisas certinha ali, faz as coisas tudo com foco e bem feito, o o certo é dar certo. E pronto, com 21 anos, eu mudei tudo lá e decidi vir para Portugal. Mas antes de de eu vir de Portugal, eu já tinha aberto uma barbearia. Comecei lá como barbeiro. Fiquei três anos como barbeiro no Brasil antes de vir para cá. Eh, trabalhei
3:33 junto com a minha mãe, que também ela era cabeleireira. E, mano, começou a dar super certo na época eu fazia faculdade de engenharia civil, mas já vi que não ia, não era aquilo que eu queria. Na verdade, eu até gostava, eu achava legal, mas como a barbearia já tava dando um, já tava dando um direcionamento mais legal, já tava começando a ganhar um dinheiro com aquilo, tava começando a barbearia naquela época de 2017, 18, tava dando um boom muito grande. Então eu peguei esse início aí, surfei nessa onda, acabei saindo da faculdade, minha mãe não gostou muito, mãe sempre quis que eu estudasse, fizesse um curso superior, mas eu fui lá e expliquei para ela, não é isso aqui que eu quero, eu vou dedicar a isso. E ela apoiou 100%. E isso, essa profissão me ajudou a tomar a decisão de vir para Portugal, porque assim, eu já tinha um uma profissão que eu sabia que aqui era bem valorizada e
4:34 que com o trabalho certinho eu conseguiria alcançar os meus objetivos.
— Bacana. E lá você, só para eu entender direitinho, você abriu uma barbearia ou você fez o curso ali e foi trabalhar para alguém? Sim, eu comecei, eu comecei no salão da minha mãe, ela, ela tinha lá duas cadeiras e eu comecei a cortar lá, fiquei lá durante um ano e depois desse um ano eu fui trabalhar para um outro rapaz. E esse rapaz eu fui trabalhar como colaborador, que era uma barbearia de verdade, não era assim um salão agregado com a barbearia, foi para eu pegar mais experiência. Entretanto, eu fui fazendo alguns cursos. Eu não fiz assim um curso iniciante logo no início, fui fazer depois vários de aperfeiçoamento e fiquei um ano com esse rapaz e me ajudou muito porque aí eu comecei a pegar a dinâmica de barbearia, eh, mais em relação ao corte, aos maquinários, porque você tando sozinho, você não conhece ter, não sabe ter aquele conhecimento do que você precisa
5:34 e tal. Então ele foi me dando essas dicas, eh, e depois fiquei um ano com ele e voltei pro salão da minha mãe, onde eu fiz uma remodelação, transformei numa barbearia e fiquei mais um ano, que aí fecha os três anos que eu tive como barbeiro no Brasil antes de E a ideia de vir para Portugal foi assim do nada não tinha vontade nenhuma de sair do Brasil, tava com tudo orientado lá, já tinha, já tava lá com na loja, já tinha comprado um carrinho para mim também já tava tava tudo encaminhando assim para pr as coisas dar certo, para trabalhar e tal, mas aí um amigo meu pegou e veio para Portugal e acendeu assim essa essa chama, essa vontade de vir. Aí esse amigo meu veio para Portugal e a gente era muito amigo mesmo e ele cortava cabelo lá comigo também. a gente já se conhecia há um tempo. Ele veio com a esposa dele e eu perguntando ele como é que era aqui e tudo e ele
6:34 meio que me encorajou a vi. Aí eu falei com a minha mãe: “Olha, tô querendo ir para Portugal e tudo”. Aí ela: “Mas você nunca falou disso e tal? De onde que surgiu isso?” E ela achou que ia ser uma ideia que eu ia amadurecer ainda. Isso era novembro de 2020. Aí em dezembro eu tirei meu passaporte e final de janeiro eu vim para Portugal.
— Ou seja, três meses para você fazer a mudança.
— Eu ia perguntar exatamente isso, né? Como surgiu essa ideia, como que aconteceu essas coisas? E é muito bom saber, né? Porque tem pessoas que passam às vezes uma vida planejando e não tem a coragem de emigrar, né? Porque o mundo é dos corajosos, né? Então, muitas pessoas às vezes passa ali, se planeja, não que eu acho errado, né? Eu particularmente sou totalmente a favor do planejamento, mas o mundo é do corajoso,
— cara. É, eu tenho dois lados da moeda por ser novo. Eh, foi bom e foi ruim. Foi bom porque eu não tinha nenhuma
7:36 responsabilidade a nível de filhos, não era casado, então morava com os meus pais. Então, foi mais fácil de fazer isso porque simplesmente era só deixar ali o a barbearia e tentar algo novo. Não tava deixando assim muita coisa para trás. Eh, só que também é muito novo. Hoje em dia eu já vejo que a experiência ela conta muito e quando a gente é novo é um pouco inconsequente nessa nesse aspecto. Mas pelo fato de eu ter sido inconsequente, eu só agradeço e também tenho a desculpa da idade, mas acho que se fosse fosse hoje em dia, eu teria feito novamente, mesmo sabendo tudo que aconteceu, as coisas difíceis que teve no caminho. Mas eh independente de como eu tô hoje, em comparação a qualquer pessoa, se tá bem ou se tá ruim, eu eu sou feliz pela minha história, sou feliz pelo pela caminhada que eu fiz e faria tudo de novo. Até porque quando eu quando eu vim para cá, eu fiquei, eu vim
8:37 sozinho para cá, tinha esse amigo meu aqui, mas em questão a nível familiar, eu fui o primeiro que que resolveu emigrar. E hoje tem muita gente aí que veio através de mim, que estão aqui, que eu consegui dar um apoio, que eu consegui ajudar além da minha família, que foi, eu costumo falar que quando alguém me pergunta, não sei se você ia me perguntar, já vou adiantar, qual que é sua maior conquista que você teve Tando em Portugal, eh, com a sua imigração, que foi trazer a minha família? Acho que foi,
— ou seja, você foi toda a ponte aí pra sua família vir. Exatamente. Examente. Tipo assim, eu eu vim, fiquei 4 anos sozinho. Assim que eu consegui meu documento, eu voltei pro Brasil, fiquei um mês e quando eu vim, eu já trouxe meu pai, minha mãe e minha irmã. E tipo assim, consegui graças a Deus eh colocar eles num para morar numa casa boa. Tirei eles daquele tentei poupar eles daqueles processo de de início do do imigrante,
9:38 apesar que muita coisa acontece, foge da nossa çada e eu não conseguia manter eles também sem trabalhar e tudo. Eles tiveram que que a procura de emprego e tal, mas já consegui orientar eles aí numa casa boa, já orientar um emprego assim melhor, já com o meu conhecimento aqui. Então essa daí é para mim é a minha maior conquista e independente daqui pra frente se eu comprar um carro bom, uma casa, eh essa daí foi a minha maior vitória. E todo imigrante que eu falo isso, todo mundo que eu conheço admira muito a gente e tudo, porque é difícil você conseguir trazer seus pais de lá. Todo mundo tem uma vida lá e tudo e a gente era muito apegado. Então foi difícil também tirar eles lá da rotina e tudo, mas eu falei: “Ó, mãe, as coisas aqui para mim tá correndo bem”. Eh, a gente nunca tinha ficado separado. Eh, minha irmã, quando eu saí tinha 11 anos, eu voltei, ela tava com 15.
10:39 Então, já foi um tempo perdido, eu não queria perder mais esse tempo. Eu falei: “Ó, se vocês não vier, eu vou estar largando tudo aqui e vou voltar pra gente estar junto e seguir, porque eu acho que não vale a pena passar uma vida inteira longe.” Aí acabou que eles entenderam a situação, viram que aqui as coisas tá vindo bem e decidiram embarcar nessa aventura aí comigo. Cara, isso que você falou é muito importante, porque a maioria das pessoas que eu conheço, amigos, é justamente quando eles querem desistir, que desistem, volta, é justamente por conta da família, por estar sozinhos. Como eu tenho meus pais aqui também, muito dos amigos, né, da do nosso ciclo acabam tendo eles como pais, né, justamente por conta da família. Eu acho muito gostoso, né, estar com a família. Eu acho que isso é o primordial de qualquer coisa. E muita gente às vezes não dá valor, estando no Brasil, o que nós somos muito calorosos, né? E eu acho que ter a família é algo muito bonito, talvez algo que eu particularmente não sabia sobre o
11:41 Patrick. E é muito legal ver esse lado, né? Porque para muitos a maior conquista de migrar é ganhar dinheiro, é ter uma barbearia de sucesso, é ter um carrão do ano, mas para pra gente é ter nossa família do lado. Então isso é muito bacana. Acho que é o maior desafio do imigrante é ficar longe da família, né? Ainda mais quando tem muita gente que emigra também, que já é mais desgarrado da família, já acostuma a viver longe, já é acostumado a viver longe no Brasil, às vezes já é de outro estado, vem, não sente tanta falta ou consegue matar saudade estando lá um mês de férias por ano e tudo, mas minha família sempre foi muito unida, muito assim, a gente sempre tomou decisões, sempre juntos, então não tinha como eu ficar longe deles. Foi o único jeito que eu arrumei. ou era eu voltar ou era eles vim v vir para cá e graças a Deus eles vieram porque hoje também se sente muito feliz aqui, se sente mesmo em casa, sabe? Eles gosta demais de Portugal, já se adaptaram
12:43 também, já tão com a documentação todo em dia, tudo certinho. Minha irmã terminou a escola aqui e queria contar também um perrengue quando eles foram vir, porque assim, eh, eu tava aqui há 4 anos e eu comprei a passagem para eles, três passagens, e tava marcado pro para um dia 20 e uma semana antes teve o COVID. fechou os aeroportos, então eles não conseguiram não conseguiram vir nessa data. Ou seja, já tava ali tudo programado para eles vir. Eu já tava contando que eles iam chegar e não aconteceu. Ficaram lá mais um ano por causa do COVID e eu tive que ficar aqui tipo sozinho no COVID e tudo e eles não conseguiram vir na data certa. Mas aí também aí depois de um tempo a gente vai entendendo os planos de Deus e tudo. O uma reserva que eu tinha guardado para receber eles aqui assim para colocar eles numa casa e tudo. Eu consegui abrir minha primeira
13:44 loja, a minha barbe minha primeira barbearia do Monte Chouro. E aí a gente vai entendendo, pô, se eles tivesse vindo, às vezes tinha tomado um outro caminho. E quando eu recebi eles da depois de um ano, eu já consegui receber eles com estrutura totalmente diferente, muito mais elaborado, consegui arrumar a casa para eles muito melhor, dar um um tempo para eles também chegar e já não precisar trabalhar logo. Apesar que meu pai já chegou e já foi trabalhando logo também não consegue ficar parado. Mas tipo assim, mais por opção dele mesmo, porque já tinha essa estrutura. E pronto, o COVID foi muito complicado, muito complicado mesmo, porque eh você já imigrante já é difícil, já todas as dificuldades da imigração, se ainda passar um COVID, uma situação totalmente atípica, que às vezes o pessoal do Brasil não sabe, mas aqui a gente realmente teve que ficar em casa, a gente teve que cumprir o lockdown.
14:46 Então, acho que foi muito complicada essa fase, porque as rendas continuou ali tendo que ser paga. Depois, depois que reabriu, fechou a primeira vez, aí quando reabriu, eu abri a barbearia, depois fechou de novo, eu já tava com a loja, então já tava pagando mais um aluguel além do da casa. Então foi muito complicado vencer isso aí, mas são percursos aí da vida que não tem como correr. Acho que todo mundo sofreu um pouquinho, né, com com a pandemia.
— É, todo mundo sofreu, né? Mas é muito importante também quando a gente olha para trás e entende o propósito, né? Porque como você mesmo mencionou, às vezes se se eles tivessem vindo na data que vocês escolheram, tinham comprado passagem, tinham se planejado, com certeza estava todo mundo ansioso pro reencontro. Talvez hoje a gente não estaria aqui batendo esse bate-papo, né? Então acho que as coisas eh eu sou cristão, então eh não tem como eu não levar pro lado
15:47 espiritual, né? E eu sempre vejo. Então, um versículo que fala que tudo coopera para o bem daqueles que amam e crem a Deus. Então isso é muito legal porque é como você mesmo disse, as coisas só aconteceram como aconteceu hoje, justamente porque não aconteceu aquilo que você tinha planejado, que você esperava, né? E apesar de você ser muito novo, né, quando você veio para cá, como que foi colocar 21 anos dentro de uma mala e vim para Portugal? Bom, igual eu tava te falando, assim, custa sempre você sair com uma mochila nas costas e ir para um lugar que eu não tenho nem vergonha de dizer, porque eu não sabia nem onde ficava Portugal no mapa, sinceramente. Eh, um lugar que há pouco menos de 10 anos atrás eu não sabia onde ficava. hoje se tornou a minha casa. compcado você largar todos os seus amigos, você largar a sua família, você largar tudo aquilo que você viveu até
16:48 ali. Eh, a questão da minha barbearia também, da minha profissão, que é um lugar que eu culto, tinha muita, muita vontade de crescer ali, largar o seu barro e tudo e vir para um lugar totalmente desconhecido. É muito complicado. Mas eu acho que a idade também é igual eu tava te falando, ela ajudou por causa dessa inconsequência mesmo de de querer fazer acontecer e de certa forma saber que a gente tem tempo para recomeçar. Eh, eu acho que é muito mais difícil pro meu pai e pra minha mãe que chegou aqui, minha mãe chegou aqui com 50 anos e ter que recomeçar. Então eu dou muito mais valor pra coragem deles de me acompanhar, apesar deles confiarem muito em mim, então não era nenhum estranho que tava chamando eles. Mas eu não acho que eu fiz assim muita loucura por causa disso, pela idade que eu tinha, eu acho
17:50 que que eu fiz certo em arriscar. Foi isso que minha mãe falou também, com coração muito apertado de tá deixando o filho ir embora assim para longe, mas eh tentar algo novo e acho que a idade me permitiu recomeçar do zero. Hoje, se eu fosse emigrar de novo, eu acho que já ia colocar mais coisas em pauta e não seria organizado em três meses. Acho que hoje em dia já levaria mais tempo para organizar uma uma viagem aí para emigrar de novo, até porque eu tenho vontade de de conhecer outros lugares, mas na época foi bem tranquila essa parte aí de sair de lá e tudo, porque quando você tá com aquela euforia de querer emigrar, de conhecer outro lugar, você nem pensa no que você tá deixando para trás. começa a doer o que você deixou para trás quando você já tá aqui, quando você passa um Natal sozinho, quando você quando você quer sair, não
18:51 tem ninguém para para você levar. É isso aí que que custa no aniversário, quando você vai fazer um aniversário, às vezes você olha ali, tá pessoas que você conheceu há uma semana, há um mês do seu lado, que é bom. Eu sou muito fácil de fazer amizade também, então eu fiz bastante amizade aqui também. Mas você começa a perguntar o que que tá fazendo sentido, passar seus aniversários ali, passar uma virada de ano. Natal é a época que eu acho que o imigrante mais sofre. Então hoje cada Natal, cada aniversário que eu consigo passar junto da minha família, eu considero uma coisa impecável. E tipo assim, isso aí para mim é óbvio que vai chegar um dia que eu quer passar um aniversário viajando sem eles e tudo, mas mano, para mim é essencial eh tá todo mundo junto, porque a família ali sempre juntinha,
— não? É, é uma coisa que você pegou ali dando um gancho, né, no que você falou,
19:52 porque na minha história foi ao contrário, foi meu pai com cerca de 60, 65 anos, não lembro exatamente, se não me falar a memória, 105 anos, que colocou na cabeça que queria emigrar para Portugal. Então, imagina meu pai que é empreendedor nato, né? Todas as lembranças que eu tenho do meu pai, dele, sendo empreendedor, com 65 anos de idade, pegou e falou assim: “Olha, eu vou ir para Portugal, depois vocês vão, vou preparar tudo e vocês vão”. E eu nunca tinha pensado e analisado essa maneira que você trouxe. Então, realmente é muito mais difícil para ele que ele deixou esposa, deixou três filhos. Claro que eram três filhos grandes, eu sou caçula e eu tinha na época eu tinha 20 anos, 21, 22 anos, alguma coisa assim. Então, só que mesmo assim ele deixou, morávamos todos juntos e teve a coragem. Hoje eu falo que meu pai é o cara mais corajoso que eu
20:54 conheço, porque eu acho que poucos fariam isso, né?
— E olhando dessa visão que você trouxe, cara, é muito real. É muito real mesmo, porque eu vejo hoje a coragem que ele teve, que não foi pouca para deixar a esposa, deixar filhos, ir para um país sozinho, enfrentar toda essa barra que já é difícil pra gente que é novo, que, pô, pr a gente consegue substituir ali por um amigo muit das vezes, né? Mas imagine para uma pessoa que já tá
— deixar a família, os filhos. Exato.
— E tem aquele negócio também, eu com 21 anos, eu tinha 3, 4 anos de vida adulta, trabalhando e tudo. Eu tenho muito mais tempo trabalhando em Portugal, eh, sendo adulto do que lá, entendeu? aquela parte ali até os 16, 17 anos, você é só uma uma criança, você tá você tá estudando. Então, a a eu aprendi a viver a vida mesmo, a amadurecer tudo aqui e sozinho. Isso é muito complicado. Essa é a parte ruim de ter 21 anos pandemia.
— Foi a maior escola, né,
21:55 mano? foi a a que a que pegou mais pesado. Nem em casa eu tive uma criação bem rígida e tudo, mas a vida ela ela ensinou mesmo. Todo mundo falava: “A vida ensina”, a vida ensina e o imigrante a vida ensina. que às vezes quando você vem com uma certa idade também tem coisas que você já você já passou, tem aquela experiência e eu com 21 anos, cara, não tinha saído nem da casa da minha mãe. Então,
— foi enfrentar uma vida fora do país.
— Muito complicado. Tomei muita latada aí, mas graças a Deus foi aprendendo. E hoje em dia eu já tento não cometer os mesmos erros.
— Uhum.
— Eh, experiência, né? Tive
— sim
— muit experiências boas e ruins e que me tornou quem eu sou hoje e até hoje vou tendo novas experiências. Antes era uma experiência do fato de eh trabalhava para alguém numa barbearia. Tive toda essa experiência. Hoje eu eu tenho a minha loja, tenho pessoas que
22:58 trabalham para mim, então eu tento tratar eles de uma forma que eu gostaria de ser tratado. Eu tento gerir a minha empresa de uma forma que eu gostaria que tivessem feito quando eu tava. Eh, então isso me ajudou muito. Foi bom começar do zero, começar numa loja pequena, depois passar para uma loja maior trabalhando para outra pessoa, depois abrir a minha, todo o passo a passo, chegar com a mochila nas costas hoje, ter as coisas, conquistar e saber que que tá ali no meio do percurso e sem magoar ninguém, sempre tentando ser uma pessoa justa também com todo mundo que trabalha comigo, com a minha família. E mano, Deus só tem abençoado sempre, porque eh 10 anos de Portugal, não tem ninguém que pode falar mal de mim assim a nível de tá devendo aqui e fez isso aqui ou uma coisa errada ali. Não. Sempre tudo que eu conquistei, tudo que eu fiz foi
23:58 fruto do meu do meu suó e do meu trabalho.
— História aí, algum perrengue que você passou, alguma coisa engraçada aí que aconteceu nesses anos que você quer compartilhar com a gente? Pô, cara, tem bastante. Hoje é engraçado. Na época não foi na época não foi muito engraçado não. Mas tipo assim, eh, assim que eu que eu cheguei em Portugal, eu com uma semana arrumei um lugar para eu trabalhar. Um, um primo do desse amigo meu arrumou uma barbearia para eu ir. E acabou que eu entrei lá e com duas semanas eu fiquei sem o quarto que eu tinha alugado. Então eu tive que tava sem casa, então não tinha para onde ir. Aí eu conversei com o dono da barbearia e ele falou que eu podia ficar lá um tempo, tipo, olha, fica aqui até você arrumar um quarto para você não ficar na rua, né? E pronto, mano. Aí arrumou um colchão para mim, inflável, deixou lá e eu ficava lá na barbearia. O colchão
24:58 tava furado, eu acordava dentro do do colchão. A barbearia não tinha chuveiro. Então para tomar banho lá eu colocava a meia assim na pia, deixava ela encher. Aí jogava, tomava um banho, depois secava tudo e tal. E tipo assim, todo dia deitar e chorava, chorava, chorava. Aí falava, minha mãe me ligava, eu nem contava assim ao pé da letra pra minha mãe, porque senão eu acho que ela vinha aqui me buscava e levava embora de novo. Mas aí esse foi um perrengue assim muito muito que eu passei, mas acabou que eu encontrei também um através de um amigo, uma família que depois foi me acolheu, falou: “Olha, a gente tem um quarto lá, fica aqui até você conseguir arrumar um lugar para você ficar”. E acabou que eu fiquei lá 3 anos na casa dessa família. E realmente se tornaram a minha família. Acho que foi o esse eles foram o pontapé inicial. Foi logo com 4 meses que eu tava aqui, eu fui morar com eles. Foi o pontapé inicial para falar assim: “Não,
25:59 agora eu vou vencer, eu vou conseguir tudo”. Que eles que deram essa força aí para mim de falar assim: “Não, você tá acolhido aqui. E eu acho que a gente só consegue aqui quando tem alguém que que faz isso pra gente, porque sozinho mesmo é muito complicado,
— cara. Isso é muito é engraçado hoje, né? a gente olhar pro passado e ver tudo isso. Só que eu também já passei muitos perrengues e só que na altura, duvido muito que a gente consiga dar risada disso, né? A gente mais chorava do que ria, né?
— Só que hoje a gente as pessoas vem a gente, né? Conseguiu ali ter o negócio próprio, tá? Tá indo ao caminho, ao sucesso, né? cada um no seu sucesso, só que ninguém vê o tanto de coisa que a gente passou, o tanto de choro, né, que teve, porque as pessoas hoje, ainda mais com a internet, as pessoas só vê eh aquilo que a gente possa, né, aquilo que a gente publica, talvez o carro que a
26:59 gente anda, a moto, a roupa que a gente usa, mas ninguém vê todo o processo para chegar onde você chegou, né? Porque quem diria e e eu posso falar por mim mesmo, jamais diria que o Patrick tem uma história dessa. Só que aí contando assim, sentando e conversando um pouquinho com o Patrick, a gente vai descobrindo que não é que eu não fui o único que passei pro pereng muito parecido ao seu, né? Não, assim, ontem mesmo eu tava tava com a minha família junto e a gente tava eu tava falando justamente disso, falando hoje em dia as pessoas só me vê como dono da barbearia, das lojas lá de Albo Feira e não imagina que teve ali um uma início muito complicado,
— todo um processo, né? Às vezes até, não gosto de ficar comparando com todo mundo, mas às vezes até pior do que o início, bem pior do que a pessoa que tá me julgando, sabe? De Então, hoje as pessoas só vê a ponta do iceberg. O o início foi muito complicado. Eu também
28:00 cheguei aqui em Portugal com a mochila nas costas, literalmente, e começando do zero, sem nenhum euro. Começando do zero. Eh, comprei um primeiro carro de 300 € como muitos fazem aí. Andei muito tempo nele, estragava sempre. Eu tenho cliente hoje que eu fiz no reboque. O cara chegou para me buscar no reboque. Eu vi a barba dele. Eu falei: “Olha, vamos fazer essa barb”. Ai, tá difícil achar um barbeiro? Falei: “Ah, vai lá fazer um teste”. E é um cliente que eu já tenho há 8 anos. Então, tipo assim, ao longo do meu percurso era isso. Eu nunca mejei ganhar dinheiro de outra forma também, sempre na barbearia. Então, tudo que eu fiz ao redor de mim era sempre levando pr pra barbearia, sempre que eu conhecia. E é o famoso network, né? A gente vai conhecendo as pessoas e vai trazendo pro nosso pro nosso lado para tirar esse benefício de alguma forma. No meu caso, trazendo uma experiência pra pessoa e dando um
29:02 trabalho, uma mão de obra e ela me abençoando com dinheiro, que eu precisava muito e ainda preciso, todo mundo precisa de
— de grana, ainda mais aqui que as coisas é tudo muito complicado, né, mano? E é isso. Muita, quase todo mundo hoje olha e deseja ter o sucesso que o Patrick tem, deseja ter a barbearia, mas eu acho que quase nenhuma pessoa tá disposta a passar pelo que o Patrick passou. Essa é a verdade, acho que da maioria dos empresários, incluindo a minha, as pessoas vem, né, todo o sucesso assim, tudo que a gente conseguiu conquistar, mas ninguém acho que peitaria o que que a gente já peitou para chegar até aqui, né,
— que é muito difícil. Só que aí
— é assim, quando você vê o quando você vê o resultado hoje, se calhar se eu falasse com alguém assim, olha, você passaria por isso, você dormiria aqui nessa barbearia por um mês, tomaria banho assim para para est na minha posição hoje a pessoa: “Não, com certeza, por não faria e tal,
— porque sabe do resultado,
30:04 já sabe do resultado. Agora, tipo assim, fazer isso sem sem ter uma uma visão do futuro, sem saber assim, sem ser palpável onde você vai chegar é muito complicado. Eu sempre mentalizei o que eu queria, ainda faço faço isso e aconselho até o pessoal a fazer isso. Eu sempre visualizo o que eu quero, visualizo onde eu quero chegar, porque aí não tem como parar, não tem como você desistir no meio do caminho, porque se eu se eu já sei o que eu quero, já sei onde eu quero chegar, se eu parar no meio do caminho, só se a pessoa morrer, porque você vai fazer o que da sua vida? Se você tem o objetivo ali firme na sua cabeça, você tem que chegar nele. Não tem como ir para nenhum lado mais. Não tem como você fugir disso. Então, eu fiz sempre isso na minha vida, coloquei meu objetivo e sempre fui aí, ah, mora na barbearia, aluguei um quarto, fui despejado do quarto, mora dentro do
31:05 carro, o carro estragou, vai toma multa disso e faz aquilo e tudo, mas o objetivo tá lá. Isso daí vai indo, pumba. Flechada nas costas, mas a gente tá objetivo e ganhou esse objetivo. Bora partir pro próximo. E sempre assim, eu coloco sempre o objetivo maior lá na frente, que é sempre uma coisa grandiosa. Eu acho que é o onde eu vou falar assim: “Não, agora eu venci mesmo e vou colocando as etapas uma a uma. Todo ano eu tenho que ter pelo menos umas três, quatro etapas para eu vencer. Se eu não vencer essas três, quatro etapas, no outro ano vai ser oito etapas. Então é, convém eu fazer tudo eh certinho, cumprir todas as etapas e fazer de tudo para dar certo.
— E tem uma frase que eu acho que se encaixa perfeitamente nisso, né? Tem uma uma frase que fala: “Para quem não sabe qual que é o destino, qualquer caminho serve”. Então, acho que quando a gente sabe qual que é o destino, a gente não
32:07 vai pegar qualquer caminho, a gente vai pro caminho que a gente sabe que vai chegar no destino. E é justamente isso, né? Eu acho muito importante isso que você falou, porque a gente traça na onde a gente quer chegar, porque muit das vezes a gente não consegue definir como a gente vai chegar lá, né? Duvido que se eu falasse que o Patrick é de 21 anos, ele falaria que queria passar por todo esse perrengue,
— mas Patrícia sabia na onde ele queria chegar. Por isso que ele chegou onde ele chegou, né?
— E sei onde eu quero chegar e tenho total consciência que eu tô ainda no percurso. Aquelas pequenas metas estão sendo traçadas, algumas coisas também eu acho que vai se acrescentando. A gente é igual você tá falando aí, às vezes a gente nem sabe do nosso potencial. Então, às vezes você quer, vou falar no meu caso, às vezes você tem uma loja pequena, mas você tem potencial para ter uma grande e não sabe. Então a gente ao longo do percurso vai modificando isso, vai fazendo. E mano, é às vezes aquele
33:11 aquele objetivo final, ele é até pequeno perto do que de onde você vai chegar. Exatamente. E agora eu queria falar também um pouquinho sobre a parte de legalização, né? Quando você chegou aqui há quase 10 anos atrás, era completamente diferente do estado atual. Então queria também entender como que foi ali o os documentos, né, essa parte quando você chegou, como que foi, se foi fácil, foi complicado, você teve ajuda, foi simples, foi esse caminho maravilhoso que muitas pessoas nos convidam para vir para Portugal. falando que é um mar de rosas, que você vai ter residência dois dias e você vai ter vai financiar um carro no outro. Conta como que é esse percurso aí também que eu acho muito interessante hisó, minha história com a documentação também vai desmotivar o pessoal a vir. Mas é assim, foi um pouco de desleixo da minha parte também. Poderia ter acelerado mais, mas eu fui trabalhar
34:13 logo quando eu cheguei e sem contrato, então não tinha todos os passos certos para conseguir dar entrada no documento. Até que eu que eu abri um recibo verde e consegui ter os documentos necessários para poder dar entrada na residência. Porém, com recibo verde parece que é um pouco mais complicado de de legalizar. E dei entrada e, mano, foi 4 anos esperando.
— 4 anos. Por quê?
— Anos
— no primeiro ano que eu cheguei eu consegui dar entrada, mas eh não conseguia passar os recibos, não tava legalizado no local que eu trabalhava, não conseguiam me legalizar. E eu naquela de trabalhar e tudo e queria só fazer grana também, poderia ter ido para outro lugar e corrida atrás do documento, não fiz. E no segundo ano já consegui deixar tudo regularizado, entrei na fila de espera e acho que quando tava perto de sair veio o COVID, né?
35:17 E aí atrasou só mais um pouquinho.
— Aí atrasou mais dois aninhos. Aí foi complicado, mas depois depois olha de 4 anos já aí consegui tirar a residência, aí já tava com trabalho também, já tá tava trabalhando por conta própria. Então já sempre que foi que fui renovar consegui
— eh renovar de boa, mas eu tive ajuda de de advogados e tudo, pessoal assim para tirar um NIF e alguma coisa assim, o pessoal indicava e tudo. Tive muito problema com o pessoal que que me auxiliou nisso aí, mas agora é só esperar o BI, mano. Já dei entrada. Tem dois anos que eu dei entrada no BI. Espero que que saia aí agora e
— fique isento desse negócio de ter que renovar a residência e tudo que é bem chatinho.
— Inclusive, galera, a Seven nasceu justamente com esse propósito do que ele falou, né? Porque a gente via essa dificuldade que as pessoas têm para tirar o NIF, para tirar o NIS, para conseguir se regularizar em Portugal,
36:18 né? Existia muitos caminhos, muitas maneiras. E o que eu vi quando eu cheguei aqui em Portugal foi justamente essa burocracia. Tinha pessoas que eu vi assim uma ganância querendo que ficar rico em cima de um imigrante que acabou de chegar. Então, hoje a Seven, né, ela nasceu justamente com esse propósito, porque eu entendi, eh, fui atrás como bom brasileiro que não desiste. Eh, inclusive hoje de tanto eu bater e brigar lá nas finanças e hoje todo mundo me conhece, então já tenho lá eh muitas pessoas que somente de eu chegar elas já sabem, ah, é o Danilo. Então, assim, o tratamento, não falo que é um tratamento VIP, tá, pessoal? Mas eu já sinto um tratamento diferente porque elas já me conhecem. já sabem que eu faço tudo direitinho, que eu não sou uma pessoa que corro pelo caminho errado. Então, a a SV justamente aconteceu com esse propósito,
— cara. E se a pessoa tiver oportunidade e condições de de est contratando uma empresa, uma pessoa para auxiliar, tem
37:20 que pegar mesmo, porque é muito difícil, é muita burocracia, é muita coisa que você sozinho às vezes você vai levar meses para juntar tudo, para pegar fila. Eh, tem que chegar lá. A minha loja hoje é de frente pras finanças. Tem gente chega lá 5 horas da manhã, 9 horas da manhã já vai a gente tomar um café na loja e fala: “Não tem mais senha”. Então é assim, se puder contratar uma empresa para auxiliar nisso daí e depois também se a pessoa vem sozinha, aí é 100% certo. Arruma alguém para te ajudar, porque cada um fala uma coisa: “Ah, você tem que fazer isso primeiro, você tem que fazer aquilo, você tem que fazer aquilo”. E tanto que depois que eu passei esse perrengue dos 4 anos com a minha residência e tudo, cada hora um falava uma coisa, aí eu ia fazer: “Ah, você tem que fazer recibo verde, ah, você tem que fazer o início de atividade, você tem que fazer o NIF primeiro, você tem que Então você fica perdido.” Quando meus pais chegaram, eu já tinha feito todo esse processo, eu já sabia,
— aí eu já consegui conduzir eles pelas formas corretas, onde que tinha que ir, o que que tinha que fazer, não sei como
38:22 é que é agora, mas na época tinha que duas pessoas assinar também, já consegui as pessoas para fazer tudo para eles e eles com um ano já tava todo mundo com residência. É, e exatamente o problema que eu via quando abri o escritório justamente esse, porque as pessoas elas vinham com tanta informação que parecia que quando eu falava a verdade, a minha verdade era mentira, porque ela chegava com tanta informação que tem que fazer isso, aquilo, aquilo, dava uma manobra assim que eu falava: “Não, vamos, vamos fazer assim”. E sempre encaminhava ela pra maneira mais fácil, mais correta e adequada para ela, né? E e foi
— isso até assusta, né? falando, é só isso aí que tem.
— E muitas pessoas achavam até por quê? Porque muitos, infelizmente, muito, infelizmente, muitas pessoas acabavam aproveitando da fragilidade dessas pessoas, dessa situação, para querer ficar literalmente rico. Eu eu tenho uma empresa hoje de serviços, a gente literalmente lida com imigrante, faz exatamente esse tipo de serviço, mas não é o intuito ficar rico em cima de uma
39:23 pessoa. Eu acho que eu tenho que cobrar o valor honesto e também entender quem é meus clientes e cobrar o valor adequado,
— fazer um trabalho bem feito que a partir dessa pessoa vai vir outras pessoas. E cara, assim, eu posso falar que isso foi meu meu maior sucesso foi justamente esse, porque eu tenho pessoas que ainda são meus clientes, começaram comigo lá atrás, há cinco, quase 5 anos atrás, elas começaram comigo e continua ainda sendo meus clientes. Então, justamente porque eu sempre tive essa filosofia, é uns valores que eu carrego, né, justamente que fez a empresa crescer, é por ter esses valores que eu acho muito importante, eu acho que é você sim cobrar pelo seu trabalho, mas você também cobrar um valor justo, um valor honesto e também entregar aquilo que você vende, que eu acho mais importante, porque eh não sei se você já sabe, tem muitos casos, principalmente por al bufeira, de pessoas que cobram e não entregam. E eu fico indignado porque quando houve o fim da manifestação de interesse, o tanto de gente que chegou lá no meu escritório desesperado
40:25 e infelizmente no naquele momento não tinha nada para fazer. E as pessoas simplesmente por uma falha de uma pessoa, ou seja, ela pagou por um serviço, ficou esperando, confiando que tava tudo certo, que só era a pessoa finalizar e no final
— mudou a lei e acabou, acabou,
— mudou a lei. Então assim, cara, foi inúmeras pessoas eh prejudicada. Graças a Deus a gente tem uma advogada no no na nossa equipe. A gente conseguiu reverter muitos processos, né? Conseguiu ali legalizar as pessoas, mas não foi fácil, infelizmente não foi fácil. Tem o pessoal que chegou há pouco tempo, que já pegou a lei em rigor, já às vezes já veio, já sabendo que ia ser mais complicado mesmo.
— E também tem o caso do pessoal que já tava aí e não deu a devida atenção também pro
— pras mudanças, né, para
— pr mudanças e para correr atrás do documento. E acabou que agora fica tarde demais, né? E esses é os mais difíceis que tá pra gente encontrar uma solução.
41:25 A gente encontra que tem que analisar caso por caso, né? Não tem como falar assim de uma maneira geral, contemplar todos, mas a gente consegue, conseguiu reverter alguns, mas tem sido os casos mais difíceis são esses. Quem tá há muito tempo porque teve diversas oportunidades de se legalizar, infelizmente não correu atrás de nenhuma e agora fica fica correndo literalmente da polícia. Tá aparecendo lá no nos Estados Unidos o pessoal correndo do Ice, né? A situação tá quase assim aqui em Portugal.
— Tá complicado
— e o pessoal brinca muito com essa situação e julga muito porque assim, Portugal não tem o salário igual aos Estados Unidos, não é um lugar assim que o imigrante vem por causa condição financeira. Eu acredito que muitos imigrantes vieram para cá por causa da facilidade para conseguir o documento.
— Exatamente.
— Então agora que já não tá com tanta facilidade, o pessoal acaba que, pô, se for para eu ficar ilegal aqui, eu fico ilegal num lugar que eu vou ganhar mais
42:26 e pronto, tentar a sorte e até o dia que der errado, né?
— Até o dia que der ruim, né? Pois eu já sou tipo assim, se eu não tivesse conseguido documento aqui e tudo, acho que eu tinha voltado também, porque eh não consigo viver assim errado não. Eu vejo pessoas nessa situação que vivem normal assim até onde até onde eu vejo vivem normal, parece que despreocupadas e sendo que eu todo legal, toda a minha família, eu tenho dois filhos portugueses e ainda assim eu fico, parece que eu fico com com a dor daquela pessoa que eu falo: “Meu Deus, acorda pra vida, entende a real situação que
— entende o que que tá acontecendo?” É porque a pessoa vai ficar aqui trocando o dia pela noite, pô. Exato.
— Não vai conseguir fazer nada da vida, vai ficar aí só
— hora que tiver aí alguma alguma fiscalização mais pesada.
— Tem quantos que eu conheço que tem carta de expulsão que rasga aquilo, põe no lixo e vida que segue normal.
— É que infelizmente eu eu tenho um ditado
43:27 que eu costumo falar no escritório. Eh, aqui em Portugal eles são devagar, mas a conta chega e quando chega, meu amigo,
— ela chega pesadíssima. Pesad. Aqui não passa nada batido.
— Parece que passou batido porque demorou. Aí você até esquece, mas eles não esquecem.
— A conta sempre chega até as da portazinha lá de 30 cêntimos que você passa
— que você paga para 100€ depois
— ela chega.
— Já chegou umas quantas dessa para mim. A gente passa, esquece, não paga, depois você vai lá olhar, tá tudo?
— Não adianta falar: “Eu esqueci, eu não sabia”. Eles vão olhar para você e falar: “Olha, seu dever saber
— e agora paga coima, paga os juros”. E
— aqui é complicado. Aqui as coisas tem que ser tudo bem bem certinha, porque a gente que tem negócio. Então,
— exatamente,
— o meu negócio também é escancarado no meio da cidade, não tem como ter nada errado, tem que tá tudo certinho.
— Se tiver uma vírgula fora do lugar
— e é uma burocracia tremenda, tremenda, tremenda, tremenda. O bom é que eles
44:28 também fazem isso com todo mundo, então todo mundo busca caminhar da forma correta. Quem não tá, pronto, uma hora vai chegar a conta. É o que a gente tá falando, né?
— Vai chegar. Exatamente. Agora a gente vai para um lado que eu gosto muito, o lado empresarial. Quero falar, vamos falar agora um pouco mais sobre o lado empreendedor, empreendedorismo aqui em Portugal e tudo mais. E eu quero começar com uma pergunta bem polêmica.
— Vixe, vamos embora. Ó o faturamento do Patrick. Não, brincadeira.
— Vamos, vamos, vamos, vamos, vamos, vamos.
— Não, se o Patrick quiser falar, fica à vontade. Mas é uma brincadeira aqui. É, eu quero saber ali quando você,
— porque hoje chega uma hora que o faturamento é assim, é, já é tudo junto com as empresas e tal, cada uma tem uma, mas o que sobra para mim hoje aí é uns 350 € para passar o mês.
— E olhe lá, né, quando sobra. E olhe lá,
— eu falo, eu vi até o meme que eu que eu dei muita risada, n a vida de empresa
45:29 você abre a conta e fala: “Tô rico”.
— Aí passou no outro dia, você tá pobre, no outro dia você tá devendo, tá devendo, tá salto negativo, viu?
— Chega dia 20, o cara tá com a conta cheia, aí já chega no dia primeiro, acabou tudo, fala: “Meu Deus do céu, mano”. Parece que as conta conta certinha ali, o que você tem e vai tudo certinho para cá e fica sem nada. Exatamente. Mas vamos lá. Como quando você decidiu abrir a barbearia? Qual o momento que foi? Conta um pouquinho dessa dessa parte aí da do início da sua barbearia.
— Sim. Eh, eu já tinha a loja no Brasil, como eu tinha dito antes, então, eh, eu já tinha esse intuito de abrir uma loja aqui. Só que pelo fato de eu tá muito preso na loja lá no Brasil, eu já sabia o que uma loja demandava de mim. Então eu vim para cá tentando fugir um pouco disso e seguir um outro caminho. Só que eu acho que já tá na veia de ser empreendedor e tudo também. Eh, acho que já era o destino mesmo e
46:30 consegui encontrar uma uma loja de um tamanho que eu queria. Eh, o valor também bom. O único empecí era que era pandemia. Eh, mas assim, igual eu tava falando, minha mãe não conseguiu vir aquela época da pandemia. Eu tinha um dinheiro lá. Então, mano, o primeiro passo foi dado. Aluguei a loja. Eh, a loja era de quatro portugueses e eu cheguei lá com bonezinho e tal e falei: “Olha, vou alugar a loja. que era lugar loja e tudo. Eles me passaram os valores. Eh, tem até um uma notícia também, não sei se o pessoal sabe, não sei se eu já te contei isso, mas essa primeira loja minha eu comprei ela.
— Olha, parabéns.
— Ela ela ela é minha mesmo, é uma sede própria.
— Então, tipo assim, depois de se anos eu tando lá, eu consegui comprar a loja e o pessoal que me alugou essa loja ficou muito feliz. E eles falaram comigo, ah, quando você veio aqui, eu senti uma coisa diferente, tinha outras pessoas interessadas e é assim, você e conversar
47:31 com portugueses para alugar uma loja, um menino novo e tudo para passar uma credibilidade é difícil. Então, por isso que eu falo, a gente tem que ser uma pessoa boa, tem que carregar uma aura boa, que é para também transmitir isso além do das palavras, porque falar todo mundo fala. Exato.
— Mas eu tenho muita sensibilidade disso com pessoas e tudo, de saber assim a a o intuito da pessoa comigo antes de dela abrir a boca. Eu tenho muito disso. Às vezes eu tô errado, quase sempre. Não tô brincando. Às vezes eu tô errado. A gente erra também. A gente tem um preconceito, mas normalmente é batata
— sempre. Então eu sempre carrego isso comigo, essa verdade interior para quando eu falar passar a credibilidade, não só na palavra, mas na postura. E
— é o que a gente tem de maior valor nessa vida, é nossa palavra, honrar,
— né? Acho que é antigamente era precisado muito isso, né? Você honrar e um aperto de mão já era mais suficiente que um contrato, qualquer coisa, né? Hoje se
48:32 perdeu muito disso, mas eu ainda eu também sou assim, eu acho que um aperto de mão e a palavra ela tem e ela tem um peso muito grande, né? Eu tenho 29 anos, não sou assim tão velho, mas eh meu pai sempre me ensinou isso. Eu fui criado dessa forma que palavra não volta atrás. E hoje em dia tudo que eu falo que eu falo, eu tento cumprir.
— Pode ser que eu não consiga, eu vou lá, vou vou vou fazer uma data nova, alguma coisa. Mas eu tenho que dar uma satisfação, mas normalmente o que eu falo vai ser vai ser feito. Tanto que eu não saio prometendo também tudo. É tudo dentro dos meus limites, dentro da minha minhas contas são de acordo com o que eu sei que eu consigo fazer, porque eu gosto de andar com as minhas coisas bem certinha mesmo.
— Exato. E a parte do investimento, você falou que tinha uma reserva, né, que tava esperando sua família. Foi o suficiente para você iniciar sua loja? Teve que recorrer ao investimento? algum investidor ou algum financiamento ou com
49:33 isso você conseguiu dar o start, daí o resto é toda a história de sucesso.
— Cara, eu vou ser bem breve na primeira, mas o da segunda eu vou explicar melhor. Da da segunda loja. Na primeira eu tinha muito pouco dinheiro, era mesmo aquela reserva que eu tinha para receber meus pais. Eles não conseguiram vir por causa do COVID e eu resolvi investir na loja. O aluguel era por volta de 1.000 € e o investimento também não foi muito. A loja já tava toda remodelada, já tinha, era mesmo só colocar cadeira, espelho e começar. Eh, eu já trabalhava na cidade, então já tinha bastante cliente e foi o que eu fiz. Eu comprei duas cadeiras que eu levei um amigo meu que trabalhava comigo para trabalhar lá comigo também. Então foi duas cadeiras, dois espelhos, um sofazinho e comecei naquele espaço mesmo. E ao longo do tempo eu fui remodelando e tudo. No segundo investimento já foi o investimento mais ousado e mais complicado, porque aí eu já peguei uma loja que é muito grande,
50:35 elas são 180 m², eh já não tinha piso, não tinha iluminação, não tinha nada. Tudo que tem lá hoje, qualquer tomada, qualquer parafuso, candeiro, tudo foi eu que coloquei. Então não dá para você começar uma loja sem essa estrutura. Então eu peguei ela do zero, eu que pus o piso, eu que pus a iluminação, eu também tinha um sonho de ter um bar dentro de uma barbearia e fiz esse bar, então tive que fazer de esgoto para lavatório, pra pia. Então, do zero, do zero, do zero, foi um dois meses assim terríveis que foi consagrado no final de uma forma legal, mas foi muito complicado isso daí. Foi assim e era uma reserva de dinheiro que eu tinha guardado. Eh, no total ficou aí por volta de 50.000€ para abrir essa loja. Quando eu comecei desses dois meses, eu não tinha nem 30 na conta. Eu não consigo te explicar como que isso aconteceu, mas eu fui
51:36 consegui, tipo, tive que pagar calção lá, a renda lá é muito mais cara e tudo, mas, mano, nesses dois meses eu fui trabalhando e trabalhando na obra, ajudando na obra, trabalhando na outra barbearia, até tarde e tudo e correndo atrás. E mano, graças a Deus, eu não vou conseguir passar aqui a sensação que foi esses dois meses, porque realmente foi, mano, torturante assim você saber que tem que que fazer dia, eu abri dia 1 de abril, é o dia da mentira, não é? Foi no dia da mentira.
— Eu abri dia 1 de abril, então já tinha essa data para abrir.
— De que ano?
— De 2023.
— 2023.
— Isso. Esse ano fez 3 anos. E cara, foi o investimento da minha vida, foi a aposta da minha vida. Acho que se eu não tivesse uma experiência na cidade, não tivesse os clientes e tudo, abrir assim do zero, começar ali, ia ser muito complicado pelo fato de eu não ter
52:36 condições de me manter ali por muito tempo se a loja não trabalhar. Então, foi trabalhando para isso. Agora já tem 3 anos que eu tô ali, já aprendi isso a criar uma reserva agora e tal. As coisas vem dando certo também, graças a Deus. Tá, tá correndo tudo bem nessa segunda.
— Muito bom. E se a gente voltasse lá no no dia da inauguração da sua primeira loja aqui em Portugal, como que foi? Você já tinha cliente? Já tinha alguma cartela? Eh, teve movimento, teve corte já no primeiro dia? Como que foi essa sensação de abrir também uma loja fora do seu país, né,
— cara? Na minha primeira loja, que tinha lá uma cadeira e um espelho, eu inaugurei e o intuito era fazer um um café e tudo, chamar os amigos e graças a Deus eu não consegui tomar nenhum cafezinho porque como era pandemia, tava na pandemia e eu abri, o pessoal quando soube que eu abri já, tipo, já tava podendo abrir do lockdown, então já foi todo mundo para cortar cabelo. Assim que
53:39 eu abri a porta já começou corte, corte, corte, corte, corte. Graças a Deus, mano. Muito, foi muito massa isso aí. O pessoal também eh abraçou a ideia e o rapaz que foi trabalhar comigo lá, meu primeiro barbeiro que trabalhou comigo lá, é o que tá lá até hoje. Ele que fica como gerente, que toma conta da primeira loja. Então, é um parceiro meu que eu tenho aí desde sempre. E depois disso todos os outros que passou, uns saíram, outros ficaram e tudo, mas ele que foi o primeiro que eu comecei é o que tá lá até hoje, é o mais antigo. Mas, mano, desde o primeiro dia sempre teve muito movimento. Na segunda também, eh, como é uma loja muito maior e tudo, a gente espera um movimento maior. Então, às vezes não supre a necessidade que a gente espera, mas tá sempre com movimento, tá sempre com cliente também. Eh, essa segunda loja minha, essa segunda loja grande foi a loja que eu
54:41 que eu tentei buscar trazer mais entretenimento pros clientes, trazer uma experiência legal mesmo. Tem lá nuca, eh, videogame, pessoa pode ver um jogo, pode tomar uma cerveja, pode tomar um açaí. Então tem uma eslanada também para ela ficar lá se quiser pegar um solzinho e tudo. Então tudo que tem ali de para de bom para oferecer num lugar que a barbearia pode proporcionar, eu tentei colocar lá. Além pronto, do serviço de qualidade, eh, que eu acho que é o essencial, e o tratamento com os clientes, que eu acho que é o maior diferencial da minha empresa, é esse, é o tratamento com as pessoas. Eu costumo dizer que às vezes ela não pode ter ali o melhor corte de cabelo da vida dela. Cada profissional tem o seu tem o seu trabalho, mas a melhor experiência pode ter certeza que vai ter, porque eu sou assim, não é puxando saco de cliente, não é querendo aparecer, querendo isso, aquilo, é porque eu sou assim mesmo, eu gosto de
55:41 tratar as pessoas bem e também gosto de ser tratado bem, né?
— Uma pessoa que se sente confortável, ela sempre volta, né?
— Com certeza.
— É isso aí. E o lado burocrático, né? Porque sabemos, eu sei um pouquinho sobre isso, Portugal é bem burocrático. No lado dos negócios, como é esse lado burocrático para você? Os desafios aí que você teve nesse tempo aí? Cara, eh, a minha primeira loja eu abri mais assim na naquela emoção mesmo e fui correndo atrás de acordo com que a loja já tava trabalhando e depois fui ver que era muita coisa que tinha que acertar para poder andar de uma forma correta. Agora, a segunda loja que eu já sabia de todas as burocracias e também por ser uma loja que tá num lugar muito mais exposto e para uma inspeção, para uma averiguação e tudo, já tive que fazer tudo corretamente. Então foi bem complicado. Esse aí eu vou dar os médicos todos pra minha mãe que trata disso aí para mim, que corre atrás, que
56:43 que procura saber o que que precisa, porque às vezes a gente não tem informação do que precisa. a gente vai ficar sabendo do que precisa só quando vai lá alguém fiscalizar. Então a gente às vezes anda um pouco passa atrás do do da das coisas, mas graças a Deus agora já demorou uns 3 anos para para colocar assim as coisas tudo redondinho, porque é muita coisa mesmo. Para quem quer trabalhar certo, é muita coisa, é muita despesa e tudo, mas acredito que quando vem a as coisas boas também vem vem dobrado igual o trabalho. Quanto tempo você demorou para ter o seu primeiro ordenado, né, o equivalente ao ordenado mínimo? E como que foi essa experiência que você falou: “Pô, vale a pena eu investir toda a minha energia, concentrar todas as minhas forças financeiras e nesse lugar aqui para poder fazer dar certo e obviamente fazer muito mais dinheiro?” Sim, logo no primeiro mês que eu abri a primeira loja e eu eu trabalhava já,
57:44 igual tava falando, um pouco mais desorganizado, então eu tirava o das contas e deixava ali o que sobrava, só que como eu abri a loja faltando muita coisa, então tudo que tava entrando eu tava reinvestindo na loja. Depois aí deuns 5 se meses que eu fui ver sobrar um dinheiro mesmo, que eu falo, esse aqui eu posso pôr de parte que que é para eu para eu usar para outras coisas e tudo. A loja já tá aqui mais ambientada, já tem uma cadeira melhor e tudo, mais ou menos uns se meses para tirar esse dinheiro assim de parte, um um ordenado de, digamos assim. E assim, a gente já sabe, para quem não conhece o Patrick, né, hoje eu sou cliente dele, a gente já sabe que ele manda bem, é pessoas novas, pessoas velhas que tem ele ali como barbeiro, tem como referência, né? Muito bom. Inclusive eu acho que você tem ali outros caminhos para seguir, viu? Eh, só um spoiler, depois a gente pode comentar um pouquinho ali no off, mas eu acho que tem ali alguns caminhos, algumas coisas
58:46 você pode seguir que dá, porque o dom você tem, né? Obviamente o Don é um excelente barbeiro falando não, não é puxando sardinha pro seu lado, mas realmente eu acho que é um bom barbeiro. É por isso hoje é o meu barbeiro, não é só por conveniência que está do meu lado, né? Isso ajuda muito minha agenda. Mas não é somente por isso, é um ótimo barbeiro. E como que é ser o patrão, né, como é ser o dono de um negócio num país estrangeiro, né? Como você falou, você tem mais tempo basicamente de trabalho em Portugal, no Brasil, né? Só com certeza você tem vivência ali no Brasil. Como que é ser um patrão, né, num país estrangeiro?
— Pô, Danil, é assim, eu eu igual tava te falando, eu já me sinto em casa aqui, então até o meu conteúdo hoje é muito voltado à imigração no Instagram e tudo, mas eu já me sinto em casa e tudo. Então o ser patrão no no país estrangeiro, eu não sinto tanto esse peso, sabe? Porque eu já aprendi a conviver aqui, já aprendi os caminhos
59:47 daqui que aqui a gente tem que seguir. Então, mas em ser patrão, assim, eu tento, eu tento ser uma pessoa boa, eu tento passar um exemplo legal. Eh, quando entra uma pessoa nova na equipe, eu tento passar um pouco da minha das minhas vivências aqui também paraa pessoa também ver que as coisas não caiu do céu. E é igual eu tava te falando antes, eu tento fazer as coisas de forma que de forma que eu fizesse para eles do jeito que que eu gostaria que
— queria receber
— e vem dando muito certo assim. Às vezes eu faço até mais do que do que eu deveria, assim, eu extrapolo um pouco, mas até um certo tipo de liberdade, porque eu sou assim, eu não consigo ser muito rígido dessa forma. Então, acaba que o menino que cuida da minha outra loja, eu dou total liberdade para
1:00:47 ele, para ele chamar atenção, para ele cuidar da loja. E na minha outra loja, a minha mãe é a gerente, ela também tem total liberdade para para cuidar, para gerir, porque essa parte mais chata de ter que falar com as pessoas alguma coisa que tá acontecendo errado e tudo, eu deixo para elas, para eles, porque eu não tenho muito essa postura. Mas normalmente até as pessoas que que saem lá da loja e tudo costuma falar bem de mim e tudo, porque eu não sou aquele cara chato não. Desde que as coisas estejam sendo feitas da forma que tem que ser feito, a gente não vai ter estresse não. Eu trabalho também na loja do lado do dos colaboradores, então não tem porque eu querer ser mais ou falar mais alto e tudo. É tudo com muito respeito e eles vão ver aqui, sabe que eu não tô mentindo, que são, é, sabe que eu sou um cara tranquilo, tento trabalhar ali de igual para igual, mas
1:01:49 os meninos que trabalham comigo também já entende, sabe que tem essa hierarquia e tudo, mas eu tento levar isso bem de boa.
— Eu ten que ter o respeito ali, mas é bom. O cousão falar, é muito melhor ser respeitado do que temido, né? Exatamente.
— Então isso é isso é muito importante que eu vejo hoje pessoas que conquistou qualquer coisa, mas ainda nem conquistaram e já querem ser uma outra pessoa, querem ser terido. As pessoas só quer ganhar em cima dos outros, quer quer fazer as coisas tentando ter aquele benefício próprio e tudo, mas eh eu já tento fazer um ganha ganha, ele ganha, eu ganho e dá todo mundo certo. Às vezes eu poderia estar ganhando mais, mas em vez desse rapaz, igual tem um que tá comigo há 7 anos, poderia estar a dois e ter ido embora. Ganhava muito em dois anos, mas esses outros 4 anos já não tava ganhando. Então tá todo mundo ganhando, tá todo mundo feliz e as relações se estendem mais e mais duradora. E eu acho que o caminho para
1:02:50 uma empresa saudável é é esse.
— Exatamente. E até hoje qual foi o momento mais desafiador que você encontrou como empresário? Cara, poderia falar o COVID, mas para não ser tão repetitivo, ah, acho que todo dia, depois que você tem uma empresa, todo dia que você acorda é um desafio novo, cara. Todo dia que você levanta da cama tem 1 milhão de problema para resolver, mas eu acho que o o mais desafiador é você manter os clientes felizes com o trabalho e manter uma equipe também focada, sabe?
— Focada, motivada, né?
— É, motivada. Isso aí eu acho que é o mais difícil, porque acaba que aquilo cai numa rotina e você conseguir colocar na cabeça da pessoa que todos os dias ela tem que tá ali, todos os dias ela tem que fazer a mesma coisa, todos os dias ela tem que limpar uma coisa, todos os dias ela tem que trabalhar daquela
1:03:51 forma, é o mais desafiador. Então eu tento trabalhar muito isso com o pessoal que trabalha comigo e passar um pouco dessa minha experiência. Cada um segue a vida de uma forma, mas eu tento passar isso que eu tava falando com você da pessoa ter um objetivo e tudo para ela fazer aquilo pelo menos com mais ânimo e sabendo onde quer chegar, não ficar trocando o dia pela noite. Já teve gente que chegou na loja para trabalhar, que não tem ali um objetivo firme, é só aquilo, fazer o dinheiro, ganhar o dinheiro, que às vezes passa um dia que corta dois cabelos e desespera. E e lá na loja quem era para desesperar primeiro quando não tem cliente sou eu, que eu que tenho os gastos e tudo, eu que que tenho mais medo de de daquilo dar errado e a pessoa tá desesperando. Então sempre passo isso, olha, vamos ter calma, tudo ismor investimento, né? Pois, mas dias ruins acontece e é igual tá te falando, eu tenho tanta confiança no que que eu tô fazendo é certo, que eu
1:04:53 tô num caminho certo, que eu faço bem feito, que esses dias ruins é só um dia ruim que eu sei que vai passar e depois as coisas vai melhorar.
— Assim como o sol é para todos, os dias nublados também são, né?
— Então não adianta a gente querer fugir. Só que é nos dias nublados que muita das vezes a gente descobre quem é quem, né? Porque a pessoa que se desespera porque um dia cortou dois cabelos e o hábito, sei lá, é cortar cinco, 10,
— é uma pessoa que talvez não tenha uma maturidade para ter um negócio, porque é como a gente falou aqui,
— pô, que é mais desafio do que ter um negócio no Algave, pô, aqui você tem 4, 5 meses que é verão que é bom e depois o restante do ano que é fraco, que é só clientes que é daqui. Então, se você não criar uma resiliência, não ter uma mentalidade de, falo que é uma mentalidade de formiguinha, porque você tem que acionar, você tem que saber dividir ali sua suas dívidas, suas contas, o que você tem para fazer durante o ano, porque o que tá sendo
1:05:55 agora em agosto não vai ser em janeiro. Então, eu tento passar isso para eles também. Tem uns que já vive aqui, já sabe mais ou menos como é que é, mas tem outros que chegou há pouco tempo. Então eu passo essa experiência para eles e falo: “Ó, agora a gente tá bem, tá ganhando bem, tá tá saindo mais cortes, a gente tá trabalhando legal, mas vai chegar janeiro e fevereiro e vai ser ruim. Então, coloca um pouco de parte, faz isso e aquilo, porque
— aí em janeiro abaixa, quem não se programou aí desespera. Aí às vezes acha que o mal é a loja e vai para outro lugar e vê que não é. Então, tipo assim, eu é o que eu tava falando, eu não me desespero em janeiro e fevereiro porque eu já sei o que tá, que que tá por vir e fico tranquilo porque eu me programei para isso. Deixo para fazer o meu curso, eu também dou curso de barbeiro, faço o curso no inverno que acaba que super aquele tempo livre que eu tô, não fico à toa. Então tem organizar sim, não dou o curso no
1:06:55 verão porque tem mais clientes e acaba que tem menos tempo para poder dar o curso. Então aquele momento que tá mais fraco, eu coloquei o curso para fazer e assim eu consigo ir gerindir no meu ano pro negócio est aberto o ano todo mesmo a cidade sendo sazional.
— Bacana. A gente encaminhando aqui ao final, né, desse episódio. Hoje quantas pessoas trabalham com você? Hoje nós estamos em sete.
— Sete. Qual a maior mentira que você já ouviu que falaram sobre Portugal?
— Ah, falar que Portugal não presta. Falar que Portugal não presta para ganhar dinheiro.
— É verdade. Essa daí é é muito boa. O que você falaria para alguém que chegou agora no Algarve e quer abrir um negócio? eh tentar abrir um negócio num segmento que ele domina a área e ter resiliência, trabalhar, trabalhar bem e focar,
1:07:56 entender que tem dias ruins, mas trabalhar firme que as coisas acontecem.
— E hoje como que é a barbearia e tem agenda disponível? Inclusive eu preciso Não. Sim, eu tenho tenho o Instagram da barbearia de da barbearia do Montechoro e tem o da barbearia do MFA. Tem lá um link de agendamento, a pessoa pode clicar no link ou senão pode estar entrando no Google também colocando Patrick Barbershop MFA ou senão Patrick Barbershop que é do Monte Chouro. E tem lá os links também para fazer marcação, o número de contato. E é só marcar que vai, independente se for comigo ou com algum colega, o talento é o mesmo.
— E o que você falaria pro Patrick de 2018? fala calma que sua família tá chegando logo logo e segura firme aí que que vai dar certo.
— Vai chegar lá, né?
1:08:57 Vai chegar lá. Tá valendo a pena. Eu sempre, igual eu abri o canal no YouTube também, deve ter aí uns 4ro meses e eu sempre já comecei falando isso. Olha, não é sobre onde eu tô, nem do jeito que eu tô, é sobre o percurso e a vida é isso, é um percurso, mano. Pô, eu tenho 29 anos. Falar que eu que eu sou um cara bem-sucedido hoje, que eu tô onde eu queria est, eu vou est mentindo, entendeu? Então, eu acho que eu tô num caminho bom, tô tô evoluindo bem, tô cumprindo meus objetivos à medida do do possível, mas tô no percurso, tô indo para onde eu quero, tô no caminho certo.
— E agora eu queria que você deixasse uma pergunta para o próximo convidado que nós seremos aqui no segundo episódio para que ele possa responder. Fique à vontade.
— Segundo convidado, uma pergunta para você. Se o seu negócio quebrasse hoje, quem seria você?
— Cara, Patrick, muito obrigado por ter
1:09:59 topado isso daí. É uma satisfação ter você aqui, ser meu barbeiro também. A gente tá aí, querendo ou não, agora convivendo um pouquinho mais junto ali, quase toda semana. Um prazer, uma honra ter você aqui como meu primeiro convidado, cara.
— Muito obrigado. Foi um prazer ter aqui e até a próxima, viu? Que vai ter mais. Só agradecer mesmo pela oportunidade de est compartilhando a minha história aqui, que eu acredito que assim como eu, tem milhares de pessoas que passou por isso. Eh, quem não passou para para ver um pouco como que é, quem já passou para ter aí alguma ligação também e saber que não tá sozinha. E agradecer vocês. Espero voltar aqui mais vezes para falar de outros assuntos também. que aí desejar todo sucesso para vocês também, mandar um beijo paraa minha família aí, para todo mundo e