Episódio 02

De sopas a 2,50 € para uma das melhores hamburguerias do Algarve

Um casal que recomeçou em Portugal num hostel em Aljezur, vendendo sopas a 2,50 €, e hoje tem uma hamburgueria conhecida no Algarve. Desafios, aprendizados e dicas.

· 1 h 19 min · com Andrea e sócio (hamburgueria no Algarve)

Sobre o episódio

De imigrantes em Portugal a donos de uma hamburgueria de sucesso!

Neste episódio, conhecemos a história de um casal que decidiu recomeçar a vida em Portugal e construiu sua trajetória com muito trabalho, dedicação e vontade de aprender. O início foi em um hostel, em Aljezur, onde faziam de tudo um pouco: limpavam, cozinhavam, ajudavam no que fosse necessário e chegaram até a preparar e vender sopas por 2,50€ para os hóspedes.

Com o passar do tempo, surgiu um novo interesse e também uma oportunidade. Eles começaram a estudar e aprender cada vez mais sobre carnes, preparos e hambúrgueres, transformando conhecimento e experiência em um negócio próprio. Hoje, são responsáveis por uma hamburgueria conhecida e compartilham neste episódio os desafios, aprendizados e decisões que fizeram parte dessa transformação.

Mais do que uma história de empreendedorismo, este episódio mostra os bastidores de quem precisou começar do zero em outro país. Eles falam sobre a realidade de ser imigrante em Portugal, os trabalhos que fizeram no início, as dificuldades que enfrentaram e como enxergaram oportunidades mesmo em momentos desafiadores.

E para quem também sonha em imigrar ou empreender em Portugal, o casal compartilha dicas, conselhos e aprendizados que só quem viveu essa experiência pode contar. Uma conversa sobre coragem, trabalho, adaptação e a construção de um negócio passo a passo.

No fim, Andrea ainda lança uma super proposta. Quer saber o que é? Assista até o final e conheça toda essa trajetória: das sopas de 2,50€ à própria hamburgueria em Portugal.

Principais pontos

  • O início num hostel em Aljezur, fazendo de tudo um pouco.
  • Como o estudo de carnes e preparos virou negócio próprio.
  • A realidade de ser imigrante em Portugal nos primeiros trabalhos.
  • Dicas de quem já viveu o caminho para quem quer empreender no Algarve.

Transcrição

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0:01 Percebi que eu não queria ser o mais barato, eu queria ser o melhor.

— Quero saber, Andreia, é 50% do que você ganhar para mim. E eu falo assim: “Nossa, como as pessoas estão presas, né?” 60.000€ Hoje o assunto é literalmente muito gostoso. Hoje a gente vai falar sobre algo que eu particularmente gosto muito. E estamos aqui com duas pessoas maravilhosas que tem uma das melhores hamburguerias daqui do Algarve. Bem-vindo, Daniel. Andreia, é um prazer recebê-los aqui.

— Obrigada. Obrigada.

— Prazer. Prazer. Ah, satisfação.

— Uma honra estar aqui, de verdade.

— Muito obrigado. A gente se conhece já algum tempo, quando vocês tinham, né, ali a outra hamburgueria que era próximo da minha casa. Já fui muito lá, é um hambúrguer maravilhoso, vocês precisam

1:02 conhecer. E agora eu queria saber um pouco de vocês, né? Primeiro pode se apresentar, começar pela André, primeiras damas. Se apresenta um pouquinho, André, pra gente, pra gente te conhecer, falar da onde você é, da onde você veio. Conta um pouquinho da sua história e depois a gente, o Daniel prossegue.

— OK. Então, meu nome é Andreia, eh, eu sou angolana, então por isso eu tenho a nacionalidade portuguesa, no caso, todo mundo pergunta, né? Então, o porquê do meu sotaque, eh, na Guerra Civil, em 75, os meus pais foram pro Brasil refugiados. Então, por isso sotaque brasileiro. Ah,

— que interessante. Eu jurava que você era brasileira, tá? [risadas]

— Em todo tempo eu tinha certeza.

— Eu também.

— Foi enganado, Daniel.

— Mas assim, o Brasil corre na minha veia, no meu coração e quando eu venho para Portugal, mais certeza disso eu tenho.

— Qual cidade que você viveu no Brasil?

— A maior parte de São Paulo e Rio de Janeiro. É cidade.

2:03 Paulo. Que parte do de São Paulo? Ah, ali no Jaguaré, cidade universitária, Osasco, Butantã, naquele

— conheço muito bem. Eu sou de São Paulo também, só que sou da zona leste, mas trabalhava ali, então conheço todo toda a grande São Paulo, interior ali, eu conheço quase tudo. E você, Daniel, conta um pouquinho.

— Também sou um paulista que veio veio para cá em 19, né? 19

— 201 2019 [limpando a garganta]

— 201 2019

— 2019. Eu sou paulistano da Vila Mariana e sempre trabalhei na área de comunicação, mas meu hobby lá no Brasil era fazer comida, principalmente pros outros, né? Adorava fazer comida, então fiz pros filhos desde pequenininhos. Depois eu eu continuei, eu fui fazer um estágio no Sul, eu aprendi a a carne, né? Então,

— no caso o hambúrguer, né? É, fui, é, fui. Eh, é, eu fui conhecer como se faz

3:04 o verdadeiro churrasco, que eles dizem que é lá no Sul, tal.

— Sim, no Sul. Realmente

— é. E na verdade eu descobri que é no Mato Grosso. [risadas] Foi lá que eu entendi o processo da proteína animal e

— que legal.

— E comecei a me aprofundar a ponto de não trazer a a minha profissão, né, eh, de lá. E e claro aqui a gente quando chega a gente pega qualquer coisa. Falei, então vou atrás de comida, né, restaurante e tal. [limpando a garganta] E aí me aprofundei mais ainda no processo, na pandemia que tinha tempo de sol. Aí fomos estudar,

— né? Aí fui estudar a parte do hambúrguer, a parte [roncando] enfim, é é assim um universo

— muito grande, né?

— Muito extenso.

— Sim. Mas eu preferi o hambúrguer porque, nossa, era um negócio que na época eh

4:05 a gente consumia muito por estar numa pandemia, por não ter acesso a um supermercado de, né?

— Falei: “Então compre para carne moída, faz tal”. E eu comecei a gostar da minha comida [risadas] e ela

— e ela também porque ela põe o tempero dela.

— Ah, então é um trabalho em conjunto.

— E aí ficou, né? sendo que na época de 2000, 2001, na época, nessa época eu tive um talho, né? Então eu já conhecia um pouco de corte

— aqui mesmo em Portugal. Você tem

— não 2001?

— Ah, 2001. OK. Lá do sul ABC

— São Caetano. BC Paul.

— É. E ali aprendi bastante, mas não tinha, eu tinha contato com a carne do jeito que vinha em natura, né?

— Sim. Mas não eh [limpando a garganta] fazer ela, preparar, temperar, tal, né? Então,

— sim. Foi na onde foi aprendendo.

— Exatamente.

— E aí ela foi quando eu comecei a

— na pandemia mesmo, os restaurantes

5:06 fechados, tudo, eu comecei a fazer uma espécie de delivery

— de dentro de casa mesmo.

— Entendi.

— Aqui em Portugal.

— E e o pessoal começou a gostar demais. Eu falei: “Opa, tem alguma coisa?Um algum alguma coisa diferente, né?

— Tem alguma coisa aí. E aí elas me apoiando em todos os sentidos

— e foi assim que começou. Essa é só a base, tem muit

— só a base. Sim, a gente vai entrar lá, né? E uma coisa que você falou que é muito legal, acho que a gente já tem algo aqui em comum, é porque eu também tenho essa necessidade. Eu amo cozinhar para quem eu gosto. Agora eu queria saber um pouco sobre vocês, o casal, como vocês se conheceram, se conheceram no Brasil, vieram junto? Como que é a história de vocês ali como casal? quando vocês casaram. É, essa parte sempre sobra pra mulher, né? [risadas] Então, a gente se conheceu no Tinder. [risadas]

— É,

— eh,

— por eu eu assim, a minha profissão no

6:08 Brasil, eu sou professora de inglês e e no Brasil eu tava sempre trabalhando e nunca fui afim de ir num bar para conhecer alguém ou num restaurante para conhecer alguém, até porque eu não sou do tipo de menina que vai no bar. Sim.

— Então assim, não fazia sentido para mim ir procurar uma pessoa que seria a minha alma gêmea, eh, num lugar

— que você não frequenta, né?

— Que eu não frequento e o lugar que eu frequentava só tinha mulher e não era meu caso, que eu não gosto. Então, [roncando] então aí a gente entrou no Tinder, claro que é tipo entre você tem que ver muito e entenderos. Eu fui 6 anos de Tinder e era um negócio horrível, mas finalmente conheci ele.

— Mas deu certo.

— Mas deu certo, né?

— deu muito certo. Aí a gente começou a se conhecer em maio de 2018

7:09 eu já lá já tinha comprado minha passagem para Portugal.

— Ou seja, você já ia vir de qualquer forma e ele

— eu nem sabia,

— ele ainda nem sabia o que esperava. Eu esperei três meses, né, para ele ficar apaixonadinho, né, assim,

— fiz muita refeição para ele gostar, né, conquistar ele pelo estômago, esse negócio

— aí [risadas][limpando a garganta] eu falei para ele: “Olha, tô indo para Portugal”. Aí ele falou para mim: “Ai, é muito frio, né?” Foi a frase que ele falou. Aí eu dei mais uns dois meses, né? Quando eu vi que ele tava caidinho por mim, eu falei assim: “Olha, é o seguinte, ou você vem comigo ou estamos fora porque não vou ficar investindo num relacionamento que depois eu vou ter que terminar”.

— Realmente,

— e aí ele decidiu,

— ele decidiu embarcar nessa viagem.

— É minha primeira viagem internacional, tirando Paraguai, Uruguai, essas coisas, né? Mas eh eu sei lá,

— a primeira grande viagem mesmo, né?

— Sim, sim. Eu nunca notei em mim uma necessidade de viajar,

8:09 [limpando a garganta] conhecer e tal,

— porque no Brasil já tinha tudo. Eu conheço 25 estados lá.

— Nossa,

— na época que não existia internet, não existia essas coisas, eu mandava carta como se fosse um currículo,

— aí me aceitavam. Ah, em Brasília aceitou, vou lá.

— Aí você ia lá e fazia um pegava o

— uma espécie de um estágio, né? Exatamente. E eu gostava disso. Eu era sempre assim, um romero, né,

— um mochilão nas costas, mas nunca imaginei. Falei: “Ah, o Brasil tem tudo. Você quer, você quer o frio europeu, vai pro sul.”

— você quer calor extremo, vai pro norte.

— Você quer as quatro estação, fica em São Paulo,

— porque a chuva vai [risadas] pro Pará, que 2 da tarde dá chuva, né? Então, a cultura, né, de lá sempre me chamou muito mais atenção do que qualquer outro tipo de viagem. Só que quando a gente viaja muda tudo, muda toda a história quando você começa.

— A experiência ela muda. Exatamente.

— Acho que o contato com outra cultura, né? Eu acho que

9:12 é mesmo sendo uma cultura meio até similar, né? Porque vai pro Maranhão, vai pra Minas, você vê Portugal, né?

— Sim, sim.

— Vários lugares, né? E mas é diferente.

— É diferente.

— É muito diferente.

— E é muito gostoso. Eu acho que é muito libertador, né? a gente vê que a gente muit das vezes vive quase que no casulo, né? Eu mesmo sou de São Paulo, fiz ali algumas viagens ali eh no Brasil, mas eu acho que no máximo, eu lembro que eu já fui pro Rio de Janeiro, Santa Catarina, Coritiba, mas nunca explorei muito o Brasil. Apesar de saber que o Brasil é um país maravilhoso, eu acho que todos o que o todos os países tm da Europa tem, eu acho que o Brasil tem um pouquinho de cada país da Europa, né? Acho que tem ali. E o Brasil é maravilhoso. Só que eu sempre tive essa vontade de eh de sair do Brasil. Acho que esse contato, né, de literalmente explorar outros ares, né? Eu acho que isso isso muda a cabeça da gente, né? Acho que não tem como a gente conviver com o português e continuar sendo eh

10:12 100% brasileiro, porque a gente vai extrair alguma coisa boa, alguma cultura, algum jeitinho deles assim que

— eu acho que abre muito a cabeça quando você sai de um país para outro,

— cab,

— você amadurece muito, você emocionalmente você tem que crescer.

— Exato.

— Entender que a cultura é diferente, né? entender que a cultura é diferente, entender que os teus teus amados não estão próximos e você ter que lidar com essa ausência de um jeito saudável, né? Porque foi a escolha foi sua, né, de fazer. Então você tem que ter essa essa essa lição, você tem que aprender. Mas eh eu vejo às vezes eh hoje eu olho até para portugueses, por exemplo, em Armação de Pera, a gente conhece várias pessoas que moram lá, nunca saíram de armação de pera.

— E eu falo assim: “Nossa, como as pessoas estão presas, né?” Realmente

— quando a gente saiu de Armação de Peira ou quando a gente saiu de Aesoura, as pessoas nos julgaram muito, as pessoas

11:13 de lá nos julgaram muito. Como assim você tá aqui e tal? Mas eu sempre pensei, meu, se eu não tive e no meu país com os meus filhos, eu vou ter, eu vou a minha presa,

— tá presa a algum lugar, eu vou Deus me levar,

— é onde for a vontade de Deus, eu tô indo, né? Não tenho esse esse vínculo assim, né?

— Sim. Vocês quando então vocês vieram em que ano para Portugal? 2019.

— Dezembro de 2019.

— Olha, então acho que a gente veio junto, que eu também vim em dezembro de 2019.

— Mesmo avião. [risadas]

— Se calhar, a gente estava ali no mesmo avião.

— 3 de dezembro.

— Três. Eu vim, eu cheguei no dia 1, dia primeiro de dezembro que eu cheguei aqui em Portugal.

— É quase. Olha, por pouquinho a gente não se conhece no avião, né?

— Você veio direto para Algarve. Eu vim direto para Algarve. Isso que eu ia perguntar. Vocês vieram para onde primeiro? Foi para o Jesur.

— Não. Então, a gente começou na casa da minha mãe. Minha mãe tem uma casa no Porto. Ficamos lá dois meses.

— Eh, a gente tentou abrir as portas e

12:15 vimos que não era o lugar, que, enfim, não abria as portas pra gente. E nesse momento a gente só tinha 500 €. já tinha gastado todos os recursos lá em no Porto, porque meu é só 50 cêntimos, é só 1€ é só isso. E quando você vê, você comprou um monte de coisa

— que não precisava, né? E gastou todas as suas economia.

— Incentiva, né? Porque no Brasil as coisas é muito cara. Então você chega aqui vê um chocolate, por exemplo, que eu também fiz isso, né? Quando eu chegava aqui eu via o chocolate que no Brasil era R$ 5, R$ 6, eu vi aquele chocolate de 50 cêntim, não sei o quê. Todo o café da manhã eu comprava um e comia meu chocolatinho ali, porque é muito acessível, né?

— É, sim. Então, eu sou cristã e nesse momento a gente se deparou, né? Eu fui perguntar a Deus e me apareceu na minha frente um site de voluntariado.

— Uhum.

— Então, que que é? Você vai num lugar,

13:16 você trabalha para esse lugar 4 horas e você por por sua vez eles dão abrigo, comida, água e tudo.

— Então a a gente entrou nesse site, se inscreveu que nem fosse um site, qualquer outro site, tipo de trabalho que você fala suas suas o que que você tem para qualificações e tal e mandamos,

— né? Mandamos para vários lugares. A o Jesus nos aceitou como casal e tal.

— E aceitaram os dois, então,

— os dois.

— Os dois.

— E aí a gente foi lá, lembra que eh chegamos, chegamos tarde com duas malas de 32 kg cada uma, né? [risadas] Com todos os nossos pertences lá no hostel lá de Alesor.

— Fomos morar num quarto comunitário com outra pessoa. Mas tá, tudo era bom, né, amor?

— É tudo maravilhos. Tudo era bom, porque

— ah, tudo a gente, a gente [limpando a garganta] trabalhava 4 horas por dia lá,

— depois tinha o dia inteiro livre,

14:17 podia passear e pras praias de Jesusur, né, que é muito bonito.

— Nossa, a cidade é é muito calma, né? E muito calma, tranquila.

— E aí a gente foi ficando, foi ficando, né? E e aí aconteceu a pandemia.

— Ah, ou seja, tudo isso foi antes da pandemia,

— um mês, né? mês. É,

— aí foi em março, aí a gente ficou no em o hostel fechou, tipo, em abril,

— logo isso, consegui um emprego num restaurante que a senhoraia, a senhora me deu, nos emprestou a casa, que a gente, na verdade, a gente ia pagar a casa com o próprio saúde,

— com o trabalho. Ficamos lá no primeiro lockdown.

— Deus é Deus é maravilhoso, né? é maravilhoso.

— E eu falo que ele até que tenha que usar o diabo, ele usa, mas ele nos acolhe. E foi isso mesmo.

— Ele usou o diabo, mas ele nos abençoou. A gente não tinha ganho do Brasil, ou seja, a gente tava lá, não tinha recurso

15:18 do Brasil,

— né?

— E a gente, aí eu comecei a trabalhar num supermercado que era em frente a minha casa de limpeza. Então eu ia no supermercado lá de manhã, fazia a limpeza do supermercado, ganhava 100, 100 € que era a nossa comida, já tínhamos o aluguel, a casa tudo, né?

— Então dois meses e eu fiz amizade com a gerente do do supermercado.

— Aí ela, você acredita? Ela começava a dar as as coisas que não poderia mais vender, ela dava tudo pra gente.

— Ela dava e não era vencido.

— E não era vencido. E era tudo pra gente.

— Nosso. E transbordou. A gente teve que fazer doar também. É, a gente não tinha o que

— onde pôr tanta coisa que ela dava. Aí a gente dava.

— Seja Deus abençoou de tal maneira que vocês não puderam reter e tiveram que abençoar outras pessoas.

— Isso aí.

— E como não faltava nada e ela conseguiu esse esse trabalho

— e eu voltei pros estudos. Aí eu comecei

16:19 a estudar a gastronomia aplicada dentro do de do setor que eu tava querendo, que era o setor de proteína animal, hambúrguer, enfim.

— Mas o foco já era hambúrguer mesmo,

— já tava

— era, era sim, era desde os

— já tinha alguma coisa ali te chamando já.

— Sim, desde os 14 anos eu vou no Mac, vou até hoje.

— É, vai. [risadas] Verdade. Eu vou até hoje no Mac como como se fosse, fecha o olho e parece que eu tava lá.

— Tá lá alguns anos atrás.

— Muitos anos atrás.

— Que legal.

— É, hoje é sabor Mac. Não é mais Não é mais MAC, né?

— Não é mais. E o daqui do Brasil eu acho completamente diferente.

— Diferente. Eu também.

— O sabor eu acho que não tem nada a ver também. Aqui a carne, os cortes é completamente diferente do Brasil, né?

— Totalmente. Totalmente.

— Eu demorei ali um pouco porque eu gosto, né? Como eu falei, eu gosto de cozinhar. Então assim, eh, eu quero fazer às vezes muita coisa que o aqui em Portugal e eu não sabia que até os brasileiros não conhece a carne louca.

— Carne louca é algo típico de São Paulo.

17:21 Eu não sabia. Só que eu sou o maluco da carne, eu sou louco da carne louca.

— É.

— E e aqui em Portugal eu tá, eu eu gosto muito mesmo. E aí eu tive muita dificuldade para achar um corte para conseguir fazer a carne louca.

— Você sabe a história da carne louca que pensou nas quermes? Não,

— do estado de São Paulo foi assim, não, claro, a na igreja a doação é é muito pouca e principalmente do interior, né, São Paulo e todo geral

— e e uma parte vai pro Vaticano, vai, né, para outras coisas, tal, e quando chega na Quermestre é muito pouco, né, para para investir, para

— ter o dinheiro de volta na compra de

— dos produtos que eles servem no naquele mestre. Então o que que eles faziam? Eles pegavam o pouco que tinham e viravam um caldeirão e falava que aquilo lá foi Deus que deu o caldeirão. [risadas] Eles pegavam uma peça ou eh

18:22 daquele patim ou de colchão duro. É larg lagarto.

— Tem lagarto também.

— É largar também.

— Isso. Mas assim, peças mais duras, né? Porque o lagarto é duro, o colchão duro é duro.

— O patinho, se for ver, tem uma fibra no meio que endurece. né? Tem pouquíssima gordura. Então o que que eles faziam? Cozinhavam, cozinhavam, cozinhavam 4, 5 horas ia enchendo de molho, enchendo de tempero, enchendo de outras coisas.

— Cebola. [risadas]

— E aí, já pensei em ter carne louca na OK.

— Olha, se você tiver carne louca lá, ó, tá tendo comemoração [risadas] aqui no fundo, tá? A equipe aqui no fundo tá comemorando.

— Eu vou ser o primeiro cliente. Anota aí quando você fazer, porque nossa, eu amo carne louca. E ela faz e bota em cima da batata com cheder. Pronto. Aí acabou.

— Isso não. Carne louca é

— a acabou.

— Ah, não. Com pão francês. No aniversário de um ano do meu filho, a gente que fez basicamente tudo, né? Então a nossa família ali se uniu, é o primeiro, primeiro filho, primeiro neto,

19:23 primeiro sobrinho das duas famílias. Então vocês imagina como que tava a expectativa. E aí eu decidi, né? Eh, a gente não tava querendo gastar muito, né? A gente tava um pouco apertado na altura. E a gente falou: “Ah, o que que a gente pode fazer?” Eu falei: “Eí foi aí que eu descobri que carne louca não é típico do Brasil. Eu descobri que era de São Paulo, porque a maioria das pessoas, os convidados são eram brasileiros, mas eram poucos paulistas. E aí todo mundo, nossa, o que que é isso? Que coisa diferente. E assim, foi um sucesso.

— Inclusive tem a carne louca de pernil também, né?

— De pernil também. É

— aqui. Aqui eles faz o pullet por, né? que a é como se fosse uma carne louca, só que de porco. Tem muito na na pança, tem alguns lugares que faz também. Acho muito saboroso, mas

— a nossa carne louca de vaca

— é

— mudar pra Europa deu deu essa essa vantagem pra gente culturalmente, porque a gente acaba conhecendo brasileiros de várias regiões.

— Sim,

— isso é isso não tem preço. Eu tive funcionários de Rondônia, de Roraima, do

20:25 Acre, tivemos do Amazonas,

— agora de Goiânia. de Goi Goiém,

— né? É difícil mais pro sul, né? A

— Sim. E no Brasil geralmente, principalmente São Paulo, é basicamente ali o povo de São Paulo é um ou outro que vem vem do Norte, do Nordeste, mas assim é quase todos ali paulista, né? E a gente consegue conhecer mais o Brasil estando aqui.

— Estando aqui. É verdade.

— Incrível. Pelas pessoas, claro.

— O contato, né, que a gente tem além do de portugueses e tudo mais. Mas acho que com eu mesmo já eu tive mais contato com pessoas de outras cidades aqui em Portugal do que no Brasil.

— No Brasil era quase só conhecia Paulista. Um ou outra ali. Eh, minha mãe é do Paraná e meu pai do Mato Grosso do Sul. Então já, né, já fui lá visitar minha minhas avós, meus tios. Então eu conheci basicamente o que eu conhecia de outra cidade era esse pessoal, porque o resto nessas viagens que eu que eu fiz, igual foi pro Rio de Janeiro, mas foi basicamente ali. Agora aqui eu conheço o Mineiro, conheço o Carioca, ixe,

21:25 conheço. Aí aí a lista é extensa também. É,

— é muito bom.

— Aniversário era um bolo e pão com pão francês com carne louca, né?

— Não, era tudo de pão, baratinho, bom.

— Nossa, e uma delícia, né? Uma delícia. Eu eu quando tem carne louca aqui, olha, eu eu me descontrolo. É algo que eu não consigo controlar.

— Vamos fazer. [risadas] Tão convidados aí.

— Aí, ó. Tá todo mundo convidado.

— Convidado. A gente a gente marca o dia, deixa pronto e

— maravilha. Ó, anotem aí, ó. Carne louca no Burger, viu? Lançamento.

— Não, não, lançamento para vocês.

— Mas eu acredito que se fizer vai ter bastante, porque, cara, é algo eh teve um um lugar que eu trabalhei e eu descobri que tinha um restaurante, às vezes não queria comer comida, né, arroz, feijão e alguma coisa em São Paulo. E aí eu às vezes ia procurar para comer um lanche, alguma coisinha diferente. E aí um certo dia eu descobri um lugar que tinha eles faziam cão eh pão com carne louca, eles faziam ali no pão francês, né? Certinho, igual a gente faz, só que era na chapa. Nossa, que

22:26 delícia. Aí meu almoço quase todo dia era o quê?

— Eu parei de comer arroz, feijão para comer pão carno que era quase todos os dias. Eu tinha que comer que era muito bom. assim, eu e eu acho que é uma coisa boa e bastante interessante, né, para vocês estudarem, né,

— porque eu falo pelo meu, o aniversário do meu filho, né, que teve assim uma repercussão muito grande. Eu falei, para mim era algo normal que todo mundo conhecia.

— Bom, real,

— mas a gente realmente estava pensando em fazer também alguma coisa com a batata. E eu acho que essa proposta com a com a batata com Não, a batata frita com

— batata frita. Ah, ok.

— Tipo, em vez da costela, fazer uma coisa, porque tem outros que já fazem costela e tal, né?

— Mas talvez também fique bom com a carne louca em cima e um pouquinho de parmesão, talvez.

— Bom, é, a carne louca funciona com carboidrato. Essa é a real. Você juntou pão ou batata

— funciona perfeitamente.

— A carne louca combina com tudo. Até quando eu faço, às vezes sobra um pouquinho, fala: “Ah, vou almoçar. Ah, deixa eu pegar um pouquinho dessa carne louca aqui. Aí, coloco lá com o meu

23:30 arroz, com feijão e como, ou seja, mas no pão. Vocês já empreenderam no Brasil ou começou esse lado empreendedor do casal, ou ali sozinho? Começou aqui em Portugal?

— A gente a gente tem uma veia empreendedora.

— Ela já teve escola de inglês

— e eu já tive Itálho

— lá no Brasil. Lá no Brasil.

— Brasil. Exato. E quando eu era jovenzinho,

— eu tive um estúdio de tatuagem. Eu tava, eu quando eu era criança, gostava de de desenhar.

— Desenhar. Aham.

— Aí eu conheci um maluco lá, falou: “Não, você tem que desenhar com agulha e cobrar para machucar o outro”. Eu nunca entendi isso. Mas enfim, aí montei, eh, pus os profissionais lá, porque eu não, né? Fiz um pouco até, mas não era minha Mas não deu certo porque eh na época, hoje não, hoje tá muito profissionalizado, mas na época não tinha recurso, você tinha que levava meses para chegar material, tal.

— E era muito diferente de hoje, né? Hoje

24:31 tem uns equipamentos aí que eu eu

— em toda esquina vende, piercing,

— é mais barato, né? Também mais acessível hoje, né?

— Então na época não valeu. Era em época de 2002, 2003 para 2005. Não deu certo. Desisti e e já tinha sangue lá. Falei: “Vou trabalhar com talho que tá meio parecido”. E aí foi lá que eu aprendi a a mexer com a carne.

— Eu acho que isso é bem bacana porque chegar as pessoas às vezes me perguntam: “É, Andreia, mas como é que vocês conseguem ter essa carne tão saborosa, tão

— eh não é seca, né?” E a grande verdade é que ele sabe a porcentagem da carne que tirar. Então é é cupim, é costela, é gordura, quantidade, entendeu? Uma carne mais saborosa, uma carne mais macia e pôr isso tudo junto, né?

— É um segredo que deve estar guardado as sete chaves aí, né?

— Oito. [risadas]

— Sete chaves.

— Eu acho que no Amazon você colocou a quanto?

25:34 Ah, eu pus alto para nem vender. Acho que eu pus 60.000€ Mas é, eu também

— nunca ninguém se interessou. Não, nem vai, nem vai.

— Pessoal, só para contextualizar, talho aqui em Portugal é o mesmo que a no Brasil, tá bem? Que a gente acaba, né, falando palavras mais portuguesas pelo hábito, né? Mas para quem tá nos acompanhando no Brasil, talho e a mesma coisa, tá bom? Como que foi o dia que vocês chegaram aqui? Como foi essa diferença? O choque cultural, vocês se adaptaram rápido? Como que foi essa parte? Facío. Parecia que estava em casa tirando frio. Lógico. Eu sempre no Porto. No Porto é bastante frio, né?

— Chegar em dezembro no Porto com chuva, aquele vento

— e na casa da minha mãe.

— Porque na casa da [risadas] minha mãe é terraço. É, é térrio.

— Ah, então se tava chão,

— se tava 5 gra lá fora, lá tava três.

— Nossa. E

— ela e ela não ligava o aquecedor.

— Não ligava. [risadas] Não ligava,

26:36 senão gastava luz, né? falar

— não. Eu tinha um amigo que a gente passou uma temporada a trabalho no Porto, eu tinha um amigo que ele colocava duas, três calças para poder ir trabalhar. E aí, como ele era mais magrinho, né? E às vezes ele pegava, ele tava com duas, três blusas, e quando eu tirava a minha com calorento, aí ele pegava ainda minha blusa e colocava por cima. Eu vivia brincando com ele, né? que eu falo: “Meu Deus,

— a gente era assim,

— nossa, era 3:30, aí minha mãe punha aquela aquele saquinho de água quente na

— dentro da cama para ver se melhorava um pouquinho. [risadas]

— Eu sei que no ano novo, o primeiro nosso ano novo, a gente colocou, né, as três calças, três meia, três casacos, tudo e foi lá para fora, tava dando menos três. A gente olhou um pro outro, ainda tinha que pegar um táxi, um Uber para ir para lá, pra ponte. A gente ia na ponte Dom Pedro. Dom Pedro,

— acho que é Dom Dom Pedro Luiz, né? Dom é

— aquela bonitona lá do Porto. [limpando a garganta]

— Aí um olhou pro outro, olhou pro outro, né? Vou pra [risadas] cama. Nosso primeiro ano foi debaixo de de cobertor.

27:39 Cobo de cobertor. E aí eu quero saber agora como que surgiu OK Burger, né? Você falou que foi ali no Algesur para Algesur, né? Que você começou fazer seus testes, começou a desenvolver, né? fazer o achar o blend perfeito, né? E quando que vocês iniciaram Burger?

— Tava meio iniciada, né? Porque eu conto desde 2020, quando eu comecei a fazer amragem pro pra turma da

— E você já começou a fazer um delivery ali, né?

— É, comecei a fazer delivery, comecei a vender.

— Na verdade, assim, eu só para contextualizar, eu trabalhava nesse hostel que a gente

— ficou como voluntário, o cara gostou do nosso do meu trabalho e me contratou. Nisso eu cresci lá de ajudante geral até a gerente. Eu é o que gerenciava tudo. O dono morava em na Flórida, então eu é que realmente aí ele precisava, ele queria alguém na cozinha para ah trazer os clientes, os os hóspedes para comerem lá num almoço e um jantar. E ele fez

28:42 essa proposta pro Daniel, né? E nisso a gente já tava pensando em que assim, como a Algesura é uma cidade muito pequena, os restaurantes lá tendem a escravizar as pessoas que neles estão. E eu digo escravizado, eu trabalhava das 9:30 às 3 da manhã

— todos os dias. Era um negócio horroroso.

— E

— e não recebia nada mais por isso.

— Não. Daniel trabalhou um mês num lugar lá trabalhando 15 horas

— e o cara deu 500€ porque ele era ilegal

— não era irregular. Irregular. Exato. Irregular.

— Irregular. Desculpa.

— Tava sem a documentação. Aí eles fazem o que querem.

— É. É. Aí o Daniel disse: “Não, não quero isso”. E eu tava bem estabilizada no outro lugar. E ele começou com o seu seu o seu estudo no prático, né? E aí eu vim, olha, coloca isso, vamos colocar isso e tal.

— E assim começou, mas começou do do próprio hotel que o próprio hotel queria que ele fizesse.

— Queria que fizesse pro hotel mesmo.

— Que legal. lá

29:44 dentro do hotel, é, do hostel, né, na verdade hostel

— é os nossos cobaias

— e os clientes gostavam

— no começo não, porque eu não tinha muita técnica, né? Então,

— às vezes ia muito frio, às vezes ia queimado,

— às vezes nem ia. Sim. [risadas] É, eu no começo quando eu, né, eu sou, eu, eu invento, né, na cozinha, eu tenho hobby, eu tinha muito problema para deixar ele firme, né, porque sempre meu Deus do céu,

— é, é só tirar o ar, né, fica b.

— É, então é, só que eu não sabia que era isso. Aí às vezes eu fazia uma bolinha assim tudo e aí ainda assim quebrar, falei: “Ah, eu ficava bravo, eu ficava irritado, mas com um tempinho fui aprendendo. Eu comprei aqueles, né, um

— Ah, o amassador.

— Exato. Amassador para fazer. Hoje eu tenho lá em casa, né? De vez em quando eu faço.

— Tá melhor que a gente. [risadas]

— A gente amassa no [limpando a garganta] punho.

— No punho. Vai no na chapa mesmo, né? A gente deixa a bolinha de

— faz só a bolinha e depois só vem a massa, né?

— E a massa no quente mesmo. Para quê? Para dar aquele

30:44 aquela crocância.

— Aquela crocância, né? Que a reação de chama reação de marinar.

— É mariar, né? Reação de mareá.

— Que aí fica aquela crostinha.

— Sim. Sim. Fica aquela crossa e não queima, né?

— É. Independente se é Smash ou se é hambúrguer alto, a gente faz.

— Para mim era só o Smash que poderia fazer isso também com hambúrguer. Olha,

— é interessado. Tá vendo? Já aprendi uma coisa aqui com vocês, ó.

— É. Inclusive nós temos pessoas lá de Algesur que de vez em nunca vão até Albufeira e

— só para comer o lanche.

— Tem um tem um o nossa cobaia número um, né?

— Número um. [risadas] É,

— qual é o nome dele? Davi,

— Davi,

— Davi, ele era o cara que falava também, não, essa vez não tava boa e pagava, não, essa vez tá boa, não, agora tá perfeito.

— É, ele dava o, né,

— e é o cliente fiel, né? Um cliente fiel

— Mas todo, toda semana ele pegava, né? Eu ia de Algesura até Rogil, que ele era de Rogio pertinho, né?

— Ah,

— e

31:48 aí levava lá a sacolinha lá, todos felizes. Aí ficava esperando. E aí? Tá bom. Ele não é

— bom que português é bem honesto também.

— É bem honesto, né? Português, gente, português é uma pessoa muito honesta, não tem rodeio, né? A gente brasileiro,

— foi ótimo pra gente. Foi ótimo.

— Foi, foi ótimo.

— A gente brasileiro para falar que uma coisa não tá bom, a gente dá meia volta no mundo e ainda não fala que não tá bom, né? Agora português me admira muito, né? Que se ele não tiver bom, ele vai olhar: “Não, não tá bom”. E e não vai dar explicação n falar: “Não tá bom, não gostei”. Ah, não gostei.

— E tá tudo certo.

— Como todo bom português gosta de usar estratégias para você trabalhar mais do que não precisa. Daí chegar a um ponto que eu tava trabalhando 11 horas, na verdade um pouquinho antes, eh, eu segurei quase 40% da dos hóspedes na pandemia, fazendo sopas à noite. Ou seja, não era algo que tava incluso no seu trabalho. Você que

— não, eu ia fazer, comecei com 5 L,

32:50 acabei com 20 L, que eram 30 pessoas que ficaram na pandemia

— pagando para ele para eu fazer uma sopa, que eu cobrava 2, e tinha torradinha e toda noite tinha lá. Era maravilhoso de ver todo mundo lá esperando.

— Português gosta de sopa, né? É.

— E era muito mais estrangeiro do que português. Eram, era os andarilhos, né? que ali é o caminho da a rota da Vicentina, né?

— Vicentina.

— E aí ficaram três meses com a gente, virou uma comunidade, passamos Natal, Ano Novo, enfim, foi maravilhoso. No ano seguinte, eh, eu falei porque ele queria 50%, então o na primeira vez, além de eu pagar os meus produtos, ele queria 50% do ganho.

— Hum. Na segunda vez eu já falei para ele: “Olha, eu fiz um teste, fulaninho ficou mais um dia, ou seja, te deu mais X de estadia, porque eu fiz a sopa

— nisso.” Eh, aí aí ele aí ele falou assim: “Não quero saber, Andreia, eh, é 50%

33:52 do que você ganhar para mim”. Eu disse assim: “Pois é, então o meu trabalho é ficar numa recepção e ficar quietinha. Eu tô me dando o trabalho de cozinhar, de limpar, de limpar depois, eh, de atender os clientes, qualquer reclamação. E você tá me dizendo que eu vou ficar com 50% do ganho, sendo que é 2€ a sopa.

— Meu Deus,

— eu ganhava 10€ no dia, não fazia sentido.

— Aí ele falou: “Sim, se é isso”. E eu disse assim: “Então tá, então vou pra minha coisa e se eles não quiserem ficar o dia, problema seu.” Sim,

— porque eu queria que eles ficassem mais um dia.

— Ou seja, você tinha, tentou ajudar o dono, né? Ou seja, para querendo nas pessoas ficarem uma estadia um pouco maior. E infelizmente, como muitos donos, não.

— Ganância foi maior, foi maior que isso.

— Ganç a ganância. É.

— Aí eu já comecei a me descontentar, né? Porque a gente vestia camisa, as pessoas achavam que eu era dona do local, para você ter ideia. E aí ele não me valorizava, comecei a

34:53 ver os meus direitos também, porque ele não estava fazendo certo. Enfim, nisso eu ã fui demitida, graças a Deus, e ele com medo de eu fazer alguma coisa, não sei, pagou tudo certinho e mais alguma coisa. E esse foi o dinheiro que começou. Na verdade, eu não tinha muita vontade de fazer esse hambúrguer, não. Eu tava ganhando meu dinheirinho lá. Eu sou, eu gosto muito de do que é certo, do que, né? Vem.

— Sim. Sem se aventurar. Eu não sou aventurona, né? Então,

— Daniel que é o que gosta de arriscar.

— Sai voando igual a pipa. [risadas] Se der linha eu vou mais longe.

— E deu certo, então, né? Pelo jeito.

— É, ele me empurrou [risadas] e eu seguro. A gente faz o mais

— Sim.

— E aí eu tava lá sem trabalhar e ele fazendo os hambúrguers dele, né? Vou ajudar, né? Vou ajudar. Aí comecei a ajudar, comecei a vir trazer dinheiro para casa, né? Eu disse: “Hum, tô gostando aqui.” [risadas] E o mais

35:53 incrível que eu fazia assim toda a noite dois, cinco, no máximo sete hambúrguer.

— Aham.

— O o incrível aconteceu quando ela saiu de lá, começou a me ajudar. Eu lembro bem, foi no dia 23 de março de dezembro.

— Eh, no dia 24 a gente fez 30 hambúrguers,

— ou seja, quase quadruplicou. E eu que fazia a entrega, né? Eu fazia tudo, fazia preparar, meu Deus, tudo [risadas]

— e ainda entregava o produto final, né?

— E aí começou a vender, vender, vender. Aí que ela já ficou anada.

— Aí eu tinha um dinheirinho lá que era da

— da recisão,

— da recisão [limpando a garganta] e tal. Eu disse assim, bem,

— vamos procurar, né? E aí a gente também não tinha nenhum, a gente não queria ir ao Gesour porque era uma cidade com 2000 habitantes,

— muito pequena. Limita.

— Exatamente. Então vamos procurar, gente. Não tem, não estamos preso a nenhum lugar. Vamos onde Deus mostra.

36:55 E fomos procurando, procurando, acabou em armação de per a gente fez uns, tinha que ter uma, um quarto pra gente morar, porque não, o valor que a gente tinha, que era 2500, 3.000, não era o suficiente para abrir um restaurante.

— Então, a e ter um aluguel da nossa casa própria, então teria que ter um espaço, tinha um restaurante e um espaço pra gente dormir. E aí a gente achou naquele lugar lá de armação de perira, apesar de ser bem pequenininho, o valor do aluguel tava muito em conta. E

— aquele salão que fica no

— Ah, aquela parte de cima

— de cima virou a nossa casa ali.

— ah, por um ano e meio a gente morou lá, fechava aqui para eh para funcionários e e só na frente. E a gente foi indo, né? A gente fazia assim, a gente tinha duas duas semanas para entregar outra casa. Então a gente ia eh fazia as reformas no restaurante de dia.

— Vocês mesmos fez fizeram então as as reformas lá? Tudo tudo.

37:56 Aí a gente fazia as reformas durante o dia. À noite a gente fazia hambúrguer para fazer dinheiro. Aí isso era todo dia 70 km e voltar, né? Nossa, vocês vinham e voltavam então todo dia de Algesur

— e começou a fazer os testes ali, as vendas local já em Armação de Pera.

— Não, a gente fazia só porque ali já tinha cliente, né? Então a gente trabalhava tipo das 8 às 4 horas, às 6 horas a gente já tinha pedido de cliente para para entregar

— para entregar

— e nisso foi indo, né? Até porque da parede preta, não sei se vocês lembram, tinha parede toda assinada.

— A razão foi porque a gente não tinha dinheiro para fazer uma decoração XPTO, [roncando] então pintamos de preto e todo mundo que escrevesse nela, né? Acabando o dinheiro, né? Foi acabando. [risadas]

— Um dia eu tava brincando no meu aplicativo do banco, né?

— E falando: “Ô, amor, vamos fazer uma simulação?”. Vamos.

38:59 Olha, 7.000€. Olha 7.000€ que legal, né? Olha,

— põe mais, põe mais

— aí. [risadas]

— 7.000€ que legal. 100 por mês dá pra gente pagar? Dá,

— tá tudo certo. Aí foi, foi, foi, entrou.

— E o bom é que é na hora aqui, né? [risadas] Só que ela era só simulação que ela fez. Ela não fez, ela não deu um.

— É, a gente tava caminho,

— só tava para ver, né, o que que ia precisar, alguma coisa brincando,

— brincando mesmo. Aí entrou o dinheiro. Daniel fala assim: “Já transfere para outro banco, [risadas] vai que

— tirem dinheiro, tirem dinheiro que eles erraram.”

— Aí nisso a gente entendeu que que Deus estava suprindo lá.

— Deus é,

— né? E aí a gente disse: “Então vamos parar de voltar para Alesor”. Por ele tava sem a carta.

— Ah. carro velho.

— E carro velho. E então assim, aquele era sempre aquele aquele medo de separado, ganhar. E na época ele ainda tava com a carteira brasileira, mas não era aceitada.

— É, que só era válida durante 180 dias na altura.

40:00 Isso. Isso.

— E aí a gente disse: “Então tá, Deus supriu, vamos ficar por aqui e vamos fazer a reforma e vamos focar aqui, né?” Então já fechamos o lá o negócio e acabamos focando,

— porque a nossa ideia era comprar comprar não, alugar lá e se conseguíssemos naquele primeiro verão, amém. Se não, a gente ia trabalhar em algum outro restaurante para juntar dinheiro pro próximo verão. Sim,

— era a nossa ideia. Mas Deus foi tão fiel que em dois meses a gente conseguiu abrir ali, equipamento, tudo, tudo com tudo.

— Aqueles 7000 a gente em dois meses a gente montou,

— ou seja, o que talvez demoraria muito mais, aí Deus vai lá dar um jeitinho, né, né?

— Dá um jeitinho numa simulação a prova.

— Maravilha. Não, e eu conheço também pessoas que eu inclusive foi a mesma coisa assim e isso é algo que eu acho muito bacana, né, daqui porque cara no Brasil é uma burocracia, você tem que ir no banco, tem que assinar 1000 folhas,

41:01 aí tem que esperar análise. E aqui eles têm um pré um crédito pré-aprovado, né, que quando você faz, simplesmente se eles aprovam e o dinheiro tá na conta, em menos de 5 minutos já tá tudo feito, né? Você faz assim, até assustador, você vê do nada, você tem lá menos 100 na conta e você vê do nada tem um valor alto lá,

— não? E aí você pensa no real, quanto seria em reais,

— quanto seria reais. É, a gente converte, né? Fala: “Nossa, aqui no Brasil doreia bastante, né?

— Eu tô rica.” [risadas]

— Então, foi assim que a gente começou, né? E foi maravilhoso assim todo esse começo. Eh, a gente ia dormir com som de ondas, que era bem a praia que a gente a praia que a gente vinha, né?

— E quando foi a inauguração do Burger?

— Foi dia 22 de março de 2022. 22.

— 22 de março.

— A loja física, né?

— Loja física. Exato. É. Em Alb em Albo Feira Mação de Peira, né?

— É. Lotou aquele dia, né? Foi, foi. A gente trouxe um fotógrafo também. Foi,

42:02 foi bem legal

— até acabar o dinheiro. A gente usou [risadas] até acabar. Vamos ver agora.

— E aí foi indo, né? As coisas foi indo. Foram três anos. Na verdade, no nosso terceiro ano a gente já não tinha mais a gente tinha fila na porta

— para jantar. É, inclusive a primeira vez que eu fui, eu tentei lá, eh, se eu não me engano, eu tentei lá umas duas ou três vezes. Eu lembro que eu fui com o pessoal da igreja, aí já não tinha mais, já teve uma outra vez que eu fui que também acho que tinha fila e a gente tava todo mundo com muita fã, falava: “A gente não vai esperar, a gente”. Tá? E eu fique e eu morava ali do lado e eu era doido para conhecer, né? Porque eu sou um amante de hambúrguer.

— Então morava ali, eu falava: “Meu Deus, nunca que eu consigo conhecer”. Mas aí também teve a oportunidade que foi a primeira vez que eu fui lá foi com Doulas.

— Que inclusive foi foi eu e o Douglas. E aí foi também quando vocês conheceram o Douglas, né? Me conheceram, conheceram o Douglas também. E dali começou, né? O nosso primeiro contato, né? Foi a

43:03 primeira vez.

— Notei que 50% é nessa nessa faixa que a gente adquiri recorrência, gente voltando e os outros 50 no atendimento. Quando a gente descobriu isso,

— né? Quando a gente viu nas avaliações do Google, que hoje tá perto de 100,

— é, a gente tá com 4.9 a parte de atendimento tá quase superando o produto. Então a gente tá muito feliz por causa disso, né? A gente entendeu como é que é o fluxo, né? Isso

— isso é muito importante, né? a experiência do cliente. Muitas pessoas hoje eu vejo porque eu se eu eu sinceramente se eu vou num lugar posso gostar da comida, mas se a experiência com o cliente for ruim, se eu não me sentir bem atendido e assim de já parabenizando vocês disso, porque realmente além de ter um produto é muito bom que eu gostei, né, sem demagogia nenhuma, o atendimento foi muito bom e isso para mim, cara, é é innegociável,

44:03 né? Então, quando eu vou lá, eu lembro que meu filho era bem pequeno, você brincou com ele e sabe, né, que para um pai você elogiar a criança é o maior elogio pro pai, né? Então eu lembro que esse contato ali era o meu primeiro filho. Então, cara, foi um atendimento surreal assim, muito bom. Eu já eu já vi ela carregando pr pra mãe poder comer para não dar aqui essa criança.

— Eu, e eu se não me engano, você chegou a pegar. Eu acho que você pegou. Não tenho certeza. Mas eu eu tenho uma lembrança assim que eu acho que você chegou a pedir, ah, deixa eu pegar ele era que ele era grandinho e cara isso faz toda a diferença. Faz toda a diferença. É, hoje a gente tem lá brinquedos, tem lápis, tem para colorir, tem um monte de coisa. A gente não tem um espaço kids ainda.

— Ainda

— é que a gente gostaria, mas o que a gente puder fazer para

— pra mãe ficar mais tranquila e poder, né, poder.

— É porque eu eu já fui mãe, né, três vezes. Entende

45:04 e eu não nunca tive o meu parceiro para me ajudar. Então eu sei o que é você querer comer e a criança tá lá correndo e você dá uma mordidinha, sai correndo, né, e não consegue sentar. Eu fui começar a sentar na mesa quando a minha filha tinha 6 anos. Então assim, eh, a gente ter essa empatia do da pessoa que tá criança, ou eu também não gosto de ver criança no telefone. Eu me me deixa,

— sabe? Eu aí eu já vou pegando, ah, toma. Quer desenhar? Sabe?

— É bem professora.

— É bem, [risadas] é bem professora mesmo.

— Traga o lápis de colorir, o negócio quer

— Voltando um pouco ali pra parte da hamburgueria, né? Já teve algum mês depois que vocês inauguraram a loja de armação de pera que vocês falou: “Olha, acho que a gente vai ter que fechar”. Ou seja, teve algum mês ali que foi um pouco mais tenebroso referente a faturamento, a clientes.

— Teve vários meses que a gente não pensou vai ter que fechar, mas vai ter que orar muito. [risadas]

46:06 Isso até hoje não é uma coisa que é é uma cidade muito sazonal. Então, então a gente é exatamente o pão nosso de cada dia, todo dia.

— O, eu falo que a vida do empresário é uma montanha russa, né?

— Hoje você tá lá no topo, você vai dormir fazendo 1000 planos, abrir três lojas, aí no outro dia você fala: “Meu Deus, como que eu vou manter essa?” Né?

— É uma montanha russa. Mas a fé muita das vezes ela muita das vezes no meu lado, quase sempre, quase todas as vezes é o que me sustenta, o que me dá firmeza, o que me dá meu chão, né, diário, é justamente pro pão nosso de cada dia nos da hoje, né?

— Então é isso, é algo muito importante. E tem algum mês assim muito específico assim que você quer pode falar um pouquinho que foi mais difícil, vamos se dizer, mais tenso.

— Mais difícil. Eu acho que esse inverno passado foi o mais difícil de todos da nossa nossa vida inteira.

— Eh, tivemos literalmente 15 tempestades aqui no Algarve.

47:07 É verdade.

— E a gente literalmente passou por essas tempestades, tanto no físico como no espiritual. E Deus em novembro havia falado para mim: “Andreia, você vai passar pela água, mas você não vai afogar”. E foi literalmente isso. Eu tava assim aqui, ó, tipo, né? íamos todo dia, fazia 100€ fazia 50€ era só eu e ele.

— Isso vocês já estavam em albufeira.

— Albufeira.

— OK.

— Mas o senhor nos sustentou, a gente chegava no final do mês com as contas pagas de algum jeito milagroso e assim foi indo.

— A dona do local começou a, ela entendeu, ela viu, né?

— Começou a parcelar. Então a gente pagava 200, na outra semana 100, na outra semana 500. Assim quando dava a gente

— entendi,

— né? fazia. Ela super entendeu.

— E é muito bom essa empatia. Ela que ofereceu isso e foi ela que ofereceu isso, porque a gente não tinha nem ideia que podia fazer isso.

— É. E a maioria assim, pelo menos o

48:08 senhor que eu tive, sinceramente, muito difícil aceitar isso. Essa é a verdade.

— Março, abril, maio a gente foi navegando com a água aqui que ainda não tinha baixado.

— E vocês chegaram a ter algum problema no comércio? Porque assim, teve muitas casas. Inclusive o meu estabelecimento foi afetado por essa tempestade. A gente tá lá com grave problema de infiltração e vocês chegaram a passar por isso?

— Não, graças a Deus teve

— na estrutura nada.

— Na estrutura nada, só mesmo afeta, né? A clientela, afeta,

— afeta as vendas, né? Isso.

— Afeta o psicológico.

— É o psicológico. É o meu afetou mesmo. A gente teve ali afetou mesmo o local, né? no nosso escritório foi drasticamente afetado, que tá reparando até hoje para você ter ideia. Ou seja, então já vários meses e a gente ainda se encontra lá com problema,

— não? E a gente até falou, viu algumas cidades totalmente debaixo de água. Aí a gente falou: “Nossa, graças a Deus a gente tá lá em pé”.

49:09 E como que foi eh essa transição, né, de vocês saírem de de armação de peira pra albufeira? Foi algo planejado? Foi uma oportunidade? Como conta um pouquinho da parte de albufeira agora, né?

— A transição foi tranquila, né? Porque a gente já tinha muito conhecimento, muito noal, então a gente já foi pra albo feira com todo conhecimento que a gente não tinha em armação, né? Que a armação foi mais ou menos tipo a aprendendo, né? E levando tapada e aprendendo e levando tapada.

— Eh, então foi tranquilo. Eh, até o as coisas fluíram. É claro que tem toda vez que você muda de um lugar, você tem que entender que você começa de novo. Esse foi a nossa que a nossa sacada, que é o que eu te falei, se eu tivesse a sabedoria que que eu tenho hoje, eu teria mantido as duas casas.

— Um, exato. Porque são públicos diferentes, né, também e uma sustenta a outra. Levou dois ou três anos pra gente

50:09 ir bem em armação. E a mesma coisa a gente sente em Albofeira, principalmente em Albofeira, porque em armação a gente entende que as pessoas de armação elas saem para outros lugares para conhecer.

— E tipo Portimão também, né? Esses lugares todo mundo sai para conhecer. Ah,

— ando 30 km ando, mas vou. Albufeira não. As pessoas de Albufeira elas ficam em Albufeira porque tem muita variedade lá. Então, a gente quase não tinha clientes em Albofeira quando fomos paraa Albofeira. E os clientes que a gente tinha ficou mais longe. Eu fui um deles.

— E você foi um deles. [risadas] Então tem gente, por exemplo, que vem de Portoão, vem, mas antes vinham uma vez a cada duas semanas, hoje vem uma vez a cada dois meses.

— Então assim, é uma diferença muito grande, né? Isso no dia a dia. Graças a Deus, o que nos salva sempre é recorrência. A gente sempre tem, a gente tem quase 85% de recorrência.

— Uau!

— Então a gente sabe que a pessoa é só chegar até lá.

— É só chegar.

51:12 Não, eu falo mesmo assim, sempre que alguém pergunta, e não é porque vocês estão aqui, tá? Mas sempre alguém pergunta, eu falo: “Ah, tem um OK Burger”. Eu posso não ir com tanta frequência sim porque eu sou de arma de de peira, né? Então, geralmente quando eu vou quero levar a esposa, os filhos. Então, geralmente a gente vai. A última vez que a gente foi depois do culto, né? Depois do culto, ou seja, que é quando a gente tá lá em Albofeira, tá todo mundo reunido, aí a gente vai.

— Ah, por sinal, para dar um adendo ao povo da igreja, a gente no final de semana vai ficar até a meia-noite, então vai ajudar um pouquinho, vacil.

— Ah, muito bem. Porque da última vez que a gente foi, eu liguei lá, falou: “Olha, tem como segurar um pouquinho? A gente tá morrendo de fome. Eu queria levei uma colega, uma advogada colega, né, que eu levei lá, inclusive, que ela, ah, eu ela é de Londres. E ela queria, ela falou: “Ah, não conheço nada aqui, vamos sair para jantar, comer alguma coisa”. Falei: “Que você quer comer lá? Tem algum hamburgueria, alguma coisa assim?” Eu falei, “Ó, tem uma muito boa.” Aí foi quando a gente foi lá e ela ela se tornou também cliente que ela falou que

52:12 já foi lá outras vezes, né?

— Sim. Então, a gente mudou esse horário por conta dos nossos

— irmãos [risadas] em Cristo que gostam de comer tarde. É,

— gosté e gosta de comer bastante.

— Sim, sim, sim. E mas é isso, né? Então, a gente tá conquistando os albuferenses, não sei se essa é a palavra para eles. Estamos, graças a Deus, fazendo a nossa casa lá, mas entendemos que leva tempo e que o processo é um processo duro, né? É um processo difícil, mas a gente já tá vendo também a recorrência no turismo. O turista do ano passado, ele tem que passar na Alburg, aproveitando,

— dia 5 de outubro estaremos fazendo dois anos de albufeira e vamos estar lançando um novo hambúrguer.

— É um hambúrguer com eh catupiri empanado. geleia de abacaxi com gengibre.

53:13 Nessa brincadeira 5 de outubro.

— 5 de outubro é uma segunda-feira. É

— nós estaremos lá, viu? Nós estaremos lá. Pode ir.

— Mas é uma explosão, porque você

— é uma explosão de sabor.

— A, eu amo catupiri.

— Eu amo catupiri. E aqui em Portugal a gente tem a dificuldade de ter um catupiri ali próximo ao catupiri, né?

— Então eu digo que é sabor catupiri.

— [risadas]

— para algum.

— Mas a gente achou um negó a gente achou um brasileiro.

— Alguns, é, já teve alguns que eu comi assim que lembra muito o catupiri do Brasil, né? Então

— é,

— agora eu fiquei ansioso pro dia 5 de outubro, ó. Coloca na agenda aí, viu? Que dia 5 de outubro a gente vai lá. Tem horário ou vai ser o dia inteiro?

— Isso vai ser o dia inteiro. A gente vai, ainda não precificou, né? vai est lançando uma promoção com ele. Então vai queç entra aí o a a batata com caroca

54:14 tá ficando cada vez mais interessante, Po.

— É, é isso aí. Isso aí. Então, porque a gente já trabalha com produtos de muita qualidade, né?

— Sim. O sheder de vocês é o melhor que eu já comi aqui, sinceramente.

— Desde quando a gente começou, a gente começou com ele, ele vem da Holanda, né? e aí a gente faz toda a a transferência de valor, né, pro Teico para poder ter um também teve que estudar ali para poder fazer isso.

— Tudo estuda, senão fica, não adianta nada você ter um brilhante e não souber lapidar, né,

— gente? Todas as vezes que eu vou lá, eu tenho que pedir a panela de sheder. Todas as vezes que eu vou no OK Burger, eu peço a panela de sheder. É sheder com bacon, né?

— sheder com bacon. Se você for lá, peça a panela de sheder com farofa de bacon que você não vai se arrepender. [risadas] É muito boa.

— E todas as vezes que eu fui lá, sem exceção, eu comia. Inclusive, inclusive, a gente teve um problema esse verão, que

55:15 por causa das guerras

— eles ficaram sem trazer por uma semana

— e o fornecedor não nos avisou. Então a gente não tocou.

— Hum.

— Nisso a gente ficou uma semana sem esse sheder.

— Meu Deus. E aí eu tinha um pouquinho, eu disse assim, vou eu criar, né? E eu comecei a criar, pegava um queijo, coloquei outro, ficou um pouco parecido assim o gosto, mas veio duas pessoas lá e falar assim: “Andreia, que negócio é

— É o que ela produziu ficou um pouquinho acima.

— Quem é quem era quem era novato não conhecia. Que delícia, né?

— Mas quem conhece [risadas]

— deu ruim, deu ruim. Que negócio horrível é esse? Horrível. [risadas] Eu não é assim tão ruim, né? Mas é isso.

— É que o pessoal tem jeito, jeito. Não tem jeito. Tem

— não. Acostuma. E é muito bom mesmo. Acho que a primeira vez que eu fui lá, eu acho que eu falei também do sheder. Eu falei aí você falou: “Ah, vem da Holanda

56:15 e tal”. Aí eu falei: “Nossa, esse Sheder é bom porque aqui a maioria dos que eu como em Portugal é ali.

— Shed é uma porcaria. Aqui em Portugal eles tm queijos muito bons.” Mas não é o Shad. É o Sheder.

— Falta o Sheder e o Catuppiri, né, para ficar bom. E referente à parte de legalização, eh, empreender no país, né, estrangeiro, como imigrante, vocês encontraram alguma dificuldade até mesmo na parte de a parte burocrática, né, que ninguém fala, porque você vai na internet, você vai encontrar, vem para Portugal, você monta seu negócio em um dia, não existe burocracia, só que quem tem negócio aqui entende, né? Olha, sinceramente, eh, se eu soubesse o que eu tenho que fazer hoje, eu não teria aberto um restaurante.

— Talvez um delivery, talvez uma coisa mais eh,

— simples.

— Simples.

— Eles tm muita exigência com a cozinha

— Eles têm licenças para tudo,

— tem licenças para música. Então, você tem uma música lá, você vai pagar 500,

57:17 600 € por ano

— de licença.

— Só para poder tocar uma música. uma musiquinha sem televisão ligada, sem nada. Você tem as licenças de tudo que você proporciona lá dentro, você tem que ter licença. Eh, até aí é, não é se chama cae, não é tão caro você, se você puser tudo de uma vez vai te custar um valor só.

— Mas eles têm fiscalização pesada em tudo. Então, assim, eh, de um lado é muito bom, porque te mantém sempre na linha, né? sempre mantendo as coisas super limpas, super organizadas, mas são com multas altíssimas. Por exemplo, vou dar só uma

— de exemplo, aquele aquela Ah, negócio para ver termo,

— termômetro,

— aquele termômetro de pistola.

— Se você não tem, é 15.00€ que você toma de

— Uau! Se você não tem um termômetro no restaurante,

— é 15.

— Ou seja, que você tem que verificar então a temperatura dos alimentos. todos

58:18 os dias

— e tem que anotar, tem um uma planilha.

— E isso é uma coisa que eu acho, é burocrático, mas eu acho muito seguro em Portugal, né? Acho que tem a parte ruim, mas tem a parte boa também, né? Que

— Sim, de um lado eu vejo como algumas coisas super válidas. Então, por exemplo, cada geladeira tem que ter tá numerada.

— Se você não tá numerada, você vai ganhar uma multa de 500€ por geladeira. Então, assim, mas faz sentido para mim isso.

— Sim. O, mas tem outras coisas que nem no Brasil a gente tinha que pôr e pr outro socorro no carro. O kit de primeiro socorro. Você tem que ter um lixo lá para reciclagem. Maravilhoso. Eu também gosto de reciclagem.

— Só que que a multa é 750 €. Só que eles não têm reciclagem. Ou seja, eu pego toda aquela reciclagem que eu fiz,

— junta tudo,

— junta tudo e pôr num saco. Então, para mim não faz sentido isso, né? Mas então tem essas coisinhas que eu

59:20 acho que faz parte, como no Brasil tem coisas que você não faz sentido, mas tem coisas que realmente tem muita verdade,

— Porque é para pensando no cuidado do cliente, né?

— E toda esse processo da cozinha. Então assim, eh venham com pensando nisso, né? Não é, tem que ter comabilista, tem que ter um consultor que vai, a gente tem um consultor que vai de surpresa, como se fosse umaai e vai ver os nossos erros pontuais para que a gente possa corrigi-los

— antes de uma eventual multa, né?

— Exatamente. Então, tem várias coisas que que precisa estar atenta. Não pode simplesmente abrir e dizer: “Oi, cheguei”. Não

— é o que muito brasileiro quer dar o jeitinho brasileiro, né? Então vem, quer abrir uma cozinha, eu sei um pouco, né? é referente a esse assunto, tem que ser industrializada, tem que ter, é tudo correto, né? E é muito burocrático para obter as licenças. Quando você for pensar em abrir um restaurante, você tem

1:00:22 que já de antemão pensar em duas coisas que a gente não sabia.

— Uma era ver se esse restaurante já está com a licença para a restauração.

— É a licença de utilização, no caso, né? senão, às vezes, você vai alugar um lugar e vai te levar dois ou três anos para conseguir essa licença ou não conseguir, porque leva anos para conseguir uma licença. Então, quando for alugar, já ter essa licença. E a segunda coisa que nos dói muito até hoje, que é a potência da luz. Quanto é que está a potência da luz?

— Potência contratada

— ou quanto se tem o a, como é que se chama, amor? mono monofásico,

— monofásico, trifásico,

— que foi o nosso a nossa em agora em armas em Albofeira,

— que a luz estava como uma luz de uma casa normal,

— ou seja, era uma luz monofásica, possivelmente uma potência baixa, né?

— Sua 6.9, porque agora para eu fazer, eu tenho que contratar um um engenheiro e tal e vai

1:01:25 me custar uns 10.000€ 1000€ Então, eh, vejam isso antes.

— Isso é muito importante porque assim, as pessoas vão ter atenção à licença de utilização do imóvel, né? É,

— então, muitos e muitos acham que é só ir alugar um lugar e tá tudo certo, eu posso fazer o que eu quiser. Mas aqui em Portugal e tem a licença de utilização e todo imóvel, independente do negócio, você vai abrir, você tem que ver se o local que você tá rendando, se você tá comprando, já existe a licença de utilização pro fim, né, que você vai utilizar o espaço, como eles estão falando. Então, eh, licença aqui em Portugal para você obter, só para contextualizar um pouco, para você obter qualquer tipo de licença é extremamente burocrático. Eles vão exigir, vão analisar, vão fazer vistoria, tem que pagar taxa, tem que se inscrever, tem que esperar. Ou seja, é algo realmente que você tem que ter atenção. Ou seja, não é somente ter uma ideia, uma boa ideia, mas é você, além de ter a ideia, é você verificar quando for comprar o imóvel ou até mesmo e arrendar ou até

1:02:26 mesmo fazer outro espaço, né? E você tem que verificar a licença de utilização do imóvel, porque é algo que vai impactar diretamente o seu negócio. Então, outra coisa que eu vejo também, eu sei que só passando, que eu vejo em muitos restaurantes, é que as pessoas não fazem o CMV. Que que é o CMV? É o custo

— de custo médio, o custo médio do produto

— ou o custo médio da venda, que é o V, né? Então as pessoas vão lá e dizem assim: “Ah, esse meu meu produto vale 10 € ela não entende que ela tem que multiplicar pelos custos operacionais, pelos custos não operacionais, os custos fixos, os custos variáveis e e também o IVA.

— E aí a pessoa põe um valor lá, eu já vi isso em vários restaurantes. Um valor do prato era 10, outro valor era 17. E e aí eu fui perguntar para ajudar. Ah, e aí, mas como é que você vê isso? Ah, eu vejo pelo pela minha ideia na minha

1:03:27 cabeça, eu disse: “Não, não é bem assim que você faz, né? E se quiserem pedir a nossa ajuda de como fazer isso, a gente pode est ajudando os restaurantes, como como entrar, como pensar no valor estratégico e dê um lucro, porque senão não adianta nada você trabalhar para pagar o custo só.” é que na verdade a precificação ela pode eh tanto atrair o cliente errado como afastar o cliente certo. Ou seja, a precificação, eu diria que ela é um dos pontos mais importantes que tem, né, para qualquer negócio, seja uma área de serviço, de produtos, porque você tem que ter o custo fixo, o custo variável, a sua margem de lucro e também, obviamente, os impostos, né? Então assim, muitas pessoas, é o que você disse, eu conheço, inclusive eu quando comecei eu não fiz nada disso. Eu falei: “Ah, eu acho que isso daqui meu serviço é X, eu acho que X eu tenho uma margem boa, tá tudo certo, sem considerar absolutamente nada. Hoje, né, com mais experiência, eu entendo que eu

1:04:27 tenho que ter a minha margem de lucro que eu quero obter naquele produto, né, no meu caso, meu serviço, o custo fixo, qual que é meu custo fixo, qual é o meu custo variável, também os impostos. E aí sim eu chego e muit das vezes muitos empresários, inclusive eu sou um caso muito vivo deles, quando você vai ver a sua precificação da maneira correta, você vê que você tá perdendo dinheiro,

— você literalmente tá pagando para trabalhar. Apesar muitos empresários, o que que eles fazem? Eles olham lá o caixa, o saldo bancário. O o saldo bancário muit das vezes é algo bonito demais, só que não reflete a realidade do negócio.

— Às vezes é só o

— às vezes é só o número. É o número alto,

— só a rodagem. É rodagem de caixa. Você não,

— eu vejo muitos restaurantes aqui que você vê que eles estão com um preço e eu vejo que eles estão ganhando pela quantidade, mas você vê que eles não estão ganhando dinheiro, eles estão só rodando caixa.

— Só tá rodando caixa. Você vê um valor muito alto entrando para você. Você tá

1:05:29 tendo, né, lucro. Só que quando você vai ver, igual quando eu descobri muit das coisas que eu fiz, refiz toda a precificação dos meus serviços, eu vi que eu estava literalmente perdendo dinheiro em muitos serviços. E eu olhei assim, eu falei: “Pois é, a diferença que traz quando você entende que você vai precificar da maneira correta, você entende que não é só olhar para um número, achar esse número convém, o meu concorrente cobra X, eu vou comprar X também”. E aí, que é o que muitos fazem, né? se baseia com base concorrente, ou seja, pega uma hamburgueria, fala: “Ah, se ele cobra 10€ no combo, no menu, eu vou cobrar 10 € também.” Mas às vezes ele tem um fornecedor mais barato, ele não usa um produto de tanta qualidade, ele não fez a precificação correta e às vezes se você for por ele, eh, você tem um negócio que na verdade você tá pagando, né, na verdade para poder

— trabalhar, né? Uma coisa que é muito importante, que eu demorei para entender, né? eh, como empresário, é que eu percebi que eu não queria ser o mais barato, eu queria ser o melhor e o

1:06:30 melhor ele nunca vai ser o mais barato.

— Então assim, se eu chego e te ofereço um uma bolsa, vamos se dizer, uma bolsa da Luiz Vitton por 50€ você vai acreditar que é uma bolsa verdadeira?

— Jamais. Hoje eu tentei por muito tempo ser o melhor e ser o mais barato. Hoje eu entendi que os dois não vivem na mesma linha. Ou você é o melhor, ou você vai ter o melhor hambúrguer, a melhor batata, o melhor molho, ou você vai ser hamburgueria mais barata. Um exemplo caso que a gente acho que pode citar aqui é o próprio McDonald’s.

— eles é barato, mas eles não são os melhores.

— De longe, não são os melhores. Então assim, isso é muito importante quando a gente cai essa ficha. Eh, o que que nós queremos ser como empresários, né? O que que, no meu caso, o que que a Seven quer ser? Ela quer ser a mais barata? E foi quando eu olhei, eu falei: “Não, eu não entrego o serviço mais barato, como vocês são produto, né? No meu caso é serviço, eu falo, eu me dedico ao extremo. Eu não tenho, não tenho dó de contratar, não tenho dó de investir em ferramentas, no estudo. Por quê? Porque

1:07:31 eu não quero ser o mais barato, eu quero ser o melhor. Só que aí o que eu tava vendo era essa discrepância. Por quê? Porque eu era o tava sendo o melhor, só que [roncando] eu era um dos mais baratos. Aí foi quando eu falei, foi quando eu estudei precificação, foi quando eu vi, eu falei e aí eu comecei a entender esse jogo, né? Que ser, né? Assim, eu vi que eu tava cobrando justamente, né? Eh, tava cobrando errado, essa é a verdade, né? Então, tava cobrando muito abaixo da qualidade. Eu entregava muita qualidade e cobrava muito barato. Então eu falei, tem alguma coisa aqui errada, tive que estudar, perder noites de sono, aprender, entender. E aí foi quando cheguei à conclusão, OK, tenho que fazer a nova coisa coisa, né? É bom, né? Você perder tempo no estudo,

— porque algo que ninguém te tira, né? Ou seja, se o negócio não dá certo hoje, você abre outro, você mais se já você nunca fala, né? Quando você fecha um negócio e abre outro, um negócio faliu, você abriu outro, você nunca começa do

1:08:32 zero, porque a experiência acho que é o o ativo mais valioso que você pode ter.

— E vem do fracasso, muit das vezes eu fracassei em algumas empresas no Brasil, aqui em Portugal, mas tudo hoje me trouxe, né, a sabedoria, o entendimento, o conhecimento que eu tenho hoje, que eu não teria sem ter passado por tudo isso, que dói bastante, né? Mas, né,

— faz parte,

— faz parte, faz parte. Hoje, como que tá o posicionamento de vocês no Instagram? Qual que é o seu os canais de aquisição hoje? Como que alguém acha OK Burger? É indicação, boca a boca? Eh, como que é essa parte de vocês estão? Hoje a gente tem muito forte a Google que nos ajuda. A gente tá com quase 100 avaliações. Au,

— a qu 4.9. Então, vem muitas, muitas pessoas de lá. Eh, temos muito boca a boca também, então quem indica indica sempre. Nosso Instagram, graças a Deus, também tá bombando, né? A 20.000, 20 e poucos mil,

1:09:34 né? Então o TikTok tá vindo sendo uma ferramenta que tá nos surpreendendo agora,

— né? Que a gente não sabia. O ano passado a gente deixou na mão de uma funcionária, porque a gente nem entendia nada. [risadas] E tem vindo vários clientes da TikTok sem a gente fazer nada nele. Se só posta um videozinho ali,

— uma coisa ou outra.

— e é isso, né? Assim, todo o processo tá sendo a nosso favor, né?

— E vocês investem hoje em tráfego pago? Alguma coisa?

— A gente tem um budget de 120 €

— só no meta, né?

— só na meta.

— Na meta. Aí a gente tem o Google,

— Google Ads.

— Sim. E que pra gente também é uma novidade agora porque a gente criou um um app, né?

— Ah, já criaram já. Isso que já é uma máquina de venda, já é um próprio cardápio que já liviver.

— Por sinal, Daniel está fazendo aplicativos. Olha.

— Sim, sim. [risadas]

— Então, temos aí mais um,

— todo o app foi criado por ele.

1:10:35 Temos mais uma especialização do Daniel, E aí é porque a gente fica um pouco livre, né, na parte da manhã e uma parte da tarde. E aí fala, vou fazer,

— vou desenvolver, principalmente no inverno, né, que

— desen é começou querendo fazer um site para nós e e a gente tem grana de fazer investir nisso.

— Aí ele começou a estudar disso, desenvolveu o site e depois o aplicativo veio naturalmente, né? Então as pessoas

— e tem ajudado também ali

— eu mesmo sou amante de pedir assim, nossa, pedir pelo aplicativo é para mim é muito a facilidade. Você vê ali, pede ali rapidinho. É

— essa parte é muito boa.

— Bom, é. E aí então agora o Google, o Ads é é uma novidade muito boa, porque ele tá dando muito, muito resultado, né? mesmo que seja novo, tá tá tá tendo muito pedido pelo app, [roncando] cai diretamente no WhatsApp, WhatsApp já vai

1:11:36 pra cozinha, né? Então a automação tá bem legal, não tá aquela gritaria pequena

— e faz entrega na onde hoje? Só em Albufeira,

— por enquanto só no raio de 5 km,

— mas quem sabe mais para

— é se fazer entrega em perira, talvez com uns pedidos meu lá, viu? [risadas] que hoje é muito difícil lá inteiro assim. A gente tinha vocês, infelizmente não temos mais,

— mas quem sabe, né?

— quem sabe, quem sabe a gente consegue uma dark kit, né? Em gravação.

— É, [risadas] fica bom aí. Fica bom.

— Já tem experiência no local, já são conhecidos, então

— é bom, muito bom.

— Mas é isso, a rede tá bombando, tá indo bem,

— tá indo bem,

— tá indo bem. Aí pessoal tá que não conhece, tem curiosidade, já ouviu falar de alguma maneira, tem muita gente que chega lá fala: “Poxa, eu tenho visto o seu Instagram faz três meses só agora que eu pude vir e tal”. Então o que a gente quer se aproximar mais desse pessoal para não ficar tanto tempo isso,

1:12:36 né? Vendo, vendo, vendo com água na boca, né?

— Sim. E uma coisa assim é aproveitando, deixando só um insight para vocês que eu tenho visto e presenciado nas minhas redes sociais é quando a gente coloca a cara do dono, como muda, como gera conexão, né? Então é muito bom quando imagina, ah, o Daniel, é o André, aí chega lá e você está no balcão, atende, é bem recebido, isso é uma, dá uma baita diferença ali também, sente mais próximo, né, gente tímido ainda. Vamos emagrecer, vamos [risadas] fazer umas melhorias [limpando a garganta]

— e aí a gente, quem sabe.

— Ah, mas eu também sou. Mas assim, acho que pra gente hoje como empreendedor, a gente já fez mais difícil. Isso é é abrir a câmera. Muit das vezes o canal mesmo da SEVEN Cast foi algo que nasceu no meu coração, mas com muita dificuldade. Falei: “Mas eu vou apresentar, eu não gosto de câmera, eu quase não tiro foto, sou tímido, mas graças a Deus, né, a gente tá tá aí, já tá crescendo, tá com os projetos muito bacana. Então é só uma dica também para

1:13:37 vocês que eu acho que vai aproximar ainda mais esse público assim porque já tem um ótimo atendimento e vendo ali a proximidade das redes sociais, eu acho que é algo bem interessante de vocês explorarem. E referente à parte de imigração, como que foi? Foi tranquilo para vocês? Tiveram problema com os documentos? foi bem difícil, eh, porque a gente veio casar do Brasil e eu sou portuguesa, então quanto a a minha parte tava tudo tranquilo, só que a gente tentou primeiro, a gente entrou na pandemia, então já deu,

— já dificultou bastante. É,

— eh, tentamos fazer por contrato de trabalho com o Daniel, não deu certo

— a manifestação de interesse,

— sim, na época, não sei por, não deu certo, não aceitaram. Eh, a minha filha mais velha, ela tinha entrado com dupla cidadania 3 anos antes de eu chegar aqui em Portugal.

— E eu ainda estava em processo de divórcio com meu ex,

— OK?

— Então, eu tive que fazer todo o processo

1:14:40 legal de me divorciar do meu do do exatal.

— Isso. Ela ela apresentou a certifica a certidão de casamento aqui.

— Sim. Então eu tive que fazer todo o processo de divórcio

— para depois a ver o casamento.

— Depois a ver o casamento. Então foi um processo difícil, porém tive um advogado maravilhoso. E ele ele mesmo fez todo o processo de colocar o Daniel,

— cuidou de tudo, fez reagrupamento familiar, fez

— isso tudo. E aí foi tranquila, mas foram mas isso foi depois da pandemia só, né? Tr anos n

— Daniel ficou três anos sem ir ao Brasil por esperando a residência dele

— e já foram ao Brasil então depois que estão aqui já

— foram passear.

— Eu vou mais do que ele. Mas eu [risadas]

— vai todo ano. Eu

— eu vou tenho netos. Eu tenho que

— E olha que ela não é brasileira né?

— E ela que vai. É.

— Eu deixei três filhos e dois netos lá. Então eu tenho.

— Tem que ir, né?

— Tenho que ir. Desculpa. Aí [risadas]

— eu queria uma pergunta bem sincera de

1:15:41 vocês. O que que vocês falaria pro Daniel e pra Andreia no primeiro dia que vocês fizeram em Portugal hoje com tudo que vocês passou? O que vocês diriam para vocês mesmo lá no passado?

— quanto você cresceu? Até me emociona. Desculpa. [risadas] Eu falaria: “Seja forte, seja corajosa e Deus é bom.

— Vai dar certo.

— Deu certo. Gente, uma honra recebê-lo vocês aqui. A gente tá se encaminhando pro final. Eh, eu queria aqui deixar a pergunta do do último convidado, do nosso convidado Patrick. A pergunta dele foi: “O que que vocês fariam se o seu negócio hoje fechasse? Se vocês quebrassem? Quem seria o Daniel e a Andreia?” Eu acredito que Daniel e Andreia continuarão sendo Daniel e Andreia, porque a gente não a gente não vê nosso sucesso mensurado na

1:16:42 OK, a gente só faz o nosso melhor e a gente quer fazer a diferença. Mas a OK é OK. E o Daniel e Andreia são pessoas que sabem que se o momento tiver que mudar ou crescer ou vender ou o que for a decisão feita, a gente continua de cabeça erguida, a gente continua indo na vontade de Deus, porque é ele que nos rege, né? Então eu diria isso, eu diria que a gente não está dependendo da OK Burger para ser nós as pessoas, né? Nós somos, nós queremos fazer diferença na Burger. A gente quer fazer a diferença nas pessoas que vão na Burger, mas isso não nos afeta pessoalmente.

— OK. É só uma extensão de vocês.

— Exatamente. E se a gente tiver que fazer a diferença em outro lugar, a gente vai fazer a diferença em outro lugar.

— E o caminho a gente já conhece.

— O caminho já conhece. Muito bem.

— Agora assim, e se você me perguntar hoje tá 9.000 1 empresas falindo no Algarve e

1:17:43 você fala assim: “Cí eu falaria, a gente não, a gente não tem plano B, a gente não vai desistir.

— Só o plano A,

— só o plano A. Então a gente tem que seguir em frente, não importa o quê, porque eh não temos outra opção além de seguir a Deus e fazer o que ele quer.

— Muito bom. Agora eu queria que você deixasse uma pergunta para o nosso próximo convidado que vai estar aqui no SEVEN Cast. Gostaria de perguntar ao próximo convidado, quem é seu maior concorrente?

— Muito bem, [risadas] tá lançada a pergunta: Quem é o seu maior concorrente? Gente, foi um prazer, um gosto mesmo tê-lo vocês aqui comigo. Conhecer um pouco da história que eu acho que eu não conhecia 5% da história de vocês, né? Então, conhecer esse lado da da Andreia, do Daniel, eh, foi muito prazeroso. Muito obrigado por aceitar esse convite, tá aqui juntamente comigo e eu tenho certeza que no dia 5 a gente vai est lá e eu fico esperando também a

1:18:43 carne louca, viu? Vou cobrar.

— Pode deixar, vai, [risadas] pode deixar. A gente vai fazer.

— Esse foi o SEVEN Cast. Estivemos aqui hoje com o Daniel e com a Andreia, pessoas maravilhosas e são os fundadores da OK Burger. Continue acompanhando o nosso canal que vem muitas novidades e muito participante tão interessante quanto eles por aí. Não se esqueça de se inscrever no nosso canal, ativa o sininho e também siga o K Burger. Tenho certeza que se você for daqui do Algarve, vai valer a pena você visitar a hamburgueria deles, porque é muito boa. Muito obrigado. Se você assistiu esse podcast for no OK Burger por conta deste episódio, deixe lá, avise eles e deixe aqui o seu comentário também.

— Se você for dizendo que veio pelo podcast da Seven, a gente vai te dar uma surpresa.

— Olha, muito bem. Então, ó, exclusiva, se você for na OK Burger falando que assistiu esse vídeo, eh, vai ter uma surpresa para você lá no dia, confirmada aqui pela própria

1:19:45 Andreia. Gente, muito obrigado. Esse é o SEVEN Cast.

Deu problema? Pensa na SEVEN.