"O banco mandou eu fechar a empresa": a história do CEO da Glória Assertiva
Mayck Coelho Figueira, da Glória Assertiva, fala de imigração sem documentos, residência e nacionalidade, e de como a empresa quase fechou e virou referência em obras.
Sobre o episódio
Neste episódio da SEVEN Cast, recebemos Mayck Coelho Figueira, fundador da Glória Assertiva, empresa de obras, remodelações e construção no Algarve. Natural de Ji-Paraná, em Rondônia, Mayck começou a trabalhar aos 12 anos numa pizzaria, cresceu ajudando o pai na construção civil e, aos 18 anos, deixou o Brasil rumo a Portugal, onde vive há quase 15 anos. Ele conta como foi passar pela imigração no aeroporto de Lisboa, o medo de viver sem documentos e os primeiros trabalhos na restauração em Albufeira.
Mayck fala abertamente sobre os momentos mais difíceis da sua jornada como imigrante e também conversamos sobre o cenário atual da imigração em Portugal, as fiscalizações, a diferença entre residência permanente e nacionalidade portuguesa e as novas regras que aumentaram o prazo para pedir a cidadania.
Na parte empresarial, Mayck revela como a Glória Assertiva nasceu em 2019 como empresa de TVDE (Uber), quase fechou no primeiro ano quando dois bancos disseram que ele estava “cavando um buraco” e se reinventou no ramo da construção ao lado do pai. Hoje a empresa já fechou contratos de mais de 150 mil euros. Um episódio sobre fé, persistência, palavra cumprida e a coragem de não desistir, com conselhos práticos para quem quer empreender em Portugal.
Principais pontos
- A chegada pelo aeroporto de Lisboa aos 18 anos e o medo de viver sem documentos.
- O cenário atual da imigração: fiscalizações, residência permanente e nacionalidade portuguesa.
- As novas regras que aumentaram o prazo para pedir a cidadania.
- Como a empresa nasceu no TVDE, quase fechou no primeiro ano e se reinventou na construção.
Transcrição
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0:02 A vida é assim, mas eu gosto da vida assim.
— E eu tinha certeza que era a área que eu iria voar.
— Era para me proteger. Não tinha documento, não tinha nada. Sonhos eles não foram criados para ser apagados.
— Combinado? Hoje nós teremos aqui um assunto muito concreto e firme. Hoje estou com especialista em obras e remodelação e construção. Mike, muito bem-vindo. Um prazer recebê-la aqui. E vamos lá. Quero conhecer um pouquinho do Mike. Quero que você se apresente, fale ali um pouquinho de você, da onde
1:03 que você é. Eu quero saber um pouquinho da sua origem. Olá, muito bom dia. Uma decisão que eu tomei há 7 anos atrás mudou muito a minha história. Nós aqui mesmo e você que tá aí atrás dessa tela, quantos de nós já não tomou decisões que nos levasse a algo tão difícil, né? Me chamo Michel Coelho Figueira, tenho 33 anos e moro cá em Portugal já há 15 anos. Eu sou de uma cidade onde muitos aqui em Portugal, eh, aqui em Alpheira mesmo, acha que é só mato, não é, gente? Rondônia não é só mato. Rondônia é uma cidade maravilhosa. Sou do estado de Rondônia, Gip Paraná, a qual muitas pessoas
— temos bastante parente lá, por acaso,
— faz confusão de Paraná com Paraná, completamente diferente.
— Completamente diferente.
— Mas lá eu cheguei a fazer os meus estudos até aí o o nono ano e depois disso daí abandonei a
2:05 escola. Eu não não queria mais, queria curtir a vida, né? Nós jovens chegamos a um determinado momento que quer curtir a vida. Fazia muitos serviços, cheguei a trabalhar. O meu primeiro serviço, não me esqueço, como hoje era numa pizzaria. Eu fui trabalhar numa pizzaria chamada Big B.
— Quantos anos?
— Eu tinha 12 anos de idade.
— 12 anos. Au.
— Quando alguém quiser ir, pode ir lá. Big Bang, uma melhor pizzaria da cidade. E eu fui lá para juntar pratos, era trabalhos na quinta-feira que era dia de rodiz e eu fui só mesmo um dia, uma vez por semana, fazia vários levantamentos, era 4 horas de noite só trabalhar, muito pensativo, muito exaortivo. E dali então eu comecei a entender o poder dos seus objetivos financeiros, porque até então eu sempre trabalhei com o meu pai, ou seja, ajudava os meus pais a construir a casa, fazer massa, carregar tijolo e por
3:08 aí vai. Não tive, entre aspas, uma infância como hoje eu dou aos meus filhos.
— Ou seja, seu pai já era da área? Então,
— meu pai já era da área da construção civil. Então você só foi seguindo o mesmo caminho o o que seu pai já havia trilhado.
— Exatamente.
— Foi seguindo os trilhos do seu pai.
— Exatamente. E depois de um determinado tempo, né, que ao passar desse episódio de de pizzaria, eu comecei a querer crescer, desenvolver dentro da própria empresa. Então eu cheguei ao meu chefe e disse: “Olha, eu já não quero trabalhar só uma vez por semana, eu quero trabalhar lá dentro fazendo montagem de pizza”. como é que como é que a gente faz para fazer telar. Aí surgiu uma oportunidade, ó, já subi de escalão, olha.
— E aí foi foi muito bom. Depois tive a desenvolveram lá na pizzaria, depois fui mudado para outra que ele
— Isso ali ainda novo, ainda 12, 13 anos.
— Is novo. Isso ainda novo. Isso ainda novo.
— Começou cedo também.
4:09 Não, não tive a uma infância 1 maravilhas. Não era trabalhar e trabalhar pouco tempo para brincar. bastante horas para estudar, tinha que estudar também, porque eu sempre meus pais diziam: “Estuda, estuda para tu não continuar a mesma coisa que eu, ó, 33 anos, tô aqui fazendo mesmo que meu pai”.
— É, e é uma coisa que você falou que eu acho que é muito interessante, né? Eu acho que o nosso teto, né, que eu também comecei a trabalhar muito cedo, acho que com 11, 12 anos já trabalhava também, só que hoje eu vejo que o meu teto é a base dos meus filhos, né? Então hoje o que era o máximo para mim naquela altura, hoje é o mínimo, é a base que os meus filhos têm. Eu acredito que assim como você, né? Isso é muito gratificante também, né? Saber que um dia que aquilo que foi objeto, algo que a gente era luxo, hoje ser o básico dos nossos filhos, né? Eu acho que isso
— sim é uma coisa que não tem preço, Danil. Imagina a minha infância e eu sempre quis ser um uma pessoa do esporte, né? Eu também jogava futebol na
5:11 escola. Ganhamos várias medalhas de aquelas interclasses que se chamava lá.
— E hoje aqui eu posso proporcionar para os meu filho, para os meus filhos aquilo que eu não tive a oportunidade devido o esforço, né, dos meus pais. E eu reconheço muito isso. Hoje eu tenho um filho em Barcelona jogando basquete. Se Deus quiser, já vamos encaminhar ele para o profissional. Tem equipes lá que tão de olho nele. Já aqui no Algarve, ele representou a seleção do Orgatro vezes consecutivas.
— Nossa,
— ou seja, para mim é extraordinário. Ou seja, é um investimento que a gente faz para ele que quando ele olhar para trás vai falar: “Caramba, meu pai conseguiu fazer isso por mim e eu tenho que aproveitar isso”. Já no meu caso não, né? Talvez não seja o seu, mas eu não tive essa oportunidade. Todas as vezes que eu tive aquelas pequenas oportunidades era quando dava um passo caía dois três. Quando dava outro passo caía dois três. Era difícil naquele tempo. Hoje em dia,
— hoje é mais fácil, né?
6:11 Muito mais fácil.
— Ou seja, nossos filhos começam aí com uma base muito boa, graças a Deus, né? Graças.
— Isso, isso é muito gratificante. Significa também que a gente teve uma boa criação e a partir daquilo a gente também desenvolveu e fizemos ali algo eh para que nossos filhos pudessem ter o que um dia pra gente foi o luxo, né? E hoje tá proporcionando isso, acho que para um filho é é um sentimento inexplicável, né,
— Danilo? Quando a gente pensa em luxo naquele tempo, eu vim inteiro o meu tênis da Nike na altura. saiu Nike Shock. Eu tinha quase 15 anos de idade. Minha mãe trabalhou muito e parcelou ele em quase um ano. Ou seja, para mim ter o meu primeiro tênis da Nike, tênis de marca, porque antes era chinelo no pé, jogar bola com chinelo no pé. Ou então eu usava aquele tenizinho chamado rainha.
— Rainha. Já tive.
— Usei muito isso. Usei muito. Hoje em dia
7:12 não. Hoje em dia os meus filhos, pai, eu preciso de um tênis.
— Vamos lá e compra outro. Pai, eu preciso, o meu filho mesmo, esse o Luís Henrique, ele compra no mínimo oito pares de tênis por ano
— por causa do basquete.
— Ah, sim. É, tem.
— Ou seja, e a lapa é grande, é 43, é mais do que eu. Ou seja, para nós naquele tempo era luxo.
— Era luxo.
— Hoje em dia já não é assim.
— É algo comum, né?
— É o comum para nós. Graças a Deus por isso.
— Isso é exato. E você já chegou a empreender no Brasil? H, já teve algum negócio lá no Brasil antes de vir para Portugal?
— Não com as minhas próprias mãos, mas tive a participar conjunto com os meus pais antes deles abalarem para antes de vir para Portugal, pra Europa,
— OK? Hã, o meu pai construiu um lava-jato e nesse lava-jato a gente começou a trabalhar em conjunto até um determinado tempo que ele saía e eu começava ficar
8:14 tomando conta do lava-jato. Ou seja, logo quando eu saí da área da da pizzaria, eu comecei a entender como é que funcionava esse tipo de negócio. Então,
— o mundo dos negócios.
— E você tinha quantos anos
— lá? Eu tinha 18 anos já. Já fazia perto dos 18. Ou seja, quando a gente começa a entender isso, a gente começa a agregar valores e responsabilidade nas nossas costas que a gente fala: “Uau, aqui é outro nível”.
— Aqui é outro nível. Exatamente.
— É, mas é no Brasil em si, com as minhas próprias mãos.
— Não, nunca chegou aí. Com quantos anos você saiu do Brasil para vir para Portugal? Você veio direto para Portugal? Foi para um outro país?
— Não, vim direto. Vim direto para aqui porque logo ao completei os 18 anos, eu vim embora. passar para aí um mês e meio, mais ou menos.
— Nossa, com 18 anos, então
— já cheguei aqui a trabalhar.
— Sua família tava aqui, como que foi essa decisão?
— O meu pai já tinha vindo para cá, depois ele foi pra Espanha, depois da Espanha voltou para cá outra vez. Foi
9:14 só seu pai ou seu pai e sua mãe?
— Não, meu pai e minha mãe sempre andaram os dois juntos.
— Os dois juntos. Aí depois vieram. Aí depois você veio para Portugal também. Exatamente. Primeiro veio a minha irmã, depois veio o meu pai, o meu irmão e depois a
— São em três.
— Somos em três.
— Ah, igual lá em casa com M e tudo faz de dois dois.
— Olha lá em casa é são três e tudo com D.
— Olha aí
— lá é tudo com D. E como que foi quando você chegou aqui o primeiro dia? Você se recorda? Como que foi essa chegada em Portugal? O que que você sentiu de diferente? Como que foi essa parte? Foi um desespero. Quando eu bati o pé no solo ali na em Lisboa, eu falei: “Uau, mudei de país, vida nova, pessoas novas, diferença.”
— Sim.
— E aí quando eu passei pela, tava chegando na minha vez da imigração, o pessoal lá, o polícia, ele olhou para
10:15 mim assim e disse: “Que que você veio fazer aqui?” E eu: “Iso é comum. Eu acho que quase todos dizem isso, que veio passar férias, venha turismo, venha turismo. E foi a minha minha resposta. Não, eu vim visitar os meus pais, acabei os estudos e vim de férias. Aí ele olhou para mim de cima a baixo, mas quem tá aqui? Eu falei, acabei de dizer meus pais. E aí já nervoso, nervosíssimo, puxei um papelzinho do bolso com o número de telefone, disse: “Olha, isso aqui é o número do meu pai. Ele tá ali fora em me esperando. Eu é só ligar para ele que ele resolve. Aí ele olhou para mim de cima a baixo outra vez, mandou eu olhar para trás. Aí eu olhei aquela imensa, aquela fila grande e disse assim: “Imagina se eu tivesse que ligar para todo mundo aqui”. Falei: “Meu senhor, eu vim visitar os meus pais”.
— Só temos duas opções, porque eu já tinha ouvido tu já falar muito sobre isso. Ou o senhor me deixa entrar ou o senhor me manda para trás.
— Tem a salinha. Não chegou a ir pra salinha.
— Não cheguei pra salinha. O poder é seu. Eu disse mesmo isso. Ou o senhor me
11:17 manda para para ver o meu pai ou o senhor me manda para trás. O poder é seu. Aí ele olhou para mim assim, olhou pro outro, o que tava ali ao lado, pegou no carinho, pá, bateu. Bem-vindo. Aí
— entrou.
— Já saí, já
— saiu
— chorando, tremendo, alívio, tudo. Mas foi muito bom. Quando cheguei na casa da minha mãe mesmo, eu disse: “Uau, agora é real”.
— Foi em qual cidade que seus pais moravam? Aqui é um feira.
— Aqui é alfeira. Ou seja, veio direto para algar, viu?
— Morava na pato. E aí eu cheguei lá, a primeira noite lá tinha uma uma sacada, né? Uma varanda. E eu fui lá para cima, fiquei olhando o céu estrelado e falando com Deus. Falei: “Deus, obrigado por tudo. Nunca imaginei mesmo estar aqui, mesmo os meus pais estando aqui, porque queira assim, queira não, nós temos uma história lá atrás”. Exato.
— E eu acho que a grande dificuldade do ser humano é querer se desligar de vários cordões bilicais. Isso é muito
12:18 difícil, mas foi uma maravilha. Deu um pulo no mar achando que seria primeira vez que eu vi o mar. A pá, com água salgada na boca
— e gelada, né? Uh. E bem gelada.
— Bem gelada. Bem gelada.
— Água de Portugal é muito gelada, gente. Muito gelada.
— Muito gelada. Mas que depois disso tive dois dias só
— Uhum.
— sem fazer absolutamente nada. No terceiro dia, por causa daquelas amizade que temos nas igrejas,
— claro,
— já arrumaram um serviço para mim. E o meu primeiro trabalho foi no Picanha na Brasa, que era uma antiga proprietária, dona Marilde. E eu ali fui trabalhar na Copa, mas eu era todo paraa frente, todo para frente. Queria trabalhar na Copa, mas queria trabalhar com chapéu de cozinheiro, queria trabalhar de bata tudo branco. E foi foi muito bom, foi extraordinário. Foi uma coisa que eu comecei a entender que não é só Portugal em si, é várias culturas que estão aqui dentro.
13:20 Sim, exatamente. Eu falo que Portugal tem diversas culturas. Eu trabalho com imigração, então assim, eu vejo tanto de cultura, o tanto de nacionalidade que eu atendo, assim, muita nunca imaginei ter a quantidade de contato com tantas culturas diferentes, né? Portugal proporciona tudo isso. Você vai num McDonald, você pega um Uber, cara, você encontra todo tipo de nacionalidade, né? É, é a parte assim que eu acho muito bacana de Portugal, porque no Brasil a gente acaba não tendo, não tendo essa oportunidade, né? Então aqui em Portugal a gente tem essa oportunidade e esse contato ali com bastante cultura diferente da nossa, bastante nacionalidades também diferentes que no Brasil a gente não teria acesso, né?
— Exato. Lá as minhas professoras sempre diziam: “Estudas inglês? Tu tás a faltar aula, tás a matar aula.” E eu dizia assim: “Ah, vou estudar inglês para quê? Falar com os animais, falar com os macacos”. E
14:21 quando eu realmente comecei a trabalhar na área da hotelaria cá em Portugal, eu disse: “Uau, todo mundo fala inglês aqui e eu que eu sei falar, só sei me apresentar. My name is Mike, nada mais eu sabia. Por quê? As aulas para mim do inglês não fazia muito sentido, mas aqui quando a gente trabalha no Algarve é muita porcentagem, tudo na demanda do turismo. Ou seja,
— sim,
— você tem que aprender.
— O Algarve é o que eu falei, eu falei no no outro episódio que o inglês é quase que uma língua nativa aqui, porque é o essencial para você viver no Algarve, é o essencial você falar em inglês. Infelizmente nós viemos de uma cultura de que é muito até ridicularizado quando você tenta falar inglês. Eu sempre eu sempre tive assim muita vontade, sempre gostei muito da língua inglesa. Eu lembro que quando eu tava ali, acho que na quarta série, minha mãe tinha diversos livros, ela sempre incentivou bastante e tinha diversos livros de
15:23 inglês. E na quarta série eu pegava aqueles livros de inglês, aí tinha no final um dicionário e eu traduzia toda a história. Então assim, eu sempre tive muito gosto por isso. Eu lembro que eu fiquei muito ansioso para entrar na quinta série, porque eu teria aulas de inglês. Só que aí quando eu tive aula de inglês, eu percebia que o básico que todo mundo tava aprendendo eu já sabia. E quando você tentava falar com algum amigo, alguma coisa que você aprendia, eh, era sempre ridicularizado,
— né? a gente tem essa mania de zombar quando alguém tenta falar inglês, aí começa a fazer piadinha e isso desmotiva muito. Então isso assim, ao decorrer da minha vida, foi uma das coisas que que eu acho que me atrapalhou muito. Infelizmente a gente vai dando ouvido, essas coisas, vai desanimando. E eu travei muito no inglês por conta disso. E aqui em Portugal é totalmente diferente,
— completamente diferente. Não que seja inveja, mas eu olho para o meu irmão e eu digo assim: “Caramba, como é que você tem essa oportunidade e você num alavanca de uma maneira que tu não
16:24 consegue, tu não ou tu não queres porque ele fala inglês, Danilo? Fluente, tu escuta eles a falar em inglês, parece mesmo um inglês original. Ou seja, ele teve um um relacionamento com a pessoa de Israel, eh,
— e ela falava só inglês com ele, muito pouco português. Ou seja, daí deu muita
— desenvolveu
— além da escola, desenvolveu muito. Eu falo pouca coisa, eu não sei falar assim, mas eu tenho muitos clientes ingleses, mas é aquilo, quando não vai nas palavras, vai na mímica. Quando vai na mímica, a Google tratou e vai embora.
— Sim, ex.
— Ou seja, eu preciso, nós precisamos. Se você quer evoluir na sua vida, você tem que aprender outras culturas, você tem que aprender outras línguas, você precisa disso. E o inglês, eu acho que hoje pro mundo dos negócios, é o básico, não é na torna, já no Brasil é algo que se você sabe falar inglês, é algo que torna você diferente. Na Europa é o básico do
17:24 básico e no mundo dos negócios também, até mesmo quem é um empresário brasileiro. Ah, se você não sabe falar inglês, cara, é, no mundo dos negócios é como se você não soubesse falar em português propriamente.
— É, parece que é uma peça fora do tabuleiro.
— É, exatamente.
— É mesmo assim. Você
— é uma exigência.
— Você acaba estar no meio de pessoas que você quer atingir um patamar, mas você não sabe o que eles estão falando. É como francês. Eu tive a a viver durante 8 meses, sete para 8 meses na Suíça, em parte de de Bien. H, que é um cantão francês, só que nós chegou a trabalhar em um cantão alemão, não entendia nada,
— nada, nada, nada. Ou seja, você fica perdido, fica muito perdido. Ou seja, a necessidade que nós temos para o mundo dos negócios aprender as outra língua é fundamental. Você precisa.
— Exatamente. E agora, Mike, quero fazer uma pergunta. O que que você imaginava que você ia ser quando você chegou em
18:24 Portugal? que sempre a gente chega com um sonho, com uma vontade, com objetivo, só que nem tudo anda que a gente quer e espera, né? E o que que você imaginou que seria, o que, qual que era o seu objetivo de ser quando você chegou aqui em Portugal?
— Olha, sonhos eles não foram criados para ser apagados. Eu sempre tive e ainda tenho isto, porém as dificuldades da vida me deixou atrasar esse sonho. E eu sempre pensei que eu chegando aqui as portas iriam se abrir para que eu pudesse me tornar um um veterinário da para poder cuidar dos animais. Mas não é todos os animais são mais na área da agricultura, mais na área do campo rural, que é basicamente da onde eu vim.
— Sim,
— né? E eu achei bom chegar lá, eu vou logo pra escola, eu vou estudar e depois vou fazer a faculdade. Ah, não foi nada disso. Nada disso.
— Não foi nada disso.
— Hoje tá numa área um pouquinho diferente.
19:25 Tá numa área completamente diferente, mas uma hora, na hora certa, Deus vai abrir a oportunidade e eu vou vou sim pra faculdade fazer aquilo que eu sempre sou.
— Então ainda tem vontade de exercer, de fazer isso?
— Tem, tem sim.
— Tem e vai.
— Tem e vou em nome de Jesus. Não. E é muito engraçado porque quando eu cheguei aqui em Portugal, eu cheguei com um sonho. Eh, basicamente eu sempre tive essa v empreendedora, correndo em mim. E quando eu cheguei em Portugal, eu vi a oportunidade e eu sempre gostei muito de carro e eu vi acho que uma das maiores oportunidades e eu falei: “Já sei na onde que eu vou entrar”. E eu comecei a me dedicar assim que eu cheguei na parte de no Brasil a gente chama de envelopamento. Aqui em Portugal é car wrapping.
— E eu comecei a estudar, comecei a ver o mercado, comecei a ver que no Algarve acho que só tinha uma loja. Quando eu cheguei eu falei: “Nossa, é isso que eu
20:27 quero fazer. Eu amo mexer em carro”. E eu comecei a a trabalhar em prol disso. Então, comecei a comprar material, comecei a comprar equipamento. Aí nessa altura eu já tinha comprado um Golf, um carro e foi meu primeiro carrinho, né? Um Golf acho que 2000, ano 2000, né? Tinha teto solar e aí eu fui fui mexendo, sempre gostei de mexer em carro. E aí eu comecei, comprei o material e eu comecei a envelopar todo o meu carro, né? Eu mesmo sem curso, sem nada, eu comecei a fazer aquilo ali e eu tinha certeza que era a área que eu iria
— Pode p
— E hoje tô também um pouquinho diferente,
— bem diferente.
— Saí um pouquinho, fiz curso, cheguei a fazer curso, cheguei a fazer alguns trabalhos eh em carros de luxo, né? cheguei a fazer ali um trabalho na Lamborghini, em Mercedes, eh em Porte também na quando eu tive esse contato com o curso, até a pessoa que me formou nessa área até ofereceu para mim para eu
21:28 ficar lá, só que era em Lisboa nessa formação e eu sou do Algarve. Eu falei: “Não, falei: “Olha, eu vou ir pro Algarve, vou abrir meu negócio”. E cheguei a abrir
— bom,
— cheguei a abrir meu negócio, né? Ah, só que também foi uma coisa ali, acabei encontrando as dificuldades do empreendedorismo e foi algo que, infelizmente, acabou não indo pra frente. Mas ainda fiquei um bom tempo, fiz bastante clientes, até hoje meu celular toca me procurando, mas hoje, infelizmente, apesar de ainda gostar muito, eh, para mim é quase um antestresse eu é fazer envelopamento do carro, mas hoje devido à demanda já não consigo fazer, mas é algo que eu ainda gosto bastante. Já tive a oportunidade de fazer várias coisas, vários cursos, mas nunca aquilo ainda não naquilo que eu ainda sempre sonhei e sempre sonho. Desejo que é área de de veterinário.
— Sim. Já fiz curso de barbeiro, já fiz curso de montar computadores, já fiz
22:30 curso de padeiro, pastelaria, cozinheiro, barman, já tive várias oportunidades, mas nada que fala assim, não é exatamente isso que agora eu vou seguir, não, porque eu desde criança tive um sonho. Uma vez a minha mãe disse assim: “Olha, vai lá no mercado, eu ainda pequeno para ir entre os 9 e 10 anos. Minha mãe disse: “Vai lá no mercado, compra cá a mistura para nós almoçar”. E eu fui, não deu 10 minutos, eu apareci em casa outra vez e eu disse assim: “Eu mãe, eu tenho uma coisa para te pedir”. Aí ela disse assim: “Que que foi? Você ainda não foi no mercado brigando comigo, né?” Aí eu disse: “Olha, eu posso ficar com ela?” Aí ela ficou assim, aí eu posso ou não posso? Aí ela pode o quê? Ela quem? E eu posso ou não posso? Mas não podia falar quem que era. Aí quando pensou que não, a cachorra meteu assim as patas na janela da casa. A minha mãe, menino, que que é isso? Aí eu falei: “Não, mãe, eu gosto do da cachorra, posso ficar com ela. Sempre tive
23:31 encontrando na rua”. Encontrei na rua, eu tava indo no mercado e ela veio abanando o rabinho e eu falei: “Ah, já comecei a brincar com ela e
— voltei para casa para poder ficar
— muito.” E aqui tenho essa vontade ainda. Quem sabe Deus ainda
— logo logo. Quem sabe ainda tá novo ainda. Tem muito ainda. É,
— tem muito ainda o que aprender e muito ainda o que fazer.
— E muito o que fazer. Exatamente. Agora eu quero entrar numa área de imigração, uma área que eu conheço um pouco. Quero saber como que era, né? Você falou que você chegou há quantos anos atrás? Você tinha 18.
— Ah, fazer 14 anos.
— 14 anos atrás. Quase 15 anos, né?
— E como que foi essa parte de migração para você? Como que era? Eh, porque obviamente 15 anos atrás eu não estava aqui, não sei, sei, conheço um pouco dos processos, mas eu queria ouvir de alguém que passou, né? Como que era essa parte, como que foi.
— Olha, eu quando cá cheguei, as pessoas falavam muito sobre as polícias de bater
24:33 no nos centros comerciais, no trabalho, de pessoas fugir, se esconder e tal, tal, tal. Graças a Deus, nunca tive isso. Nunca tive isso. Porém, houve um episódio nesse meu primeiro trabalho no Picanha na Brasa. A gente parava na hora do almoço, que aquilo era horário repartido.
— E ali ao lado havia ali quatro espreguiçadeiros que a gente usava para poder relaxar os funcionários. Eu acabei deitando ali e falei: “Ah, vou tirar aqui uma soneca”, né? Era tava no meu intervalo e quando eu tava ali deitado, eu me apercebi que um caminhão tava chegando, só que ele não chegou por completo. Ele veio pronto, de marcha atrás e fez aquela a bunda assim, né, do do carro.
— E eu falei: “Rapaz, que que é isso? Será que é os homens? Será que é os homens? A polícia tem que correr” porque escutava isso da das outras pessoas. E aí eu fiquei com medo, aí subi em cima do muro e aí fiquei ali, pulo no pulo, pulo no pulo. Mas se alguém aparecer ali, eu ó, já
25:33 v, né,
— que era para me proteger, não tinha documento, não tinha nada, nenhum contrato eu ainda tinha assinado. Foi a primeira semana que eu tava a trabalhar,
— aí eu fiquei, o carro demorou, eu falei: “Rapaz, vou lá ver, vou sondar que quer”. Quando eu chego na frente do restaurante, era um carro de da Prossigu que faz o levantamento do dinheiro nas caixas do Multibanco. Ah, meu coração de mas muito, mano.
— Mas nunca tive problemas de ah, a polícia tá correndo atrás de você não. Quando foi para mim pegar o documento, neste meu primeiro trabalho, não tinha aquelas tais 12 meses de desconto, que é pessoas dizem que para você dar entrada, você tem um bom contrato, tem que ter um monte de desconto e tal, tal, tal, tal. Fui pro meu segundo trabalho num restaurante chamado Lagosteira nas Asateias. E lá sim eu pude ter um contrato firme, sólido de pessoas de
26:35 nome. Não que o picanha na brasa não tinha, né, mas a lagosteira era diferente, era pessoas mesmo nativas daqui. Então aquilo me ajudou bastante. E aí a gente foi pra delegacia aqui em Alfera e nos encaminharam para Faro, pra loja lá do cidadão. E chegando lá a pessoa reprovou, disse: “Não, falta documentos”. Nem sequer olhou pros documentos direito, abriu a
— Mas você tinha agendamento, alguma coisa ou era só chegar e ir lá?
— Eu tinha feito um agendamento, não foi mesmo eu, foi um colega. Ele chegou a fazer um agendamento, só que o meu agendamento tava pra semana seguinte,
— só que eu fui para poder ver se os documentos estava tudo OK, tá bem? Aí quando eu cheguei lá, ele disse: “Olha, ainda falta documento”. Eu falei: “Bom, eu ainda tenho uma semana para poder conjugar isso”. Fui correr atrás, cheguei lá, ainda faltava mais um bendido documento que tinha que vir do Brasil no dia da entrevista.
— No dia da entrevista eu, meu Deus.
— Se lembra qual documento que era?
— Era o documento da escola.
— Ah, ok.
— Porque eu não tinha trazido o documento
27:35 escolar que tinha que ser e,
— ou seja, há 15 anos atrás eles pediam documento histórico escolar.
— Pediam já o documento histórico escolar. Eu acho que isso daí já pediam já há muito mais tempo. Já mais antes que
— E era o CF na altura que você foi
— Era o CF na altura. Era o CF na altura. Só que teve ali, tive lá três vezes, na terceira eu saí com o meu documento e eu fiz uma prova com Deus. Falei: “Deus, já é a terceira vez que eu vou lá. Pelo amor de Deus, me ajuda. Eu preciso desse documento. Porque a intenção sempre dos meus pais foi chegar cá antes dos 18 para que eu pudesse ir pra escola e então talvez realizar o meu sonho, né? ter uma facilidade para isso. Só que não não aconteceu isso. E a minha mãe passou por um processo com a delegada Dalbiran, que também estava lá naquele dia, na terceira vez. E ela pegou e disse: “Não, eu conheço ela da causa de documento.” Foi lá para dentro, chamou a minha mãe. Minha mãe foi lá para dentro com ela, conversaram, depois ela veio e o a mesma
28:35 pessoa que as duas vezes anterior tinha me dito que faltava documento e aquilo eu acho que era birra, que ele não queria, porque os documentos estavam ali, só por causa de uma vírgula, eles naquela altura bagunçava tudo e mandava para trás. E aí a pessoa ou a delegada fugiu o nome agora dela fez com que ele autenticasse todos os que era preciso, assinasse todas as documentação e me dá essa documentação.
— E quanto tempo levou para você desde que você chegou até você conseguir o agendamento e e depois ter o seu título de residência?
— Eu acho na altura, não me foge a memória, foi 1 ano e três meses. Mas
— para o agendamento ou para obter? para meter o documento na mão.
— para meter o documento na mão, porque naquela altura tinha uma certa tal política que você precisaria de alguns descontos para que o país vesse que realmente você tava com a intenção de ficar aqui.
— Então tive que passar por esse processo e na altura eu me lembro que ele me
29:37 cobrou até o último cêntimo. 610,92 foi a minha suposto multa para pegar a minha primeira residência. pelo tempo que você ficou ilegal para
— pelo tempo, pelos processos, pá, ele colocou lá uma série de coisa que deu isso. Já escutei outras pessoas a dizer que pagou 1000, pagou 1200. O meu pai mesmo pagou 1250,
— a minha mãe pagou 32.
— Agora o por quê?
— é. E há alguns anos atrás, desde alguns anos atrás, eles eh há cerca de 5 se anos atrás, eles estabeleceram um limite dessa multa. Então, independente do tempo que você ficasse é ilegal, tinha um teto para essa multa, porque, ou seja, há 15 anos atrás já não existia esse teto,
— pelo que a gente tá falando. Agora, algum tempo atrás tinha. E depois, como houve essa mudança do CF para AMA, acabou acabou mudando muita coisa, ou seja, o processo, não sei se você tem acompanhado, mas é completamente diferente do que era há 15 anos atrás.
30:38 Então, até modernizou muita das coisas. O histórico escular é uma coisa que não é exigida há muito tempo também, nem certidão de nascimento, somente em caso de reagrupamento familiar, mas no caso de pedido mesmo de residência, dependendo do artigo ali, é pedido a mais os documentos básicos, né? Seja como NIF, NIS, contrato de trabalho ou início de atividade, se for trabalhador independente. Mas o processo hoje é um pouco mais simples, vamos se dizer, né? É, algumas pessoas já veio trabalhar comigo e diz, as primeiras palavras são: “Me dá contrato”. E eu digo assim: “Você quer contrato para quê? Você quer contrato só para obter documento e virar as costas e me ir embora e me deixar na mão? Ou você quer contrato para ter responsabilidade mesmo?” E as pessoas não sabem responder isso, porque hoje em dia as pessoas chegam aqui só querendo contrato, querendo contrato, que é para pegar documento e depois. Exato.
— Eu acho que isso é um uma falta de respeito até para quem vai te dar o
31:41 contrato. Ou seja, é uma é uma parceria que você faz ali que você tem que precisa cumprir com as tuas obrigações também. Não é só dizer: “Ah, eu tenho direito, direito”. Não, você tem um direito, sim, mas também você tem os deveres. Você precisa, você precisa cumprir com a sua parte para ter, as pessoas elas acabam não percebendo que a gente investe, não é só dinheiro, a gente investe tempo treinando, ensinando. E aí simplesmente eu entendo o que você quer falar, porque às vezes a gente treina, é, todo mundo tem o direito, né, de simplesmente não, ninguém é obrigado a trabalhar na empresa de ninguém,
— né? Mas assim, a gente investe tempo, dinheiro, investe ali nossa energia, né, na na pessoa, muit das vezes vai moldando e simplesmente as pessoas vira as costas e vai embora do dia paraa noite, né, sem ter todo esse peso, né?
— Quando eu contrato uma pessoa ou uma pessoa vem ali fazer uma experiência comigo, eu digo sempre, seja honesta.
32:43 Seja honesta no ponto que quando você dar a sua palavra que vai cumprir com esta empresa ou fazer algo para esse cliente, precisa ser cumprido, entende? Eu sei e eu nunca me senti obrigado a trabalhar em lugar nenhum. E é o que eu digo para as pessoas, você tá aqui para passar um tempo, mas eu quero que esse tempo ele seja valioso para que você saia daqui com um legado. E pá, eu aprendi isso com fulano,
— mas as pessoas, muitas pessoas vêm trabalhar comigo só para ter um contrato, para ter um documento, falta trabalho e não não avisa ou simplesmente você liga, não atende. Eu acho que isso não é um não é uma atitude correta. Ou seja, você quer o contrato, eu como empresário te dou o contrato, mas você também precisa estar apto para responder as expectativas da empresa.
— Claro,
— você não vem aqui só para me ter desconto? Não, isso não, para mim não é benéfico.
— Exatamente. Se for pensar dessa maneira,
33:44 prefiro nem contratar. Não trabalha para mim. É assim que funciona. Porque quando você se dedica a algo para você, um legado que tu queres construir, você precisa de uma equipe, um suporte atrás de ti. E isso é muito importante a gente valorizar isso. Só que muitas pessoas não valorizam esse tipo de de atitude sua. Então fica difícil. Eu digo às pessoas, você está aberto da mesma maneira que você entrou, eu também quero da mesma maneira que você saia, mas saia com algo valioso, saia com algo melhor. Não vou sair, ah, fulano, é isso. Não faça isso, isso é ruim. É,
— é muito ruim. As pessoas hoje, eu acho que eh até eu falei uma frase, né, uma outra vez, as pessoas acabam sendo muito interesseiras, né? Então assim, elas só querem aquilo e as pessoas esquecem de também mostrar o que ela pode dar, né? Então ela só querem aquilo que você tem e esquece também de dar. E o dar que eu falo não é nem dar algo de graça, é simplesmente cumprir o combinado. É,
34:46 existe o ditado que fala: “O combinado não sai caro para ninguém.” Então é assim, da mesma maneira que você espera, quando uma pessoa vem e quer ser contratada, ela espera um contrato de trabalho, ela espera que você faça os descontos dela tudo correto, ela espera receber ordenado em dia. Ã, só que a gente também contrapartida espera que ela cumpra o combinado, ou seja, que ela seja eficiente naquilo que ela faz, que ela tenha compromisso, que ela cumpre os horários, eh, se for faltar por algum motivo de doença ou que seja, ou algum imprevisto, que comunique. Exato. É,
— e é isso que eu acho que falta muito nas pessoas hoje, principalmente nos colaboradores, né?
— Há um ano e meio, quase dois atrás, basicamente eu pintei um prédio aqui em Alpera e foi muito interessante que naquela altura eu não faço publicações nas redes sociais a pedir pessoas. Eu sou a minha esposa para fazer isso. Todas as processo nesse sentido é ela que faz.
35:46 E ela fez um um uma publicação lá no Facebook e um rapaz brasileiro me chamou. Eu OK, então vem aqui no
— No prédio e tal. para o endereço certinho. Quando chegou para fazer entrevista, o cara todo pintoso, bacana, tal, não, quero trabalhar, tô cheio de de força, de vontade, já tô aqui há um mês e meio, tenho família, tenho isso, tenho aquilo. E eu, ok, olha, precisamos fazer isso, isso, isso, isso, isso. Mas no meio do nada eu tive uma uma ideia, eu falei, eu vou fazer uma pergunta a ele para ver o que que vai sair daí. E eu virei para ele assim e disse: “Olha, se tu fosse um animal, o que que tu seria?” Aí ele olhou para mim assim, ficou espantado, seria um leão. Aí eu, bom, uma resposta boa, né? Mas dentro da minha empresa sou eu. Não, não, não tem espaço para outro,
— tem espaço para dois,
— mas fiquei só para mim.
— Aí eu tá bem, então, boa atitude, Leão, tem foco, determinação. E é isso que eu preciso. Pessoas que querem aprender e pessoas determinadas a executar. E eu tô
36:47 aqui para ajudar. Aquilo que tiver sobre o meu alcance, eu vou fazer por ti. Como tu tás já aqui há um mês e meio, vai fazer dois, tu tens família? Eu também tenho família e eu sei exatamente o que você tá passando. O desespero de procurar serviços, o desespero de ter documentos e não ter recursos. Mas eu tô aqui para te ajudar. OK. Começas amanhã. Começo. Tudo bem. Isso era numa segunda-feira, era para começar na quarta-feira apareceu
— também não.
— Aí cheguei na quarta ao final do dia, eu falei: “E vou mandar ele uma mensagem para saber o que que aconteceu”. Aí eu mandei uma mensagem para ele, falei: “E aí, tudo bem?” Falei o nome da pessoa, como é que você tá? Aconteceu alguma coisa, algum imprevisto aqui na minha cabeça, bom, aconteceu alguma coisa com a filha ou filho.
— É totalmente injustificável,
— pode acontecer. Aí ele disse: “Não, não vou trabalhar não”. Aí, ué, então você queria só o contrato? Já trouxe até documento na segunda-feira para poder fazer entrevista e querer que eu fizesse
37:49 o contrato. Pera aí, que leão é esse? Virou gatinho, foi
— não sair para caçar, né?
— Virou um gatinho esse leão e os meus colegas c que era aquilo era uma mensagem em áudio. Meus colegas ficou tudo alvoroçado. Por quê? As pessoas chegam em Portugal, chegam na Europa, precisam de ajuda. Todos nós precisamos de ajudas. Se nós souber valorizar aquele que nós estamos nos ajudando, nós vai chegar aos lugares determinados que nós nunca imaginemos. E eu acho que é isso que falta no ser humano, reconhecer o esforço do seu companheiro, reconhecer o esforço do seu patrão, reconhecer o esforço das pessoas que estão a te ajudar. Isso é muito importante. Mas hoje em dia, poucas pessoas leram para
— Poucos. Exatamente. É, as pessoas, eu acho que eh principalmente quando se trata ali de funcionário, colaboradores, eu acho que elas têm uma visão muito errada, né? Porque se fosse fácil ser patrão e empreender,
— todo mundo seria.
— Se fosse
38:50 ser patrão, não é fácil, empreender também não é, mas nada é impossível.
— Exatamente. E agora uma outra pergunta. Qual foi o maior desafio que você enfrentou aqui sendo imigrante aqui em Portugal? foi quando eu fui para Reguengo de Monsaraz lá para cima, a ajudar o meu pai cortar eucalipto. Chegou meu, foi o meu primeiro inverno aqui. Uhum.
— Os restaurantes tinha fechado e eu falei: “E agora que que eu vou fazer? para que eu preciso trabalhar. E aí o meu pai tinha um um amigo, um colega que veio de Barcelona e disse: “Olha, estão precisando lá em regenar os pessoalos para cortar madeira. Bora aí meu pai ficou assim: “Bora, bora, não vai, não vai”. Aí me chamou, falou: “Olha, pessoal, paga isso, isso, isso, tem essas condições. Vamos aí eu, então vamos”.
39:54 Chegamos lá, tudo imigrante, tudo imigrante, angolano, mexicano, pessoas aqui, muito, muito, muito. E eu naquela altura, naquela fazenda, supostamente, nós trabalhava em 50 pessoas, era três equipes, cada um ia para um lado e dá-lhe cortar madeira. E chegou um determinado momento que tava tão frio, nós levantava às 4:30 da manhã para esperar o cara chegar com o carro para levar nós para onde precisava cortar a madeira. Chegou um determinado momento, tão frio, que a minha garganta começou mesmo a inflamar. Chegou um ponto que eu não conseguia falar uma palavra, nem bom dia, nem oi, nada, nada. E a minha dificuldade foi essa. Eu comunicava com o meu pai através de gesto. Depois do terceiro dia, dessa maneira, eu deixar meu pai com lágrimas, cheio de lágrimas. Disse: “Olha, arruma as coisas
— que vamos,
— vamos embora. Eu não tô aguentando. E aí
40:56 meu pai entendeu que já tava no meu limite, porque tinha acabado de chegar, eu não sabia exatamente o que era, entre aspas, serviço pesado. Trabalhei no pesado, sim, com meu pai, mas trabalhar com seu pai, carregando cimento, fazendo cimento, carregando completamente diferente, né? É completamente você tá dentro de um mato carregando, cortando madeira, é completamente diferente. E aí ligou para uma pastora na altura ã e ela foi lá em cima buscar nós, falou: “Não, não, não, algumas coisas aí
— que eu tô indo aí buscar vocês”. E olha
— e foram embora
— no dia cedinho ela apareceu e nós cá para baixo. Essa foi a minha maior dificuldade como imigrante.
— E o que que mudou na sua vida depois que você se regularizou em Portugal? Ou seja, depois que chegou o famoso cartãozinho título de residência, o que que ele mudou na sua vida? Como que foi essa parte? foi você abrir uma porta para um mundo
41:57 Eu posso dizer isso porque depois que eu peguei o meu documento, eu comecei a investir em mim mesmo. Foi aonde eu citei no início, comecei a fazer cursos, comecei a estudar porque queria terminar o que eu comecei há anos atrás para ir fazer e realizar o meu sonho.
— E então aquilo abriu as portas para mim. Ou seja, já posso andar mais descansado agora,
— já não precisava fugir da polícia.
— Agora já posso fazer minha carta de condução. Agora já posso comprar o meu carro, minha moto, seja o que for. Agora ninguém vai olhar para mim no trabalho e dizer que eu sou ilegal. É, infelizmente a gente passa muito por isso aqui,
— muito, muito. E teve uma vez que eu presenciei um algo menos bom e eu tive que intervir para não me sentir confortável e intervir porque a pessoa estava
— pronto, humilhando a outra por não ter
42:59 documento e por ser de cor. E eu fiquei muito indignado com isso. Infelizmente ainda existe isso no nosso século.
— Ainda existe
— na nossa geração. É uma coisa fora do comum.
— Sim. E uma coisa que você falou, né, sobre correr da polícia aquela hora, eu tô tava estava lembrando porque agora a gente tá vivendo novamente essa situação, né? Por muito tempo Portugal abriu as portas. já falei aqui sobre a manifestação de interesse, eh, que foi um mecanismo que o governo criou para que as pessoas que desejassem vir como turista e, de repente gostasse do país resolvesse ficar. Só que, infelizmente as pessoas viram uma brecha, né? Abusaram até que Portugal resolveu fechar as portas. E Portugal fechou as portas de tal maneira, assim, tá tá fechando literalmente todas as brechas que existe. E agora o que tá tendo novamente depois de muitos anos é justamente isso. Ou seja, tá tem fiscalização nos comércios, já tive clientes que me ligaram, desesperado,
44:01 Danilo, a GNR tá aqui, a polícia tá aqui, por favor, me ajuda. A sorte é que esse cliente em si, né, um de algum deles, né, que ligaram, ah, a gente tinha um processo, uma ação judicial em curso. Então foi o que ali, só que ainda assim a gente teve que falar com o policial, a advogada falou com o policial, teve que falar, mandou ação judicial, o policial teve que entrar em contato com o tribunal para verificar a veracidade. Então assim, para você ver a situação que a gente se encontra. E até recentemente teve 11 pessoas que foram detidas e deportadas. Então assim, isso tá tá realmente assim igual era antes. E eu até brinco que tá aparecendo ICE lá nos Estados Unidos, né? Então assim, a gente tá a pouco de criar o ICE aqui de Portugal porque o rumo que tá tomando as coisas é realmente esse. E as pessoas elas não estão atentas à situação que a gravidade da situação, porque assim, as pessoas elas ficam brincando, né? Eu conheço muitas
45:02 pessoas que estão aqui há 5, 6 anos e somente agora tá querendo se regularizar ou buscando um caminho. Eu falou: “Mas o que que aconteceu? Que ah não, não precisava, não queria”. Aí eu falei: “Meu Deus, assim, eu não consigo entender”. E as pessoas não tm a gravidade do que podem esperar por elas. as pessoas que estão ilegais, que não tem nenhum processo ativo, que não tá buscando uma maneira de se regularizar, por mais difícil que esteja, existe ali algumas possibilidades, né? Obviamente cada caso é um caso, a gente tem que analisar, mas as pessoas não estão dando a devida importância a essa situação.
— E essa devida importância eu tiro hoje para mim e para mim mesmo, a outro nível de documentação, porque a minha documentação ela é uma documentação permanente, eu posso fazer.
— Já tens a residência permanente, tá? Exatamente. Mas de 7 anos para cá, eu não dei essa tal importância, porque eu já poderia de 7 anos atrás ter dado
46:03 entrada na minha nacionalidade. Só que nunca, pá, eu vou gastar 250 € com isso, vou gastar dinheiro e
— vai indo e vai indo o tal velho ditado empurrar com a barriga.
— Porque se eu tenho um documento que é válido por mais tempo do que a nacionalidade, para que eu vou gastar dinheiro agora? para quando tiver lá perto a gente logo se vê. E aí tomei essa decisão, reuni algumas documentações e dei entrada este ano, mas já era para ter dado entrada faz tempo. Não perca.
— É. E e uma coisa importante, né, só para você também entender um pouco ali, uma apenas uma correção, é que a residência permanente ela não tem não é a mesma coisa que a nacionalidade, que muitas pessoas confundem isso, né? Ou seja, mesmo ela sendo permanente, você precisa renovar. Ou seja, isso também você não tem os mesmos direitos de um cidadão português. E já diferente da nacionalidade portuguesa, é um direito, ou seja, você vira mesmo um cidadão
47:03 português e mesmo que o documento vença, é só você ir renovar, assim como no Brasil a gente vai renovar um RG, vai renovar um título de eleitor sendo um cidadão português. É isso. Então tem a validade lá do passaporte 10 anos venceu, você renova seu cartão cidadão também são 10 anos, venceu, você renova. Então assim, é muito mais simples o processo, né?
— É muito mais prático, né? muito mais prático. A nacionalidade, você não precisa se justificar com várias documentações para renovar o documento.
— Já a residência, tanto permanente ou temporária, você precisa arrumar várias documentações para justificar que realmente você tá interessado em ficar no país.
— Ou seja, mesmo você tendo a residência permanente, você ainda precisa comprovar que você tá ativo com o país. você ainda precisa cumprir diversas obrigações, eh, coisa que a nacionalidade já, assim, já é um direito adquirido. E agora, né, não sei se você acompanhou, houve uma alteração legislativa referente à nacionalidade portuguesa. Então, para
48:06 quem é brasileiro, agora de 5 anos de residência legal, tem que ter sete. Então imagina às vezes as muitas pessoas que tinham 5 anos
— e eu tenho, por exemplo, até mesmo dentro de casa, que às vezes não se atentaram a data aí por conta de um mês, agora tem que esperar mais um, dois anos para poder dar entrada na nacionalidade.
— Ya,
— né? Então
— é um pequeno detalhe, é a tal coisa que a gente estamos já falar e a tal importância, pai, eu não preciso agora, deixa, vamos ver, vamos ver. Mais
— exato. E até tem uma questão também de prazo que se você tivesse dado a entrada alguns anos atrás, como você já tinha um direito, você com certeza já tinha nacionalidade. Hoje e as conservatórias elas estão, eh, como posso dizer? As conservatórias elas estão mesmo muito cheias e sobrecarregadas. E com isso o processo simples de aquisição de nacionalidade eh tá levando a tr anos. Ou seja, então se fosse algum tempo
49:06 atrás, poderia ter feito o processo ali em um ano, você já teria essa nacionalidade. Hoje, quando você deu entrada esse ano, ainda vão ser dois a tr anos ali para você conseguir obter o esse direito.
— Me foge da memória exatamente o tempo, há quanto tempo atrás a minha mãe deu entrada. Primeiro ela deu entrada no dela e do meu pai. A da minha mãe certinho, 30 dias. O do meu irmão certinho, 29 dias. Desde quando deu entrada a pegar o documento na mão.
— Quanto tempo atrás? Mais ou menos.
— Mais ou menos aí há cerca de quatro a 5 anos. Mais coisa, menos coisas. Ã, ou seja, todo esse processo eu já poderia ter resolvido.
— Já resolvido, mas num
— e só lhe custaria 250 €.
— 250€ que sairia muito mais barato pela espera. Às vezes a gente sabe que ter a nacionalidade portuguesa abre portas também. muitas.
— Então assim, isso é uma coisa que os
50:08 250€ é o que eu falo assim, teria sido quase de graça comparado aos benefícios e as portas que se abririam também para você. oportunidade que saberia a você ter uma dupla dupla nacionalidade. Ou seja,
— dupla na
— é diferente você separado pelo um GNR, você entregar um cartão de residência permanente ou você entregar um cartão de cidadão.
— Automaticamente ele já te olha de frente. Não devia, mas acontece.
— Mas acontece. Ou seja, as oportunidades que você tem a nível bancário, a nível fiscais, as pessoas, por você ter um cartão cidadão, é diferente.
— Ou seja, a porta ela se abre de tal maneira que você fica assim: “Uau, será que eu precisaria mesmo dessa?” Ou seja, você vai para outros lugares só devidamente a um tal cartão. Eu não pude ficar na Suíça a trabalhar porque eu não tenho cartão,
— porque não tenho a bendita dupla nacionalidade. Agora eu quero falar um pouco sobre a
51:10 sua empresa atual, em quando ela nasceu e como que ela nasceu. Me fala um pouco sobre a construção da glória assertiva. A glória assertiva nasceu através de um impulso ou um impulso por quê? Eu cheguei a fazer um uns trabalhos de Uber e um colega meu, o Bruno Marvila, disse assim: “Olha, bora abrir a empresa”. Aí eu falei: “Rapaz, isso daí não é para mim não, moço. Deixa isso para lá. Vamos só passar aqui mesmo umas faturas em Recife Verde. Depois a gente pensa nesse negócio. Não, bora, isso dá dinheiro, isso, bora, bora.” Eu falei: “Rapaz, vou não.” Aí na semana seguinte ele insistiu e eu falei: “Ah, então eu vou lá contigo. Vamos nós dois no carro só”. Aí vimos aqui a Far e eu vindo falando com Deus. Falei: “Deus, quem nome eu vou dar?” Eu agora, dono de uma empresa, rapaz, ele já tinha já um nome mais ou menos específico.
— Isso foi em que ano?
— Em 2019, final.
— Aí eu falei assim: “Rapaz, eu vou abrir, mas que nome eu vou dar?” Mike, isso e aquilo. Inventava, né? Aí quando cheguei
52:12 ali, quando pisei lá na loja cidadão, disse assim: “Ó, senhor, tá nas tuas mãos”. Eu falei: “Tá nas tuas mãos”. E aí a senhora lá do do balcão disse: “Olha, temos aqui esses nomes, pode escolher o que você quiser.”
— A lista de nomes pré-aprovados, né?
— A lista de nome pré-aprovado, que é mais fácil. Caso contrário, você dá um nome, a gente tem aqui os processos, tá? Tá, tal. Aí eu falei, olha, eu vou escolher. Aí fui indo, fui indo, fui indo, fui indo. Aí veio na minha cabeça, Glória. Falei: “Glória! Mas Glória! Fica naquilo, mas que Glória?” Mas aí fui procurando, fui procurando, fui procurando. Aí quando eu vi ela, glória assertivavel, eu pá, é essa, não tem para onde já nem mudei, já não tive nem mais outra opção, outra sugestão. Falei: “Não, é essa” e acabou. Aí já falei: “Nossa senhora, tá decidido, é essa daqui”. E foi muito rápido. De lá para cá, tive bons, maus momentos. Não foi fácil. Tive momentos que o os bancos chegavam para mim e dizia: “Olha, fecha”. No
53:13 primeiro ano da empresa, os bancos diziam: “Fecha, você só tá cavando um buraco. Você não vai se erguer. Fecha, fecha”. E eu sempre tive comigo três coisas: foco, força e fé. E eu disse: “Não, isso não vai acabar assim. A glória nunca foi minha. Como é que Deus pode fazer as coisas e errar? É impossível. A glória de Deus é assertiva porque é de Deus. Deus não erra. Alguma coisa irá acontecer, mas sempre nessa persistência, sempre nesse foco, sempre nessa fé e batalhando.
— E então passar de um determinado tempo, o primeiro ano foi muito difícil. tínhamos acabado de sair de um de um COVID que paralisou o o mundo inteiro.
— Em 2020 eu comecei mesmo com vários problemas.
— E você, a empresa, desculpa de cortar, mas a empresa ela começou já no ramo que atua hoje ou foi em outro ramo?
— O o patamar dela mesmo em si começou como Uber.
— Como Uber, ou seja,
54:13 como Uber.
— Não era empresa de construção e modção, nada, nada. Aí depois do primeiro do do verão de 2020 eu falei: “Não, não pode ser. Eu tenho que mudar aqui a estratégia porque eu chego, olho na conta bancária, nada.
— Eu vou no banco, só palavras negativas, não tem que mudar”. E como eu já tinha uma experiência do Brasil na área da construção e o meu pai trabalhava nisso, eu falei: “Não, vou juntar o útil ao agradável e dar a continuidade ao legado do meu pai”.
— E assim foi. Eu tive a trabalhar alguns anos na helaria e quando eu passei a construir, constituir a glóriava, eu disse: “Pai, olha, vamos agora trabalhar juntos, vamos criar essas coisas juntos”. E aí foi, pá, segundo ano, 2021, as coisas deu uma melhorada, eu sei o 2022 as coisas subiu mais um
55:16 pouquinho e aí tive um problema financeiro, caímos, mas subimos de outra vez e agora estamos em lugar, estamos sendo construído tijolinho por tijolinho, porque exato,
— não é fácil. E a essa alteração da empresa então que saiu de Uber pra parte de remodelação foi depois do COVID,
— foi no final do verão de 2020.
— 2020. Um ano, um pouquinho depois de um ano.
— Um ano depois, porque eu vi que as coisas no Uber naquela altura era um auge, né? Naquela altura tava todo mundo a ganhar dinheiro e muita gente tava constituir, esse meu colega mesmo constituiu empresa só por causa do Uber, porque estava a fazer dinheiro, porque as pessoas no 2018, no verão, fizeram bastante dinheiro. 2019 foi para quando eu entrei também nessa nessa brincadeira. E aí eu disse: “Não, então vai dar dinheiro”. Mas quando passou, caiu a ficha, falei: “Não, isso daí só é
56:17 no verão. Eu como o ano inteiro”. Não dá.
— Aí foi quando eu troquei.
— Quando você fez e a distância entre a ideia e a decisão é onde a maioria das pessoas desiste. Isso é um passo fundamental que a gente não sabe o que tá por vir. Temos desejo pel aquilo que precisamos e queremos. Mas há um conflito, há um conflito entre dentro de nós mesmos que às vezes nos leva a não tomar decisões que podem nos levar a outros patamares da nossa vida. E essa foi uma decisão que eu tomei há 7 anos atrás. Falei: “Não, eu vou fazer”. Peguei e fiz. E não me arrependo.
— Não se arrepende
— não. Não. Às vezes os cabelos branco dá dá para anar. Não durmo direito, às vezes tenho preocupações, mas não me arrependo.
— E qual foi a maior dificuldade quando
57:18 você abriu o negócio que você passou?
— A minha maior dificuldade quando eu abri o negócio foi quando eu disse assim: “Uau, sentei no meu sofá, na minha cadeira, uma cadeira parecida como essa”. E disse: “Agora eu sou empresário”. Até cruzei as pernas e disse: “Agora sou empresar,
— agora eu sou patrão.
— Sou patrão. Peguei no telefone e olhei para conta zero. Falei: “Não, isso não tá legal”. E aí eu comecei a trabalhar e aí foi quando eu comecei a me envolver com mais frequência ao banco. E foi quando o banco disse: “Olha, fecha primeira vez”.
— Você ouviu isso do banco? do banco.
— Houve de dois bancos, foi a qual eu já trabalhava como pessoa mesmo no singular.
— H, e eles diziam: “Fecha, fecha, fecha”. E a minha maior dificuldade foi essa, é tentar trabalhar, mas não ter recursos. Porque naquela altura, logo no inverno de 2020, o UB já tinha já ser esgotado. Eram muito poucas
58:19 corridas, ou seja, não dava para poder se manter, não dava. Então, quando eu passei a ser eh remodelações de glória exertiva, construções e tudo mais, eu tive algumas dificuldade que eu precisava de máquinas. Eu não não tinha máquinas,
— precisava de ferramentas. E então eu
— é aquele tal negócio, quando você não tem, você recorre a quem tem. E quando eu tive ao banco, dizia: “Fecha, fecha”. Então, para mim foi um choque meio que grande, porque eu não estava preparado para isso. Não estava. É, eu também eu passei por algo similar, né? Quando eu abri a empresa, eu decidi e uma das coisas que eu vejo, uma das coisas que eu vejo os empresários errando muito é no capital social da empresa, porque as pessoas, e isso foi algo que eu escutei também de alguém do gerente do banco, né? Porque muitos empresários eh aqui em Portugal é possível abrir uma sociedade com capital social de 1 €. E muitos empresários acha isso uma ideia maravilhosa. Só que o capital social da
59:21 minha empresa era de 2.000€ não era de 1 € já menos mal. Só que quando eu fui no banco, uma altura que eu precisava fazer uma reforma, queria fazer uma remandelação no escritório, a gente tava passando ali por uma expansão da empresa, a primeira primeira expansão da empresa. E eu cheguei no banco e eu falei: “Não, eu quero quero fazer uma remodelação assim, mostrei o projeto, tudo”. H, e a frase que eu ouvi foi: “Se você tem esse capital social, significa que você próprio não acredita na sua empresa e você quer que nós acreditamos nela.” E eu saí de lá assim chateado, mas foi uma frase que eu digo que também mudou muito o meu pensamento.
— E eu e eu foi na onde eu comecei batalhar porque eu falei assim e realmente e eu não discordo deles porque eu falei: “OK, se eu não acredito na minha empresa, quem é que vai acreditar?” E essa frase foi uma frase que eu escutei que doeu bastante, só que foi uma frase que me fez mudar, que trouxe mudanças. E aí eu falei, a
1:00:21 primeira coisa, eu falei, eu vou aumentar o capital social da minha empresa, porque eu acredito na minha empresa. Eu tenho que ser a primeira pessoa a acreditar, porque o banco ele vai ver números. Ele vai ver os números, ele não vai ver se ele foi com minha cara, ele não vai ver nada. ele vai ver os números e pro banco e ele só vai fazer um empréstimo, algo do tipo, se ele verificar que você financeiramente é uma empresa estável e que vai pagar ele.
— Infelizmente o o banco, o governo, ele olha qualos números, não olha se você é bonito ou se você é feio. Ele não ol
— não olha pra ideia, pra sua ideia, o tamanho da sua ideia, nada disso. E e eu acho que nós temos algo muito em comum, porque quando foi o primeiro inverno de 2020, né, quando foi o inverno de 2020 que eu tive essa decepção, teve uma das reuniões do gerente, ponto do banco, não vou dizer qual, eh, que ele falou algo que me marcou e eu saí do banco chorando e quando eu pisei lá fora do banco, eu
1:01:22 disse: “Eu vou voltar aqui, vou mudar a minha história e você vai ver que eu sou capaz disso.” Porque naquela altura eu fiz exatamente parecido como você, mas não fiz grande projeto. Peguei no meu caderno e escrevi: “Eu preciso de uma rebalvadora, eu preciso disso, disso, disso, disso, disso”. E fui nas lojas a fazer um orçamento. E eu cheguei no banco e disse: “Olha, eu preciso de dessas mercadorias, eu preciso desse material. Eu tenho alguns clientes, só que para mim dar no meu início, eu preciso ter locomoção para poder trabalhar, eu preciso ter ferramentas”. E eles disse: “Não vamos te dar. Você não tem capacidade, você só tá cavando um buraco. É melhor você fechar. Nós não acreditamos em você. Naquela altura, a empresa ela tava com um capital social de 500 €. Foi quando eu abri. Hoje, para honra e a glória do de Deus, o capital social é mais de que 50. Graças a Deus por isso. Ao longo do tempo eu venho caminhando, mas porque para não só
1:02:22 provar para aquele cidadão que eu sou capaz de resolver o que faço, o que resolvo, mas para provar para dentro de mim mesmo que eu tenho as minhas capacidades e eu preciso colocar ela para fora.
— E isso daí naquela altura me marcou muito. Eu chorei muito. Eu passei a noite meditando. Deus, como é que eu vou fazer isso? Ninguém acredita em mim, ninguém tá por mim, é só o Senhor e eu. Tem aquela canção, é só você e Deus.
— Aham. Sei.
— Eu por diversas vezes eu escuto essa canção e quando eu escuto algo dentro de mim move, porque tem momentos da sua caminhada como empresário, é só você e Deus, irmão.
— Não é mais ninguém. Por mais que você esteja uma companheira que esteja do seu lado, por mais que você esteja uma equipe do seu lado, há momentos que é só você e Deus. E eu disse: “Não, eu vou mudar a minha história. Eu não sou essa pessoa. Ele vai eh comer as palavras que ele diz.” E lá está.
1:03:24 E lá está.
— Não sou o melhor. Tô me construindo, tô crescendo, mas tem um objetivo e ele vai chegar lá.
— Muito bom. E agora uma pergunta que eu acredito que todo empresário já passou. Qual foi o momento que você achou que ia O meu pior momento que eu achei que eu ia quebrar, que eu não ia continuar, foi nesse momento quando eu saí do banco, que por um milésimo de segundo eu dei razão àquela pessoa. Eu falei: “Realmente, a empresa tem que ser fechada. Eu não sou capaz disso. Eu não sou essa pessoa que supostamente deveria ser. Talvez eu me precipitei, mas foi muito rápido, foi só um milésimo de segundo. Eu falei: “Não, pera aí, tá errado, senhor, tá repreendido em nome de Jesus”. Logo eu pensei e dessa maneira
1:04:25 diferente, porque quebrar, eu acho que todo mundo pode passar por esse processo.
— Agora, falir, fal mesmo, eu acho só quando nós morrer, porque enquanto tiver fôlego de vida e força, você vai lutar. Se você quiser, né, você vai lutar e você vai vencer. Agora momentos mesmo assim, só mesmo quando você morrer, você falar agora, realmente, porque medo de quebrar, veja bem, tem grandes empresas que têm bilhões e quebram e levantam e quebram, levanta. Ah, você conhece muito bem, a gente é prova viva de um cara muito famoso e El Musk quando fez seu primeiro foguete subiu, p explodiu, começou a bater palma, mas ninguém entendeu o motivo, entendeu porquê. Ou seja, para algumas pessoas que estavam à volta deles não dá certo. Isso é impossível fazer foguete da ré, isso é impossível. Mas para ele não, para ele foi uma oportunidade. E pá, pera aí, nós
1:05:28 conseguiu levantar, nós já temos dados. O segundo a mesma coisa, o terceiro a mesma coisa. Hoje é o cara mais falado e é o cara que faz ele subir e faz ele descer. Então isso dentro de nós também temos que fazer exatamente dessa maneira. Ou seja, se não dá dessa maneira, a única forma com que faz você realmente quebrar ou realmente você falir é você se desistir de você mesmo.
— Sim. E se você dizer assim: “Não, eu não sirvo mesmo para isso, eu não vou não sou dono dessa empresa, eu não sou capaz ou quando você morrer, porque aí quando tiver fôgo de vida, a sempre uma esperança.”
— Sempre uma esperança. E qual foi a atitude que você teve que depois que você pensou que ia quebrar quando você saiu do banco, que foi a atitude que fez a diferença?
— A atitude que fez a diferença, entrar dentro do seu quarto, fechar a porta e falar com Deus. Jeremias capítulo 33 disse assim: “Clama a mim e responder-te ei, anunciaste ei coisas grandes e
1:06:28 firmes que tu não sabes.” E quando esse desespero bateu na minha, no meu coração, na minha porta, eu cheguei em casa quando eu saí do banco e disse: “Senhor, eu não sou o que ele disse. Eu não vou, eu não criei a glória assertiva para acontecer o que aquela pessoa falou. Tá nas tuas mãos.” E eu então busquei a Deus, busquei força, busquei entendimento, sabedoria, conhecimento para que Deus transformasse a minha vida, porque eu sou, eu sou nada, eu sou um pó, eu sou cinza, entendeu? Mas quando Deus entra no negócio, algo acontece.
— Algo acontece. Tem que acontecer, né? Tem que precisa acontecer para que o nome dele seja glorificado.
— E não é à toa que se a gente fechar aqui é só glória. Não é nossa, é dele.
— É dele. E qual foi eh qual é a maior falta que você sente como empresário hoje?
— A maior falta que eu sinto como empresário são os recursos que eu ainda
1:07:29 não tenho. É, foi como eu disse no início, é falar um bom idioma, falar bem.
— Eu não sei falar bem. um idioma inglês, francês, alemão. Eu gosto muito, eu amo o alemão, só que tenho muita dificuldade, muita dificuldade. Ou seja, eu já quando tive lá na Suíça, ainda tive caderno, pessoas lá da igreja nos ajudar. Como empresário é você se dedicar aquilo que você quer. Não coloca as suas dificuldades acima das suas limitações. Creia somente que Deus vai te dar recursos e você vai ultrapassar tudo aquilo. Mas basta ter fé, força de vontade.
— Muito bem. E hoje eu quero saber um pouco como se encontra a glória assertiva. Qual a média, se você puder falar, qual a média de funcionários que você tem, qual o tamanho que tá o o estado atual hoje da glória assertiva?
— A glóriava hoje, como eu disse, ela tem
1:08:29 o capital, ela vale mais do do que 50, né? Já tive já 12 funcionários, 12 pessoas a trabalhar. Eu nunca tratei uma pessoa, veja bem, eu nunca tratei até mesmo o meu pai como funcionário. São colaboradores.
— Colaboradores.
— Eu nunca olhei para uma pessoa, seja ela profissional ou inexperiente, como um funcionário. Eu acho que uma empresa para ela chegar a um patamar de alto escalão, seja como for, ela precisa entender que as pessoas são recursos que Deus enviou para você, para que você possa fazer aquilo que você tem que fazer, entende? Hoje em dia eu não tenho grandes pessoas, poucas trabalha eu, trabalha meu pai. E quando eu pego uma obra, muito em breve vocês vão ver eh uma das obras que Deus nos proporcionou a patamares mais altos, a patamares diferentes. Ou seja, não é só uma remodelação, é construção de um sonho de
1:09:30 uma pessoa. E isso faz com que a gente muda a nossa visão. Hoje a glória assertiva vale mais que 70.000. Hoje o patamar da glóriava são diferentes. Claro, são alguns dados que não eu não revelo, mas são mais sensíveis, sim,
— são mais delicados, mas tomas em patamares diferentes. Hoje quem olha a glória assertiva e vê ela há 5 anos atrás fala: “Uau, não é a mesma co
— é a mesma mesma”.
— Porque a eu costumo dizer aos meus clientes,
— apesar do meu contrato ser muito explícito, meu orçamento ser muito específico e claro, a minha palavra vale mais que minha caneta. Então, se eu digo que eu vou fazer esta obra, claro,
— pode ter certeza que eu vou fazer essa obra. Se eu digo que eu vou estar naquele compromisso com aquele material, com aquela, eu vou fazer de tudo para estar lá. Se eu não puder estar lá, eu vou lhe comunicar e te passar o que que está acontecendo para que você entenda o
1:10:32 núcleo. Porque muitas vezes isso acontece no ramo da construção, colegas, até mesmo eu no início, é, pegava muitas obras e isso faz com que você não dá conta, porque você começa a confiar em muitas pessoas,
— mas algo sempre falha, algo vai falhar. Isso acaba degrin e eu tenho comigo, a minha convicção é que a minha imagem vale tudo. Eu sou tudo da glória assertiva. Eu sou a pessoa que chega, faz, acontece, porque ali está o acordo que eu fiz com o cliente. Ninguém mais sabe.
— Ninguém sabe.
— Ou seja, por mais que o meu pai seja meu braço direito dentro da empresa, seja meu braço direito dentro das obras, ele não sabe exatamente aquilo que eu comunei com o cliente. Hoje, por exemplo, mesmo, ontem o cliente teve na obra, gente, tivemos uma reunião e me
1:11:33 passou detalhes que hoje eu cheguei lá na obra e disse: “Olha, precisamos fazer isso, isso, isso, isso, eu tô indo para um compromisso, mas logo daí eu volto.” Ele tá na obra, a obra não para.
— Ou seja, tem pessoa, não é porque é meu pai, mas tem pessoas que tá a executar. Seja a glória assertiva hoje tá no patamar completamente diferente. E se eu tenho lucro, ótimo. Se eu tenho prejuízo, eu preciso cumprir a minha palavra. Já aconteceu de eu entrar em obra e ter que tirar dinheiro da onde não devia para poder cumprir a minha palavra com esse cliente.
— Hoje, quando eu olho também há 5 anos atrás pra minha empresa, pra Seven, e não tem nada a ver. Ou seja, se você olha hoje, olha 5 anos atrás, é completamente diferente, né? Eu acredito que quase todo mundo passa, que tem ambição, que trabalha, que vai atrás. Eu acho que quase todo mundo passa por essa mudança, né? Mas é muito bom assim o crescimento, acho que exponencial que foi tanto da glória assertiva como eu
1:12:35 vejo que foi da Seven, né? Eu comecei numa pequena sala. Eh, hoje já estamos com três unidades indo paraa quarta em Albufeira, que a gente tá agora em fase de remodelação também. A gente tá passando agora pelo rebrand para para pegar todo esse novo momento que a gente tá vivendo, né, com podcast, com tudo isso. E quando eu olho assim, me dá muito orgulho, né, do que eu era, né? Antes era eu presa, era somente eu que fazia literalmente tudo. Hoje a gente já tem aí alguns colaboradores que ajuda, que atende, eh, especialistas. Então assim, é muito bom quando a gente olha para trás e vê da onde a gente veio, né, e aonde a gente tá e também obviamente na onde a gente quer chegar, né, que eu acredito que ainda tem muito, muito aí para percorrer.
— Tem tem muito para percorrer. Hoje quando eu olho, eu olho pr pra minha empresa, eu digo assim, eu preciso de pessoas
1:13:36 que esteja mais presente à minha volta. Porque assim, quando você quando olha paraa sua empresa Seven há 5 anos atrás, se você não tem a sua cônjude que acredita em você, que você não tem a pessoa que faz, tudo pode dar errado na sua vida. Sim,
— mas se a sua companheira ela te dar aquela força, eu costumo dizer paraa minha esposa o seguinte: você é meu combustível. Você é a pessoa que faz toda a diferença na minha vida. Porque quando ela começa a te introduzir isso, mano, você é capaz de derrubar um gigante. Tudo a sua volta pode dar errado, mas se ela tiver com você, as coisas acontecem. Hoje você está num patamar aqui, só que mais à frente tu vai olhar daqui a 10 anos, tu vai estar num patamar
— Eu já assisti algumas vezes a a série Switch
— e eu gosto muito da frase de Harv Spector que ele diz: “A vida é assim”.
— Mas eu gosto da vida assim, embora eu
1:14:37 não faça muita divulgação da minha vida em particular em si, é aquilo que eu já te disse algumas vezes, mano, o trabalho você vai ter sempre. pega na tua família e some, vai passear. Você é prova disso, porque é necessário que você recarregue o seu combustível. É como um carro quando ele tá acabível,
— é o maior. E eu digo pra minha esposa, você é o meu combustível. Se você acreditar em mim, se você tiver comigo, você vai ver que eu vou proporcionar a gente entrar em outros patamares da nossa vida diferente. E hoje quando eu olho para essa situação, eu digo assim: “Nós precisamos aumentar um passo”. Hoje em si, tudo basicamente na glória assertiva, eu já fechei o contrato de mais de 150.000€ Essa próxima obra que a gente vai entrar agora, vocês vão ver, é uma obra que eu disse para Deus em uma determinada das minhas orações, Senhor, muitos empresários bate 1 milhão, porque eu ainda não. E eu gosto de ver vídeo de
1:15:40 empreendedores e muitos empresários bate meio milhão, porque eu ainda não, né? E eu digo isso para Deus, porque eu tenho uma certa liberdade, entre aspas, dizendo assim, com Deus, porque a própria Bíblia, ela diz assim: “Se você não confiar em Deus, em quem você vai confiar, né? Se você não mudar a sua rota, se Deus não te dar e proporcionar a estrutura para você mudar a sua rota, aonde você quer chegar?” A gente vê pelo apóstolo Paulo, quando ele tá na caminhada em Damasco, Deus muda a rota dele e faz um grande homem dentro da palavra de Deus. Eu trago isso para dentro da glória assertiva, porque eu olho à minha volta e eu vejo grandes construtoras. Eu não sei os dados, mas eu imagino mais de 1 milhão, mas porque são obras gigantes. Então eu quero atingir esse patamar também.
— É muito interessante.
— E vai atingir
— em nome de Jesus. E qual o conselho que você daria para
1:16:40 alguém que chegou há pouco tempo e quer abrir o seu próprio negócio, a sua própria empresa? É o mesmo conselho que eu dou ao meu irmão, que ele já me perguntou já várias vezes, eu vou abrir a minha empresa? Não desiste, não pare e não perca sua fé. Porque se Deus colocou essa sementinha no seu coração, pode ter certeza que vai vingar, pode ter certeza que ela vai gerar frutos, pode ter certeza que ela vai crescer. Ou seja, não percas essas três fundamentos.
— E as pessoas acreditam que quando você abre uma empresa é um mar de rosas, né? Mas eh o empresário da vida real, como você mencionou, sabe que eh você ser empresário, muit das vezes as pessoas falam: “Vou ser empresário para ter tempo livre”. Mas é justamente ao contrário, porque quando você trabalha para alguém, você tem horário de entrada e horário de saída. Quando você é empresário, quantas vezes eu não entrei no trabalho 7 da manhã e saí às 10 da noite, à meia-noite, quando às vezes eu
1:17:41 não chego em casa 10 horas da noite, ainda vou trabalhar mais um pouco. Ou seja, empresário, para quem quer empreender achando que vai ter tempo livre, é totalmente ao contrário. Você vai empreender e você vai ter mais tempo, mais obrigações, ou seja, você tem que trabalhar muito mais, quase que o dobro de qualquer outra pessoa, né? às vezes até o triplo e vai ter muitas noites sem mal dormidas, muito choro, muita muita vontade de desistir. Mas é o que você falou, perseverança é você perseverar daquilo que você acredita e que você sabe fazer.
— É aquilo que você falou, Danilo, se você não acreditar em você, na sua empresa, quem vai acreditar, né? Vai acreditar,
— porque é muito bonito a gente ver grandes empresas, ah, mas chegar o como eles chegaram lá. Eu tenho um livro que eu ainda não terminei de ler, já há muito tempo que eu tô tô lendo ele. Pai rico, pai pobre. Seja a gente aprende muita coisa, seja através da leitura, você vai aprender a escalar a sua vida
1:18:44 de forma diferente. Se você não perder foco, se você não perder a sua fé, se você não perder a sua determinação, isso não quer dizer que Deus vai abrir o céu e vai mandar. Não, não é assim, meu amigo. Você precisa trabalhar. Tem muitas horas de braço doído, tem muitas horas de sem sono, dor de cabeça, mas vai acontecer.
— Vai acontecer. A gente já tá se encaminhando aqui pro final e pra última pergunta aqui. O último convidado que foi da K Burger, eles deixaram uma pergunta para o próximo convidado
— sem saber quem é. E a pergunta deles para você pensar numa resposta é: Quem é o seu maior concorrente? Eu mesmo, eu mesmo sou o meu maior concorrente, porque como eu acabei de dizer, existe muitas outras construtoras, cada uma faz o seu tipo de trabalho. Eu
1:19:44 tô abrindo o leque da glória assertiva e vamos atingir outros patamares. Mas se eu não abrir esse leque, se eu não ter esse tipo de visão, eu não tenho concorrência, porque são todos construtores. Você tem a Seven, mas existe centenas de outras empresas que faz o trabalho semelhante ao seu. Só que se você não acreditar em você, você mesmo é o seu próprio concorrente. Você precisa dizer assim: “Não, eu preciso ultrapassares isto porque há um velho ditado diz: “Se você não fizer, outro vem faz. Mentira. O que é para você fazer é você que vai fazer. Você só não faz se você não quiser.” Por isso que lá desde o início Deus nos deixou o livre arbítrio. Você faz ou você não faz? O seu maior concorrente é você mesmo.
— É você mesmo. Muito.
— Pelo menos eu acho isso, né? Para mim,
1:20:45 pro Mike, o maior concorrente dele é ele mesmo. E agora a gente quer que você deixe falando ali pra câmera um, uma pergunta para o nosso próximo convidado. Qual é o seu maior objetivo e aquilo que te faz crescer?
— Muito bem. Qual é seu maior objetivo? E
— o que te faz crescer?
— E o que te faz crescer? Essa é a Hoje estamos aqui falando com ele, com Mike, uma baita história, muito bom saber ali de muita coisa que eu não sabia, apesar de ser ali amigo, né? Ah, não conhecia boa parte da história. E o que eu falo assim, cada vez cada empresário que senta aqui, eu conheço muito mais da história que eu achava que eu já conhecia, né? Então é muito bom. Muito obrigado por ter aceitado esse convite, muito obrigado por ter participado. Foi um prazer te receber e conhecer um pouco mais da sua história,
1:21:47 da história do Mike e da Glória Assertiva também.
— Quem sabe da próxima vez aqui nós já atinge os outros patamares.
— Com certeza. A próxima a próxima vez que o Mike estiver aqui, tanto eu quanto ele já estaremos em outro patamar.
— Sim, em nome de Jesus. É, não é só, não é só uma, um objetivo, mas tá registrado e é uma meta quando a próxima vez
— nós estaremos de outros patamares e iremos falar sobre números. Vou botar números na mesa, tanto da Seven quanto da Glória Assertiva. Combinado?
— Combinado.
— Então tá aqui, ó, trato fechado. Na próxima, nós traremos aqui números para você também conhecer um pouquinho mais. Pessoal, esse foi mais um episódio conhecendo mais uma história de um empresário, um empresário que está construindo o seu legado, construindo ali já e a sua empresa de sucesso. Acredito que nossa próxima conversa vai ser muito boa. E esse foi mais um episódio da SEVEN Cast. Não se esqueça de se inscrever, de ativar o sininho e de
1:22:48 curtir o vídeo e também de qual empreendedor de qual área você quer ver aqui na SEVEN Cast. Muito obrigado por nos assistir. Até a próxima. Pessoal, não esquece de nos seguir lá, ó, gloriassertiva obrasgarves.com.